Decidiu que quanto mais confusão, melhor. O barulho feito desvia o foco e pode lhe dar alguma sobrevida. Depois das chantagens feitas nestes doze meses pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), agora está tudo às claras: é lobo conta lobo, é Cunha contra Dilma, é o fim das chantagens, pelo menos.

Mas ninguém pense que a decisão de Cunha de aceitar o pedido de impeachment foi uma decisão isolada. É claro que ele tratou do assunto com a cúpula do PMDB e do PSDB.

Os senadores Aécio Neves e José Serra, ambos do PSDB, já defendem um governo de união nacional capaz, e pregam o nome de Michel Temer, vice de Dilma e também presidente do PMDB. Ou seja, por trás de Cunha sempre esteve o PSDB e parte do PMDB.

E como ficam os 54 milhões de eleitores que votaram em Dilma? Devem ficar tranquilos, porém atentos. É que no momento o País não tem lideranças políticas com talento político e lucidez política para saber o que é preciso ser feito para encontrar uma saída.

Impeachment é algo traumático e não há como ninguém estar certo sobre quais serão os seus resultados, os seus desdobramentos. O certo é que a ruptura democrática não será aceita. E aí abre-se espaço para o imponderável, o imprevisível.

Também existe uma disputa pelo poder e pela sobrevivência do atual modelo que alimenta a prática política: o financiamento privado de campanhas eleitorais e os negócios feitos entre parlamentares e empresários que gravitam em torno do poder.

E foi isso que sempre construiu e alicerçou o capital político da grande maioria dos nossos representantes.

Uma banda maior do Congresso, por conta da Lava Jato, está sem alimento há muito tempo. Muito está em jogo. E muitas mudanças estão ocorrendo, de um jeito ou de outro.

Simples assim.