Após a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT) e do banqueiro André
Esteves a crise está de volta. E agora tão forte quanto era até meados da metade deste ano. É uma crise continuada e de efeito bombástico. Empresários, políticos e ex-políticos atrás das grades, e muitos outros em vias de acabarem na mesma situação.

Neste domingo (29) o presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), jantou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O sonho golpista dos tucanos foi reaceso após os últimos acontecimentos.

E sonham que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abra um dos vários pedidos de impeachment contra Dilma. E isso pode ser decidido até sexta feira (4). A decisão de Cunha está condicionada ao apoio do PT no conselho de Ética contra pedido de cassação do presidente da Câmara.

Esse é o jogo, essa é a disputa pelo poder. E mais uma vez poderemos ter a intervenção do Judiciário. Aliás, já há quem diga que assim temos sido governados, por pura falta de liderança política capaz de atuar em defesa da estabilidade política e econômica.

Mas é só olharmos para o passado para percebermos que de lá vem o exemplo do que pode ocorrer. Claro que a história nunca se repete. Porém, são muitos os exemplos similares. É o que nos revela o experiente jornalista Carlos Chagas em texto publicado no endereço http://www.diariodopoder.com.br/artigo.php?i=33527232716.

Leia abaixo um trecho revelador:

“Nos idos de 1945, com o  Estado Novo nos estertores, uma esperança de recuperação ganhou a opinião pública: “todo o poder ao Judiciário!” Assim aconteceu, pois não havia Congresso, nem partidos políticos, e os militares reconheciam sua  culpa na prática da ditadura agonizante.  Convocou-se o presidente do Supremo Tribunal Federal, como nos Estados assumiram os presidentes dos Tribunais de Justiça. 

Vieram as eleições e, tanto quanto a volta da democracia, estabeleceu-se um regime de honestidade. O tempo passou, chegamos a viver outra ditadura militar que,  uma  vez superada, ensejou a realidade atual: de novo, a corrupção, só que agora atingindo níveis jamais registrados e desvirtuando  a democracia. O poder caiu nas mãos dos que prometiam justiça social, uns  mergulhados na  tentação de aproveitar as benesses permitidas às elites, outros impotentes para conter a  desagregação de sua próprias estruturas,

O resultado aí  está:  um governo que não governa, um partido dos trabalhadores que nem é partido, muito menos dos trabalhadores, as instituições em frangalhos e apenas um  fio de esperança: todo o poder ao Judiciário!”