O vereador Silvânio (PSD) Barbosa é mesmo o exemplo da baixa qualificação dos representantes que elegemos. Decide agora mobilizar sua equipe e populares para protestar contra a implantação dos pardais eletrônicos. Ele considera que a Prefeitura de Maceió quer arrecadar apenas dinheiro.
Tivesse um pouco mais de conhecimento, saberia o quanto é importante a organização do trânsito com educação e, necessariamente, com punição exemplar, multa. Se preocupado estivesse, deveria o vereador organizar um debate e trazer especialistas em segurança do trânsito para debater a questão.
Mas não é nada disso. A estratégia dele é atingir o governo municipal. Circula no meio político que há um acordo com o ex-prefeito Cícero Almeida (PSD) – que deverá ser candidato a prefeito - e Silvânio Barbosa agiria como um “cão de guarda para criticar o governo, morder e botar pra arrombar”.
Ontem (23), Silvânio Barbosa entregou ao presidente da Câmara de Vereadores, Kelmann Vieira (PMDB), um ofício assinado pelo presidente Municipal do PSD na capital, Cícero Almeida, informando que Barbosa é o líder da sigla. Assim, ele deixou o PSB, partido pelo qual foi eleito.
É por isso, além da falta de conteúdo e qualificação pra fazer política de alto nível por parte dos nossos representantes, em todos os níveis, que o STF rasga a Constituição (“Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”) ao determinar que os julgados em 2ª instância, ou seja, antes do trânsito em julgado, podem ser presos, e nenhum dos representantes do povo reage.
Mas como, não é mesmo, se os presidentes das duas Casas do Congresso Nacional, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respondem a processos, são investigados, assim como uma montanha de deputados e senadores do PMDB, PT, PSDB, gente do Executivo, marqueteiro de campanhas eleitorais, entre outros, incluindo Estados e Municípios?
Ninguém reage. E assim, seguimos para o momento em que está sendo implantada a ditadura do Judiciário. E alguns casos, atendendo ao desejo de justiçamento por parte da sociedade, já foram levados adiante.
O Ministério Publico Federal (MPF) pediu ontem (23) a prisão do ex-senador Luiz Estevão, condenado a 31 anos de prisão pelo desvio, na década de 1990, de R$ 169 milhões de recursos na execução da obra da sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em São Paulo.
Desde 2006, quando a sentença foi proferida, Estevão apresentou 34 recursos contra a condenação. Todos foram rejeitados pela Justiça.
Como é um político, sentimos satisfação. O problema é que na constituição o que está escrito claramente não pode ser alterado para satisfazer a quem quer seja.
Mas quem, qual partido ou qual entidade, tem tamanho moral e representatividade política hoje no Brasil para reagir?