A população em situação de rua é heterogênea e necessita de respostas diferenciadas que contemplem a variedade de situações. O Poder Público, muitas vezes, dá respostas únicas e tradicionais, levando a sérios comprometimentos de resultados e a um impacto desmobilizador da própria população de rua.
O povo da rua, despido de dignidade e da própria humanidade, nunca foi visto como sujeito de direitos e como cidadão. A sociedade os olha com indiferença e desprezo e sente-se incomodada com a sua presença, considerada suja e feia. Uma pessoa que vive nas ruas da cidade não consegue entrar em vários espaços públicos, como shopping, lojas, teatros, cinemas e até algumas igrejas. Não consegue ser atendida com dignidade nos postos de saúde e hospitais.
A cidade tem espaços proibidos para a população de rua, joga-os nas calçadas sem nenhuma condição e cobra deles um comportamento cidadão. A cidade de Maceió não tem banheiros públicos suficientes e adequados que garantam o direito à higiene desse povo.
A sua casa é a calçada ou a praça com paredes invisíveis e sem privacidade, sua vida é invadida e controlada, tudo o que fazem é público e avaliado com moralismo, preconceito e discriminação.
Os direitos humanos da população em situação de rua, reconhecidos e implementados, são um indicador de qualidade de vida e desenvolvimento humano. Uma sociedade que não protege os mais fracos e vulneráveis não protege ninguém. Se a vida mais exposta não for respeitada, todos estão em perigo.
A violência contra a população em situação de rua mostra a face mais cruel e desumana de uma sociedade e cultura que despreza a vida. Grande perigo, além da violência, é a indiferença e a invisibilidade dos moradores de rua, que só são vistos pelo viés do incomodo que precisa ser removido.
A maioria das cidades tem uma visão higienista em relação ao povo da rua, e essa visão tem que ser substituída por uma nova maneira de olhar, que nos torne mais humanos, primeiro passo para cidadania e direito humano fundamental.