Enquanto a presidente Dilma Rousseff (PT) teria afirmado a interlocutores que espera “integral confiança” do vice-presidente Michel Temer (PMDB), este teria dito que “ela nunca confiou em mim”.
Aos mesmos interlocutores, Temer declarou que lava as mãos, ou seja, sobre o processo de impeachment não vai trabalhar pela derrubada da presidente nem vai ajudá-la. Ora, caro leitor, o fato de ficar neutro significa que ele quer que o presente deste final de ano caia, claramente, em seu colo.
O senador José Serra (PSDB) já defende um governo comandado pelo vice, após o afastamento da titular. À Folha ele disse que "Creio que se o destino exigir dele a tarefa de presidir o Brasil, ele estará à altura. Vai dar tudo de si. Vou fazer o possível para ajudar”.
Por essa declaração fica claro que ambos já conversaram sobre o tema. Comenta-se, inclusive, que Serra assumiria o Ministério da Fazenda e Temer teria se comprometido a não disputar a Presidência em 2018.
Mas tem havido fortes reações contra a estratégia de impeachment aceita pelo presidente da Câmara, o peemedebista Eduardo Cunha. É o caso do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), composto pelas igrejas Evangélica de Confissão Luterana, Episcopal Anglicana do Brasil, Metodista e Católica.
Levantamento realizado pela “Folha”, entre os 27 governadores, apenas Pedro Taques (PSDB), do Mato Grosso é favorável ao afastamento de Dilma. Os de Roraima e Rondônia não responderam. E pelo menos 15 são contrários à abertura do processo.
Agora, se o governo for incapaz - não do ponto de vista jurídico, mas sim político – de conseguir 171 votos para barrar o pedido de impeachment no plenário, melhor o PT sair de fininho da Presidência porque não terá base política para ser e se manter governo.
Para encerrar, a frase do humorista Gregório Duvivier: “Um impeachment orquestrado por Eduardo Cunha que beneficia Michel Temer é como um pênalti marcado pelo Eurico Miranda a favor do Vasco. Se não é certo, certamente não é justo, e menos ainda sensato. Se o pecado de Dilma foi ser conivente com roubo, qual é o sentido de trocá-la pelo ladrão? O país hoje é um avião governado por uma pilota obtusa e despreparada, mas vale lembrar que o co-piloto é da Al Qaeda”.