Recebo solicitação de publicação do texto abaixo e o faço.
Primeiro por acreditar que se este país é realmente  diverso, e, é preciso que mulheres rompam com os espaços hegemonicamente masculinos.Segundo pela imensa cooperação e esforço que o governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva empreendeu para estabelecer a política de promoção da igualdade social para os que, marginalizad@s, foram sempre excluíd@s na partilha das riquezas sociais: índi@s, negr@s, mulheres, deficientes e LGBT.


A capa da edição especial Nº 616 me inspirou a refletir e rememorar. A terceira onda feminista colocou na pauta a autonomia das mulheres e a luta pelo poder, mas não ao poder patriarcal e hierárquico. A maioria mulheres oriundas de organizações de esquerda. Os coletivos feministas compostos só de mulheres se espalharam pelo mundo na década de 70. No Brasil não foi diferente. As mulheres tiveram um papel preponderante resistiram ao golpe militar e lideraram a luta pela democracia, foram as principais protagonistas em ocuparem as ruas e organizarem comitês de defesa dos presos e presas políticos\as. São 10% das desaparecidas políticas. Foram as pioneiras na defesa da Anistia Geral e Irrestrita que garantiu a volta do\as exiladas\o políticos\as, como Serra e Fernando Henrique assim como outros. O único segmento social que em plena ditadura fez manifestação pública no congresso nacional em 1983 e na Campanha das diretas já onde, nas duas ocasiões, os generais declararam estado de emergência no Distrito Federal. Esta mobilização foi tão grande que mesmo sendo minoria das deputadas na Assembléia Nacional Constituinte tinha um Lobby chamado “Lobby do Baton” que aprovou sua plataforma de igualdade de direitos entre os sexos e, inclusive de que o planejamento familiar é de privacidade do casal ou da família.
Dilma Roussef é a expressão deste tempo histórico inclusive resistiu, enfrentou e participou ativamente desta luta sem se ausentar do país em nenhum momento. É a expressão de um segmento de mulheres aguerridas, corajosas, destemidas e que se posicionam sem medo de discutir e se colocar. E mais do que defender a vida as mulheres defendem a qualidade desta vida. E para que isto se dê as mulheres não querem ser o número de 10 mortas por dia de violência doméstica e afetiva. A cada 15 segundos uma mulher ser espancada. Sermos a maioria da população e nunca ter tido uma mulher presidenta. Termos, ainda, a dupla jornada de trabalho e tripla quando somos mães. De ganharmos 70% do salário dos homens pelo mesmo serviço exercido. Sabemos que nossa caminhada é longa. Mas hoje eleger a Dilma Roussef é somarmos mais um grande passo para que um dia sejamos 50% dos poderes constituídos no Brasil. Por isto mulheres sem medo do Poder, mas não qualquer mulher. Mulher que defenda o aprimoramento da Democracia e defenda a Justiça Social. Em relação ao aborto não creio que a preocupação que está colocada é defender a vida, mas sim o medo das mulheres exercerem sua autonomia e inclusive acessarem ao poder de algumas instituições onde só os homens é que chegam ao poder e isto vem acontecendo vide a organização internacional das Catolicas pelo Direito de Decidir.
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