Embora estejamos no finalzinho de 2015, o que parece mesmo é que 2014 é o ano que não terminou. Especialmente do ponto de vista político. Os partidos e os indivíduos que se enfrentaram na eleição presidencial do ano passado permanecem no ringue.
E para piorar é daquele ano que vem reeleito Eduardo Cunha e conquista, contra os candidatos do PT e do PSDB, a presidência da Câmara. Apesar de estar com sua carcaça apodrecida e pronta para ser digerida pelos vermes e urubus que o rodeiam, ainda é capaz de um rosário de maldades. E até fevereiro estará no poder, a não ser que uma enorme surpresa ocorra.
2016 terá muito, ainda, de 2014 e 2015. Mas também pode ser o ano da virada, da retomada. É que, apesar de tudo, há fatos positivos. O Ministério Público Federal e a Polícia federal puderam trabalhar sem ingerência, sem interferência, o que seria possível.
Bastava trocar delegados, segurar informações, reduzir a capacidade investigativa, no caso da PF. Já no MPF basta nomear como procurador-chefe um engavetador, o que já ocorreu no governo FHC.
O fato é que passamos por um intenso momento de transformação. Apesar de muita gente ser capaz de pequenos crimes, é voz geral a ojeriza à corrupção. E tudo o que foi descoberto no atual modelo de presidencialismo de coalizão - no qual o governo só governa se der cargo aos parlamentares -, ficou claro a forma como é feito o financiamento de partidos e campanhas.
Mas 2016 trará, tudo indica, a CPMF de volta, algo também desejado por governadores e prefeitos. Assim como uma proposta tornada pública pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão.
Ele defende mudanças na cobrança no Imposto de Renda com uma nova tabela que teria uma alíquota de 40% para os que ganham mais de R$ 100 mil por mês e isenção para salários até R$ 3.800. O ganho para os cofres públicos seria de R$ 80 bilhões.
Duvido que essa proposta seja aprovada. Afinal de contas, a maior parte dos parlamentares é formada por empresários e ninguém iria taxar a si, a não ser que a pressão venha das ruas. Mas vai dar uma baita discussão.