Os problemas de relacionamento com a base aliada na Câmara e no Senado ainda não esfriaram. Para acalmar os ânimos, Dilma e o PT recebem nesta segunda-feira (3), o vice-presidente Michel Temer e os presidentes das duas casas legislativas, Renan Calheiros e Henrique Alves.

Em alguns Estados, o PMDB ameaça embarcar na provável candidatura de Eduardo Campos, do PSB, mas já se sabe que esta é uma forma de pressionar para obter condições mais favoráveis de negociação.

E por falar no governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ele está atuando nos bastidores para acalmar entusiastas de Dilma Rousseff (PT) dentro do PSB. Ciro Gomes foi o primeiro a sentar com Eduardo Campos para conversar sobre a possível candidatura do partido à Presidência. O governador vai precisar, ainda, convencer os demais governadores do partido que estão totalmente alinhados ao projeto de reeleição de Dilma.

 

Leia, abaixo, dois textos retirados do site brasil247:

Por 2014, Campos age para calar rebelião interna

Depois de um longo período de exposição na grande mídia, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), começa a trabalhar por sua provável candidatura à Presidência da República pelos bastidores. E começou pelo próprio partido, onde precisa acalmar ânimos de lideranças mais interessadas hoje na reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).

Segundo reportagem da Folha, Campos jantou com o ex-ministro Ciro Gomes, no domingo passado, em Recife, quando selou um acordo de “cessar-fogo” com o correligionário. Ciro e o irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes, têm sido os maiores críticos a uma candidatura do PSB em 2014.

No encontro do último final de semana, no entanto, Ciro Gomes e Eduardo Campos fizeram um pacto para só definir no próximo ano se a legenda se arriscará ou não na sucessão presidencial. Ciro teria declarado seu apoio a Dilma novamente no jantar, mas deixou portas abertas para eventualmente rever sua posição no futuro. Eles também combinaram de dialogar com mais frequência.

Os dois teriam reclamado da dependência de Dilma em relação ao PMDB. Além disso, Campos teria pedido a Ciro que lidere no PSB debates sobre a economia e discuta alternativas para tirar o país do ciclo de baixo crescimento. O jantar ocorreu por iniciativa do pernambucano.

Além de Ciro e Cid Gomes, o PSB conta com outros entusiastas da reeleição de Dilma. Há o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional), o vice-presidente da sigla, Roberto Amaral, além dos governadores Renato Casagrande (Espírito Santo), Camilo Capibaribe (Amapá) e Wilson Martins (Piauí). No entanto, há quem diga nos bastidores que exista muito jogo de cena, com o único objetivo de ficar bem com o Planalto, por liberação de mais recursos federais para os Estados. 

 

PMDB ameaça, mas não deve romper com Dilma

Tema recorrente de dez entre dez colunas políticas da grande mídia, o esfriamento nas relações entre PT e PMDB não deve prejudicar o projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Embora existam focos de insatisfação, o PMDB está muito mais interessado em pressionar para obter mais espaços e alinhavar alianças estaduais em condições mais vantajosas do que romper efetivamente. 

Nesta sexta-feira (31), no Rio de Janeiro, onde há uma crise provocada pela possível candidatura do PT ao Governo, através do senador Lyndemberg Farias, o atual governador, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou que o apoio do partido à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) é “total e absoluto”. A declaração de Cabral foi dada durante a inauguração do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no bairro Cidade Nova, com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

“Meu apoio à presidente Dilma é total e absoluto. Nosso governo está totalmente integrado. Não há semana que eu não fale com os ministros da presidente Dilma e com a própria Dilma. O resto é especulação”, ressaltou Cabral. O bom entrosamento foi confirmado pelo colunista Jorge Bastos Moreno, que flagrou a presidente Dilma em conversa com assessores, onde ela ressaltava a parceria que mantém com o governador do Rio. "A gente age em conjunto", teria dito a presidente.

Já no Congresso, os presidentes da Câmara (Henrique Alves) e do Senado (Renan Calheiros) reclamam da falta de interlocução do Governo. Acham que as ministras Ideli Salvatti e Gleise Hoffmann não fazem o diálogo suficiente.  Na segunda-feira (3), os dois representantes do parlamento e o vice-presidente Michel Temer serão recebidos por Dilma.

De acordo com a coluna “Panorama Político”, assinada por Elimar Franco, a premissa das conversas na próxima semana será “sem vitoriosos, sem vencidos”. Para melhorar a articulação da presidente Dilma com o Congresso, será feito esforço dos dois lados, informa o colunista do “O Globo”. “O Planalto negociará com antecedência o envio de projetos polêmicos e se abrirá mais ao diálogo. A interlocução permanecerá com as ministras Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti”, afirma.

Este é o primeiro passo para o armistício entre o Planalto e o PMDB, já que há outros focos de insatisfação. Nos Estados. Na Bahia, no Mato Grosso do Sul, no Rio Grande do Sul, em Rondônia, em Pernambuco e no Paraná são grande os riscos de que a chapa nacional seja contaminada pela montagem dos palanques estaduais. Nestes locais, os diretórios regionais já falam até em dar apoio a uma provável candidatura de Eduardo Campos (PSB).

“O discurso em favor do pernambucano passou a funcionar como ferramenta de pressão contra os petistas, com um único objetivo: obter condições mais favoráveis de negociação nos Estados”, informa reportagem do Estadão deste sábado.