Professor de direito da USP e do Mackenzie, Cláudio Lembo, que também foi governador de São Paulo, é uma das vozes a se levantar contra o impeachment, golpe ou afastamento – como queiram chamar, da presidente Dilma Rousseff defendido pelos partidos de oposição e até pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ao afirmar que a honra da presidente está preservada porque não enriqueceu – algo que a lei exige como crime de responsabilidade - bate forte no ex-presidente FHC, que tem defendido que a presidente renuncie: "Um ex-presidente não devia falar isso. Eu também acho que ele poderia ter renunciado quando comprou a reeleição".
Cláudio Lembo também avalia que o afastamento de presidentes está se tornando uma “nova patologia” na política em nosso continente. Para ele, os golpes militares do passado, do mundo dividido na época de URSS e dos EUA, na guerra fria, estão sendo trocados pelo impeachment. “A função do Congresso é fiscalizar os governos, e não derrubá-los. Isso é o mesmo que bater às portas dos quartéis".
Até mesmo o reconhecido alagoano Pontes de Miranda é citado por Lembo, que dizia que o afastamento de um presidente "só se permite, nas democracias, em caso de extrema necessidade".
E de fato, o professor Cláudio Lembo conclui afirmando que a busca pela interrupção de um mandato eletivo é um desrespeito à população. “Seja quem for o eleito. O impeachment é um instrumento violento, que causa instabilidade à economia e ao país".
E é isso, só na tentativa de impeachment, ou na defesa da renúncia feita por FHC, que observamos contaminar e dificultar ainda mais os problemas econômicos do presente.