Documento referencial do VI Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro ou o Que a História Não Conta: O Silêncio Plural do Racismo no Brasil.
Ocorrido em Brasília, nos dias 27 e 28 de agosto de 2015, o VI Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta” teve como tema central: “O Silêncio Plural do Racismo no Brasil”. como um projeto de formação continuada e de permanente intercâmbio, estabeleceu canais de diálogos para conversas nacionais, construindo discussões estratégicas para garantir o enfrentamento ao silêncio social e plural, do racismo no Brasil, entre os estados de São Paulo, Piauí, Brasília, Pernambuco, Goiás e Alagoas.
O auditório Antonio Carlos Magalhães Edifício do Interlegis Via N2, Anexo E, Senado Federal foi palco de programação diversificada, cujos temas incorporaram o debate sobre o silenciamento sócio-político às questões referentes à população negra brasileira.
Idealizado pelo Instituto Raízes de Áfricas, uma das representações do movimento negro alagoano, o VI Ciclo contou com apoio logístico do Governo do Estado de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, Secretaria de Estado da Comunicação, Secretaria de Estado da Educação, Secretaria de Estado do Gabinete Civil, do Governo de Brasília, através da Secretaria da Mulher, Igualdade e Direitos Humanos do Distrito Federal e Governo Federal, através do Ministério de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Senado Federal e SMTT/Maceió.
Palestrantes renomados e jovens militantes, estudantes e pesquisadoras da temática debateram temas estratégicos da contemporaneidade dentre eles: “A Construção e Desconstrução do Silêncio: Reflexões sobre o Racismo e o Anti-racismo na Sociedade Brasileira”, “O Silêncio em torno do Racismo dentro da Escola.com.br”, e ‘O Desafio de ser negro hoje no Brasil.”
O Ciclo representou uma oportunidade-por excelência- para reunir lideranças, alun@s de escola pública, Ongs, universitári@s e professor@s de Universidades, representação do movimento social e negro.
Ao enfatizar que a proposta do Ciclo é o enfrentamento do racismo estrutural e suas consequências sociais (em consonância com o Black Agost- Califórnia 1970), o Instituto Raízes de Áfricas reafirma o principio de estabelecimento de canais de comunicação entre a população e as instituições.
Ao incentivar o sentimento de pertencimento étnico e social, como também, questionar a cosmovisão dominante, o Ciclo busca aproximar vozes e afetos e quem sabe refazer a construção coletiva e a participação de sujeitos políticos em prol de uma causa comum: a igualdade de direitos constitucionais no contexto das diferenças étnico-regionais.
Durante a atividade foi feita a entrega da certificação Mojubá Aiê para cinco personalidades negras, que com sua atuação na política produz importantes contribuições para problematizar e debater o racismo na sociedade em Brasília: Rui Perpétuo Gomes, cadeirante, atua na luta em favor dos portadores de necessidades especiais, militante das causas raciais é presidente/Fundador do Movimento Afrodescente de Brasília – MADEB, membro do Conselho de Negros e Negras do Brasil e membro também do Setorial de Combate ao Racismo, Neemias Silva Damasceno , o Mc Neemias Mc, exmorador de rua. Hoje é compositor e Rapper em ascensão. Ativista da causa da Juventude Negra, ministra oficinas sobre Literatura Marginal (RAP) e palestras sobre música política, igualdade social, e racial, nas escolas do DF, Juliana Cezar Nunes- militante negra do Pretas Candangas, é hoje uma das principais jornalistas especializadas na cobertura da temática étnico racial, na Capital Federal. É quadro da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e faz parte da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal. Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo, pelo webdocumentário Nação Palmares (Agência Brasil2008), Mário Lisboa Theodoro, Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília,Mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (CME/PIMES), Doutor em economia pela Université Paris I – Sorbonne, pesquisador associado ligado ao Mestrado em Política Social da UnB desde 1999. É consultor legislativo para assuntos raciais no Senado Federal e Domingos Olímpio, referendado militante negro de longas décadas.
Mojubá Aiê, em ioruba significa eu vos apresento.
A realização do VI Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta”, em Brasília, despertou uma postura favorável e pró-ativa da plenária presente.
E, recordando que a Constituição da segunda nação mais negra do planeta é reconhecida, internacionalmente, pela valorização à cidadania e aos diretos humanos, nós, a plenária presente no encerramento no VI Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta”, manifestamos a nossa disposição ao diálogo, com a quebra do silêncio, enfatizando que o direito à igualdade é um bem de todos, e, é compromisso do Estado, deliberamos e recomendamos:
1-Pela formação de Comissão transversal, em Brasília, como mecanismo de articulação e estruturação de uma célula do projeto Ciclo Nacional de Conversas Negras, para o trato e implementação da Lei nº 10.639/03 nas Escolas de Brasília. ( Proposição: Rui- MADEB ),
2- Realização de uma edição extraordinária do VI Ciclo Nacional de Conversas Negras: Agosto Negro Ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta: O Silêncio Plural do Racismo no Brasil, no mês de setembro ,em Alagoas, para endossar a Carta de Brasília;
3- Desenvolvimento de formação em relações étnico-raciais, permanentes e continuadas, de fora para dentro da Universidade, tendo como foco olhares, vivências e experiência das periferias-periféricas;
4-Estabelecer estratégias de fortalecimento para interação e a troca de experiência entre os movimentos sociais negros, (controle social) e gestor@s públicos, responsáveis pela política das ações afirmativas, aprimorando os processos de comunicação e o fluxo de
informações.
5-Mobilizar ações de efetiva participação do movimento negro junto às Secretarias de estado-responsáveis pela política preta, visando a efetivação de legislações, legitimando assim a história, tradição, cultura e memória afro-brasileira; , dentre elas a Lei nº 10.639/03;
6- Garantir junto a parlamentares- representantes dos estados uma política cultural , visando a impressão- na Gráfica do Senado Federal -de obras literárias que contemplem e deem visibilidade social a arte de mulheres negras escritoras/militantes.
Por estas e muitas tantas razões, a plenária presente no VI Ciclo assina esta carta:
Centro Universitário IESB
Fórum da Juventude Negra do DF e Entorno,
Grupo Estruturação Homossexual de Brasília
ICESP Promove de Brasília
Central Organizadora de Matriz Africana
Movimento Negro do DF
Coletivo Memória e Cidadania
Portal Leia Brasília
Universidade Federal de Goiás
Universidade Paulista
Movimento Afrodescendente de Brasília,
Hip Hop,
Espaço 35,
ONG Casa Azul
SEPPIR/PR
Centro Universitário Estácio de Sá/Brasília
Negritude Socialista do PSB,
FOAFRO/DF
Federação de Umbanda e Candomblé
Secretaria de Educação/DF,
SEMIDH/DF,
Grupo de Mulheres Negras do Cariri,
Consultor legislativo para assuntos raciais do Senado Federal,
COJIRA-DF,
Instituto Raízes de Áfricas,
Grupo da Juventude Negra Independente de Alagoas.
Comunidade Xucuru-Pesqueira-Pernambuco
Brasília, DF, 28 de agosto de 2015.