Antes de tratar sobre alguns motivos que levaram o presidente da Câmara de Vereadores, Kelmann Vieira, a deixar o PMDB e migrar para o PSDB, alguns leitores me provocam para que trate sobre toda a confusão gerada pela indicação de Lula para o ministério do governo Dilma e a reação dos contrários. Esse é o grande tema de hoje.
No entanto, como ninguém é completamente neutro, acordei com um gosto amargo na boca. Li, vi e conversei com pessoas de todos os lados. O que consegui observar é uma divisão imensa sobre o tema, mas poucos preocupados com as consequências dos atos do juiz Sérgio Moro.
A discussão, na minha opinião, deveria primar muito mais pelo equilíbrio, pela defesa dura da legalidade acima e superior a emoção e aos interesses individuais e políticos. Salvador da pátria, Bolsonaros e Aécios da vida, Lula, ou quem quer seja, não será capaz de resolver essa situação. A solução está na Constituição e na política, jamais nos vazamentos seletivos ou nos grampos ilegais incendiários.
Mas como o gosto amargo é revelador de que há erros por todos os lados que apenas levam o País para o abismo da divisão política, prefiro deixar pra entrar nesse tema nos próximos dias. A vontade é xingar, chamar de burro aqueles que não percebem nem conseguem ver que alguns atos levam a outros e a determinadas consequências.
No mais, vamos em frente e vida que segue porque, como diz o ditado popular, “nada é tão ruim que não possa piorar, mas um dia tem que melhorar”.
SAÍDA DE KELMANN VIEIRA – Embora tenha sido cortês ao ter informado pessoalmente ao governador Renan Filho que estava trocando o PMDB pelo PSDB, o presidente da Câmara de Vereadores de Maceió, Kelmann Vieira, guardava uma certa mágoa dos “amigos e aliados” poderosos do PMDB.
Quando decidiu disputar a presidência da Câmara em nada - nadinha mesmo, nem uma conversa - os Calheiros o ajudaram. Somando isso a alguns fatores como, a identificação política e pessoal com o prefeito Rui Palmeira (PSDB), o fato de até hoje o governo não ter cumprido o acordo político com o seu sogro, Cícero Cavalcante, para que este assuma uma vaga na Assembleia, o deixaram livre para tomar uma decisão.
Até mesmo as difíceis medidas adotadas que causaram enfrentamento interno, caso da instalação do ponto eletrônico, jamais foram motivos de elogios e apoio por parte de lideranças peemedebistas. Também nunca foi discutido com o vereador o interesse de Rui Palmeira em tê-lo como vice da chapa.
Sendo assim, meio que largado, melhor seguir voo solo tucano.
E, caso eleitos, é possível que retorne ao comando da Casa pra dar continuidade às medidas administrativas com o apoio, claro, de Rui Palmeira.