E lá se foram 30 anos de filiação ao PT. O cirurgião-dentista Ricardo Valença já entregou o seu pedido de desfiliação no Diretório Estadual e na Justiça Eleitoral. Não há arrependimento pela forma como se dedicou e lutou pelo ideal de ver e viver num País melhor e mais justo.
A militância na política começou bem cedo. Estudante em Recife, foi vice-presidente do Diretório Acadêmico. Depois, como servidor público federal, foi trabalhar em Delmiro Gouveia. Por lá, fundou o PT e foi candidato a Prefeito em 1988 enfrentado os chefes políticos.
Também plantou sementes ajudando a construir a sigla em vários municípios do Agreste e do Sertão, casos de Palmeira dos Índios, Água Branca, Olho D’água das Flores, entre tantos outros. Presidiu, ainda, o partido entre 2007 e 2009.
Bom, caro leitor, você deve estar perguntando o motivo e eu aqui demorando a responder, certo? Pois bem. O motivo é “Decepção”, nunca arrependimento pela militância e amor a uma causa seguida por milhares de jovens idealistas que viveram os anos de chumbo da ditadura militar e sonhavam que podiam mudar o mundo.
E a decepção é com os rumos da política interna do PT, com as denúncias de corrupção e suspeição sobre lideranças importantes. Ricardo Valença conviveu com José Dirceu, Lula, aqui os recebeu e os acompanhou em viagens pela região divulgando e defendendo as propostas que falavam em transformação.
E o discurso era sobre moralidade e transparência na política, era sobre mudanças. No entanto, hoje uma geração inteira está decepcionada por conta das denúncias de corrupção, entrega da máquina pública nas mãos de pessoas duvidosas onde o que vale é o acordo político.
De fato, a frustração dos primeiros militantes causa o afastamento deles, perde-se gente que pensa, diminui a força popular do PT. Ricardo duvida que o PT consiga superar tão cedo o descrédito popular, a rejeição.
Sai de cena sem se arrepender de nada que fez, defendeu e acreditou.
Sai de cena com as mãos limpas e a consciência do dever cumprido.