Se em ano em que não há eleição já é assim, imagine agora, 2016, quando iremos eleger prefeitos e vereadores. Ou seja, o governador Renan Filho terá que abrir a carteira – digo -, os cofres públicos e conceder o que é pedido, ou parte, de aumento para os poderes, especialmente no caso da Assembleia Legislativa.
No Legislativo, no Judiciário e no Tribunal de Contas ninguém acredita no lema governamental de “fazer mais com menos”, referindo-se à queda da receita e a necessidade de enxugar despesas para continuar investindo. É uma frase pra vender uma ideia para o público via discurso nos meios de comunicação, apenas isso.
O TJ e o TC já anunciam que para funcionar precisam de um aumento no duodécimo acima do proposto pelo governo Renan, que foi de 3,4%. E os argumentos técnicos usados pelos dois órgãos são irrebatíveis, do ponto de vista técnico e político: “Não cobre os gastos do poder”, disse o presidente do TJ, Washington Luiz.
Já Otávio Lessa, presidente do TC, tem como carta na manga a inflação de 2015, que ficou acima de 10%, e a reposição que será cobrada pelos servidores. Portanto, em ambos os casos fica claro que ou há um aumento na proposta de Renan Filho ou o TC e o TJ podem ser inviabilizados.
Já quanto aos deputados... Bom, esse caso já é um bocado diferente. A sobrevivência política dos nossos representantes está em jogo e eles precisam de “estrutura” para enfrentar as agruras das eleições dos seus aliados. Nada de preocupação administrativa e financeira com servidores, repasses de empréstimo consignado, plano de saúde de servidores, enfim não é nada disso.
A preocupação é basicamente consigo. E Renan vai ter que abrir os cofres. Talvez já esteja preparado. Aliás, acredito que esteja sim. Apenas faz o jogo da dificuldade extrema para negociar valores menores.
Afinal de contas, política é assim. E o nosso Legislativo só funciona – para eles, deputados, e entre eles, apenas – com aumento anual de duodécimo, naturalmente, que são sempre somados e alimentados por alguns aditivos – dinheiro novo – sempre com a justificativa de que o valor definindo no orçamento anual foi insuficiente.
É sempre assim.
Uma pena.