E lá eu estava para testemunhar a chuva de granizo em Mata Grande, na última sexta-feira (26). Ao contrário do que muita gente pensa, o fenômeno já ocorreu várias vezes, embora não seja algo rotineiro, anual.

Desse tipo de chuva eu me lembro de sua ocorrência por várias outras vezes. Mas o mais importante é que tem chovido no Sertão nos últimos quinze dias. E ao invés de susto, a chuva de granizo causou foi alegria.

Embora venha chovendo forte, o pasto continua seco e o gado está magro. Alguns poços e açudes guardaram alguma água. Mas é só o sol apertar que logo evapora. Os caminhões-pipa continuam retirando água do Canal do Sertão e distribuindo para consumo humano e animal.

A indústria da seca continua forte e firme. Quem é dono de caminhão tem ganhado um bom dinheiro numa região em que emprego é algo raro. Não fossem os programas sociais, morreriam vítimas da estiagem e da fome não só os animais cujos ossos podem ser vistos nas propriedades, mas também homens e mulheres, meninos e meninas, os doentes e velhos miseráveis.

Imaginem o inferno que estaria ocorrendo na região se esses programas inexistissem. É que além da estiagem e falta de emprego, a epidemia causada pelo Zika vírus tem assustado a muita gente. Coisas do Sertão, gente acostumada a sobreviver a tudo e segue tocando a vida.

E como é preciso seguir em frente, 2015 já era e 2016 tem eleição. Três pré-candidatos circulam entre os eleitores com o objetivo de consolidar os seus nomes. O ex-vereador Jean Gomes, o atual vice-prefeito, Erivaldo Mandu, e Luiz Pedro, filho do ex-deputado Celso Luiz, deram a largada.

Claro, ainda faltam alguns meses para o início efetivo do pleito, mas as conversas, entendimentos, reuniões na casa de lideranças políticas, favores sendo feitos, tudo isso já ocorre a pleno vapor.

Ou seja, com seca, com Zika, com chuva de granizo, com carros-pipa, a eleição para prefeito e vereador já começou. 

E vira uma festa que movimenta tudo, até a economia, mesmo que apenas por alguns meses, e muda a vida de muita gente, para melhor ou para pior.