Imagine PMDB e PSDB aliados e lançando juntos uma candidatura em Maceió. O prefeito Rui Palmeira (PSDB) como candidato à reeleição e Renan pai e filho indicando o presidente da Câmara de Vereadores de Maceió, Kelmann Vieira (PMDB), como vice.
Como em política nada é por acaso, por acaso não foi o fato de Rui deixar o cargo – embora obrigado para tratar de questões particulares - e articular com o seu vice para que o posto fosse ocupado pelo vereador peemedebista.
O prefeito sabe qual é o desejo não só de Kelmann, mas da maioria dos vereadores. Eles querem e trabalham para que o vice de Rui seja um vereador, de preferência o presidente. E o motivo é básico, simples, mas fundamental para a sobrevivência nessa atividade.
Uniriam o governo de Alagoas e a Prefeitura. Imagine só o tamanho e a força de uma estrutura desse porte nas eleições de 2016? Imaginou? Pois bem, quase imbatível. Porém, política tem um tempo próprio, sinais específicos e necessidade de atender tantos interesses.
Exatamente por isso os Calheiros não se apressam. Ao longo do tempo desenvolveram um faro específico de análise da realidade, uma frieza e calma de quem consegue entender as intenções e jogadas de aliados e opositores.
Por isso sobrevivem em tantas guerras que enfrentam no campo político e jurídico. Quando mais fracos, submergem e silenciam. Em seguida emergem mais fortes, dão as cartas, controlam o jogo sem jamais destruir por completo e de imediato o adversário.
Como no caso agora do senador Renan Calheiros e a operação Lava Jato e as disputas dentro do PMDB contra Eduardo Cunha e Michel Temer. É o presidente do Senado o sustentáculo contra o impeachment da presidente Dilma. Dessa forma ele controla o jogo do poder.
É a partir desse dom para a política que os Calheiros avaliam as eleições de 2016. E há várias perguntas – ainda sem respostas, mas que vão ficar claras bem depois do carnaval. Interessa ao PMDB uma aliança com Rui?
Bom, caso Rui seja reeleito com o apoio do PMDB o que o impediria de ser candidato a governador ou senador em seguida? Nada. E em qualquer um dos cargos enfrentaria o pai ou o filho, portanto, pode ser um adversário em potencial.
E como Rui é filiado ao PSDB, em 2018 o partido vai ter candidato à Presidência com amplas possibilidades de vitória. E mais uma vez ele será instado, empurrado pelos tucanos que precisam de candidaturas viáveis no Nordeste, especialmente.
Ou seja, interessa ao PMDB alagoano fortalecer um possível adversário? E, não será mais interessante para a sigla ter uma candidatura de oposição que não responda a processos por improbidade, jovem, conhecido, mais ou menos ao estilo Rui Palmeira?
Esses nós só serão desatados no ano que vem.