O clima golpista parece estar instalado na oposição derrotada nas eleições do ano passado e em veículos da grande imprensa. A oposição articula nas redes sociais uma manifestação contra o governo Dilma Rousseff, em março.
O governador Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, preocupado com a atual polarização política que tenta construir a tese de impeachment, declarou que vai mobilizar os demais governadores do Nordeste para defenderem o mandato da presidente.
O momento é perigoso. Antes que tudo seja apurado, denunciado e julgado muitos interesses políticos e econômicos parecem estar alinhados em busca de um único objetivo, que é levar a Petrobras à lona e mudar a forma de exploração do petróleo descoberto em águas profundas no oceano.
Assim como o interesse político de atingir Dilma e, especialmente, o ex-presidente Lula por medo que ele seja candidato à Presidência da República em 2018 - hoje imbatível. De fato, o clima negativo está criado. Mas é preciso muita calma nessa hora. Para isso é só olharmos para a história.
Esta semana uma reportagem na Folha de São Paulo nos remeteu ao passado. O doleiro Alberto Youssef, preso por envolvimento na Operação Lava Jato, teria declarado em delação premiada um negócio feito entre a Petrobras na aquisição de postos para sua bandeira, em São Paulo.
Esse negócio teria sido feito por cerca de R$ 300 milhões, dos quais um percentual teria sido entregue ao senador Fernando Collor (PTB). Com dureza e veemência ele e o PTB repeliram. Em seguida a própria Petrobras negou que qualquer negócio tenha sido realizado no montante revelado.
O mesmo Collor é vítima, como sabemos da história ao ter sido afastado da Presidência. Em seu período de governo, a soma de problemas na economia, relação distante com os políticos e denúncias na imprensa contra o seu governo foram às causas do afastamento. Julgado das denúncias da época em vários processos pelo Supremo Tribunal Federal foi inocentado em todos.
Esse cenário político do passado parece querer retornar agora. Emoção, insatisfação política e econômica, interesses políticos e econômicos externos e internos e a grande mídia atuando seletivamente na escolha do que ser e como ser divulgado, parece o combustível ideal para o aquecimento do movimento golpista existente.
A história não se repete, não há como ser igual, mas as semelhanças do passado com o presente trazem ensinamentos. A diferença de agora é que as instituições estão mais bem solidificadas, as redes sociais quebram um pouco da hegemonia da grande imprensa e, fundamentalmente, a presença de uma liderança popular do porte do ex-presidente Lula, que ainda não conseguiram colocá-lo no centro da crise, embora tentem asfaltar esse caminho.
A história ensina que é preciso muita calma nessa hora e não condenar sem direito de defesa.
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