Depois da morte do sexto PM somente este ano, os ânimos estão exaltados entre as lideranças das associações militares. As promessas de irem pras ruas, o pedido de afastamento da cúpula da Defesa Social e os ataques ao programa Brasil Mais Seguro e as entidades que defendem os direitos humanos mostram bem como o clima está quente.
Essas lideranças acertam, em parte, nos alvos, mas erram feio na dosagem ao generalizar os supostos responsáveis pela insegurança que enfrentamos diariamente. E mais, erram feio ao não apresentarem o problema crucial da violência que faz Alagoas líder em homicídios, que é a certeza da impunidade, a falta de efetivo e de condições de trabalho para as policiais civil e militar.
Criticar o Brasil Mais Seguro dizendo que a PM executaria melhor esse trabalho é imaturo. O Programa é importante pelos investimentos disponibilizados pela União. Esse apoio é fundamental porque coloca o Governo Federal como responsável pelo enfrentamento da questão em Alagoas.
Culpar as entidades que lutam pelo respeito aos direitos humanos é mais um tiro dado no alvo errado. Tem que haver, sim, investigação e punição para os abusos cometidos por policiais. A história mostra que sem fiscalização da atuação dos policiais os abusos contra os direitos civis ocorrem em grande escala. As entidades que defendem os direitos da sociedade lutam, na verdade, para que tenhamos uma polícia eficiente, confiável, equilibrada e qualificada.
A verdadeira dificuldade enfrentada pela polícia alagoana é a falta de efetivo, condições de trabalho, remuneração e treinamento. Este deveria ser o foco das associações, ou seja, o governador Vilela e o não cumprimento das promessas de campanha para a segurança pública.
Vejo, ainda, que reclamar e responsabilizar as entidades de direitos humanos só afasta os policiais da sociedade civil organizada, o que é pouco inteligente. A não ser que as associações acreditem que devem estar acima da lei, ou a margem dela, quem sabe.