Não é novidade pra ninguém com um mínimo de noção que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vai cair. Agora, a dúvida é se será primeiro por decisão dos seus pares ou se por solicitação do Ministério Público Federal ao Supremo Tribunal Federal, argumentando que ele usa o cargo para atrapalhar as apurações.
Mas a saída de Cunha irá criar um novo problema. O seu substituto natural, o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), responde a três processos judiciais. Até aí tudo bem, digamos assim porque tem o sagrado direito de defesa.
A questão é que ele aparece na lista de propina do doleiro Alberto Youssef. Claro, também tem direito ao contraditório. Mas na CPI da Petrobras o doleiro declarou que entregou mais de um milhão de reais ao deputado. Essa entrega teria sido feita pessoalmente.
E mais: no STF o deputado federal Waldir Maranhão é investigado em outro processo por lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
Ou seja, essa crise política vai demorar ainda mais tempo para ser superada. O problema não é apenas a quantidade de deputados citados e investigados pela Operação Lava Jato. Mas também os cargos estratégicos que eles ocupam na Câmara no ‘acordão’ que alçou Cunha a ser o segundo na linha sucessória da Presidência da República.
Bem ao contrário da última crise que obrigou, em 2005, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, a renunciar para não ser cassado acusado de receber um “mensalinho” do dono de um restaurante que funcionava na Câmara.
A crise política e de confiabilidade que afeta a economia será demorada.