Obrigada, Elói Ferreira de Araújo, ministro que agora deixa a Secretaria Especial de Promoção das Políticas para Igualdade Racial.
Obrigada pelo discurso de estado que percebeu as possibilidades de alargar a discussão para além dos grupos organizados e trazer para a roda, pequenos parceiros, sem filiação partidária ou hierarquias geográficas.
O Projeto Raízes de Áfricas, do minúsculo e invisível estado de Alagoas, foi um deles.
Obrigada pelas situações paridas, com e para o movimento social, no estado de Zumbi, o de Palmares. Estado que mesmo tendo uma significante historicidade negra, exercita, cotidianamente, o silencio social sobre o extermínio de consciências étnicas. É o- faz- de- conta estatal higienizando a trilha de Zumbi para alargar os caminhos do imperador.
Obrigada Elói Ferreira de Araújo por ter estabelecido um repertório de alternativas possibilitando que, muito mais gente alagoana ou não, pudesse interpretar o peso do racismo como fomentador de conceitos coletivos que apartam e segregam cidadãos e cidadãs no curso da história.
Apesar da ausência de uma política de estado socio-étnica, na terra de Zumbi, no estado negro de Alagoas, caminhamos e avançamos no inesgotável enfrentamento étnico, e para tal, foi de incomensurável valor a parceria e o incentivo sistemático do então gestor da SEPPIR.
Permita-me contar uma nota alvissareira: a Lei Estadual nº 6.814/07, da qual fomos co-autora,que estadualizou a Lei Federal nº 10.639/03, finalmente deixou de ser uma letra morta. O Conselho Estadual de Educação aprovou, em 23 de novembro, resolução para aplicabilidade da Lei nº 6.814/07, nas escolas alagoanas.
E essa compreensão da africanidade como cidadania nos foi possível por conta do olhar atento do ministro Elói Ferreira de Araújo, que construiu canoas para atravessar esses e outros desérticos políticos, na terra
O estado de Alagoas é povoado por imensos e, em muitos momentos, intransponíveis desertos políticos na questão racial.
Os movimentos, a sociedade, as instituições se calam numa conivência abissal.
O estado de Alagoas está situado em uma zona morta de mobilização social.
Hoje tenho a certeza, meu querido companheiro, de que quando indicamos seu nome à Assembléia Legislativa do estado de Alagoas para outorga da Comenda do Mérito Tavares Bastos, a mais alta honraria do legislativo estadual, estávamos promovendo a socialização de quanto Elói Ferreira de Araújo assumiu as atribuições de ministro de estado, ao ir além do convencional, abarcando a luta invisível da favela negra e pobre que habita cantos e recantos do estado de Palmares.
Somos ainda uma república de vazios históricos.
Obrigada, Elói, você agora transfere o cargo de ministro, mas lembre-se, sempre, que o tenho como um amigo dileto,e amizade é um sentimento que é bem maior do que cargos transitórios.
E vá logo preparando a mala de viagem para que dia 31 de janeiro o amigo, cidadão e parceiro Elói Ferreira de Araújo possa vir a Alagoas para receber o Troféu de Honra ao Mérito Guerreiro Quilombola.
O Troféu de Honra ao Mérito Guerreiro Quilombola é uma criação da Comunidade de Remanescentes Quilombolas de Pau D’arco, Arapiraca, Alagoas e o Projeto Raízes de Áfricas e inaugura um referendo simbólico de agradecer a todos os parceiros e parceiras que ao longo da caminhada internalizaram a concepção da partilha como fonte de poder coletivo e o mais importante produziram possibilidades para que o Projeto Raízes de Áfricas pudesse materializar ações e construir novos e diferentes processos, na busca da igualdade e oportunidades de direitos para a população negra.
Até breve, meu querido Elói!
Seja bem vinda, Luiza Bairros!
Senhora Ministra de Promoção das Políticas para Igualdade Racial.
Não a conheço pessoalmente. Só de ocasiões eventuais, como em 2008, quando a cumprimentei na III Conferência Nacional Infanto–Juvenil pelo Meio Ambiente, em Lauro de Freitas/Bahia, do seu lado estava um parceiro nosso, o deputado Luiz Alberto, na época secretário de Promoção da Igualdade Racial da Bahia.
Conheci o deputado Luiz Alberto na Câmara Federal em 2005, quando buscamos parceria para redimensionar a questão étnica em Alagoas.
Na ocasião, Luiz Alberto reclamou da sua solidão no legislativo federal na defesa de projetos com a  temática negra, passados cinco anos, a solidão do deputado deve estar um pouco mais aplacada, entretanto Alagoas continua acéfala.
Alagoas, do Palmares é um estado acéfalo na questão de representações parlamentares que incorporem a luta dos povos, ainda, escravizados que, secularmente tem habitado a periferia da história alagoana. São os descendentes muito próximos de Zumbi,o do Quilombo.
O Quilombo dos Palmares!
A violência, a omissão e os indicadores contemporâneos têm seqüestrado o futuro do povo negro e quilombola em Alagoas, estado que sediou a primeira República negra do território brasileiro.
Os negros em Alagoas são os mais pobres entre os pobres do Brasil, assim aponta todos os prognósticos nacionais.
Estivemos novamente, com Luiz Alberto em 2008, quando em atendimento ao nosso convite, compôs com Armênio Bello Schmidit, diretor de Educação para a Diversidade da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, uma mesa temática intitulada “Racismo Institucional: promover a igualdade ou eliminar as diferenças?”, no I Fórum Nacional da Consciência Negra na Educação: "IKÁ KÔ DOGBÁ – Os dedos não são iguais", ocorrido nos dias 28, 29 de fevereiro e 1º de março de 2008, no Centro de Convenções de Maceió.
Na ocasião que realizamos o I Fórum ocupávamos a condição de Gerente de Educação e Diversidade Étnicorracial da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte em Alagoas.
Atualmente coordenamos o Projeto Raízes de Áfricas, que traz como objetivo fomentar a equidade a partir da implementação de políticas étnico-públicas.
Por que escrevo tudo isso?
Não se avexe, nem se aperrei, senhora ministra, isso não é carta de referendo na busca de cargos, a verdade verdadeira é que tudo rima com um acúmulo silencioso das muitas expectativas ...
Permita-me dizer que como movimento social negro do segundo, menor estado do Brasil e o maior em iniqüidades étnicas, alimentamos expectativas...
A maior delas e mais positiva é de que nessa nova caminhada política os muitos diálogos iniciados e costurados com a instituição SEPPIR tenham a solução de continuidade.
Que Exú, o guardião dos caminhos, te conduza.
Seja bem vinda, ministra!