Tem quem diga que Lula e a Globo estão em guerra atômica. Aliados do ex-presidente avaliam que a empresa de comunicação tenta destruí-lo. Ontem (1) mais uma cena desse capítulo foi ao ar.
O jornal O Globo enviou pergunta para saber se ele poderia comentar por que os dois pedalinhos no sítio de amigos que ele visita nos fins de semana têm os nomes dos seus netos. Em resposta, depois publicada no Facebook, Lula cobrou uma reportagem sobre um tríplex dos irmãos Marinho, em Paraty, registrada no Panamá e construída irregularmente. Leia abaixo:
"Aguardamos que a brava reportagem de O Globo, que persegue pedalinhos de crianças, investigue quem seria o real proprietário da mansão construída em área de proteção ambiental na praia Santa Rita, em Paraty. Haverá alguma nota ou reportagem do Globo sobre essa polêmica propriedade?"
O ex-presidente também está lançando o site “A Bem da Verdade”. Nele estarão todas as ações cíveis e criminais movidas contra jornalistas e personalidades por ofensas.
As respostas jurídicas às várias investigações que vem sofrendo também estão disponibilizadas. Assim como as notas à imprensa já divulgadas.
O Instituto Lula disponibilizou a troca de e-mails com O Globo. Leia abaixo
O Globo e os pedalinhos 2: jornal questiona Lula por cargo criado por FHC
A reportagem de O Globo segue acompanhando atentamente cada movimento dos pedalinhos no sítio de Atibaia. Para conhecimento público, copiamos, abaixo, nova troca de e-mails entre a reportagem e a assessoria de imprensa do Instituto Lula sobre o assunto:
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Em 1 de março de 2016 16:12, @sp.oglobo.com.br escreveu:
Boa tarde
Estamos fazendo matéria sobre como se deu a compra dos pedalinhos e que estão no sítio de Atibaia. Notas fiscais apontam que os produtos foram comprados pelo subtenente Edson Antonio Moura Pinto, que é funcionário da presidência. Seria atribuição dele esse tipo de tarefa?
Aguardamos uma resposta
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De: @institutolula.org
Data: 1 de março de 2016 17:15
Assunto: Re: Compra de pedalinhos por assessor da presidência
Para: @sp.oglobo.com.br
Boa tarde Luiza,
Os ex-presidentes brasileiros têm direito a alguns cargos de livre provimento, conforme estabelecido pela lei 7474 de 1986 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7474.htm). Logo, ele é um funcionário cedido ao ex-presidente.
Como pode ver no link indicado acima, a última alteração dessa lei aconteceu no governo FHC, em 20 de dezembro de 2002, ou seja, 11 dias antes de Fernando Henrique Cardoso deixar seu cargo, quando aproveitou a oportunidade e criou dois cargos extras de servidores de livre provimento para ex-presidentes. O referido subtenente ocupa esse cargo, que é o de um assessor pessoal do ex-presidente para a função que ele indicar.
Resumindo: sim, ele pode fazer esse tipo de tarefa, porque a lei estabelece que o papel dos funcionários é de segurança e apoio pessoal, e mais ainda porque FHC criou dois cargos de absoluto livre provimento para ex-presidentes 11 dias antes de deixar o cargo.
Para, no que espero encerrar esse capítulo da história do jornalismo investigativo brasileiro, digno de um filme que mereceria o Oscar ("Os pedalinhos"), os pedalinhos foram adquiridas por Dona Marisa, que também adquiriu uma canoa de alumínio. Lula e Dona Marisa não são donos do sítio, propriedades de amigos que ofereceram ao ex-presidente e dona Marisa um local e descanso que pudessem frequentar. Não faz sentido guardar pedalinhos ou canoas de alumínio em um apartamento em São Bernardo do Campo.
Aproveito para registrar que o Globo não registrou a minha pergunta sobre a propriedade de Paraty no outro lado da minha resposta anterior.
Atenciosamente,