Raízes da África

O caluniador, figura da barbárie

Publicamos um ótimo texto reflexivo escrito pelo Juarez Guimarães.


Juarez Guimarães 15 de outubro de 2010 às 16:00h
De todas as eleições presidenciais realizadas após a redemocratização, esta é certamente aquela que a calúnia cumpre um papel mais central na definição do voto. Ela foi utilizada em um momento decisivo por Collor contra Lula, compareceu sempre todas as vezes nas quais Lula foi candidato mas agora ela mudou de intensidade e abrangência, tornou-se multiforme e onipresente.
A calúnia foi ao centro da nossa vida democrática. A senhora ao lado no ônibus me diz que recebeu a informação que Dilma desafiou Jesus Cristo em um comício realizado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. O motorista de táxi conta que um médico lhe assegurou que um outro médico, seu amigo, diagnosticou gonorréia em Dilma.
Um e-mail recebido traz documento do TSE impugnando a candidatura de Dilma por ter “ficha suja”. Um aluno me diz ter recebido carta em casa da Regional 1 da CNBB, contendo mensagem para não votar em Dilma por ser contra a vida. Um comerciante na papelaria me diz que “não vota em bandida”. Após divulgar o resultado da primeira pesquisa Sensus/CNT para o segundo turno, o sociólogo Ricardo Guedes, afirmou que “nessa eleição, principalmente no final do primeiro turno, temos um fenômeno sociológico de natureza cultural de desconstrução de imagem. O processo de difamação, até certo ponto, pegou.” Quem conhece alguém que não recebeu uma calúnia contra Dilma ?
Houve uma mudança nos meios: a internet permite o anonimato e a profusão da calúnia. A Igreja brasileira, sob a pressão de mais de duas décadas de Ratzinger, tornou-se mais conservadora na sua cúpula e mobiliza hoje uma mensagem de ultra-direita, como não se via desde 1964. A mídia empresarial brasileira, já se sabia, vinha trilhando o seu caminho de partidarização e difamação pública, no qual até o direito de resposta tornou-se um crime contra a liberdade de expressão. Mas tudo isso não havia encontrado ainda o seu ponto de fusão: agora, sim.
O que está ocorrendo aos nossos olhos não pode ser banalizado. O caluniador é uma figura da barbárie, o sinistro que mobiliza o submundo dos preconceitos, dos ódios e dos fanatismos. A calúnia traz a violência para o centro da cena pública, pronunciando a morte pública de uma pessoa, sem direito à defesa. Perante a calúnia não há diálogo, direitos ou tribunais isentos. Na dúvida, contra o “réu”: a suspeição atirada sobre ele, visa torná-lo impotente pois já, de partida, a humanidade lhe foi negada.
Mas quem é o caluniador, essa figura de mil caras e rosto nenhum? É preciso dizer alto e bom som, em público, o seu nome, antes que seja tarde: o nome do caluniador é hoje a candidatura José Serra! Friso a candidatura porque não quero exatamente negar a humanidade de quem calunia. É o que fez, com a coragem que lhe é própria, a companheira Dilma Roussef no primeiro debate do segundo turno, apontando o nome de uma caluniadora – a mulher de Serra – e chamando o próprio de o “homem das mil caras”.
Dia a dia, de forma crescente e orquestrada, a calúnia foi indo ao centro de sua campanha, de sua mensagem, de sua fala, de sua identidade proclamada, de seus aliados midiáticos, de parceiros fanáticos (TFP) ou escabrosos (nazistas de Brasília), de sua estratégia eleitoral e de seu cálculo. “Homem do bem” contra a “candidata do mal”? Homem de uma “palavra só” contra a “mulher de duas caras”? Político “ficha limpa” contra a “candidata ficha suja”? Protetor dos fetos e dos ofendidos (como mostra a imagem na TV) contra aquela que “assassina criancinhas”, como disse publicamente sua mulher? Homem público contra a “mulher das sombras”?
O que está se passando mesmo aqui e agora na jovem democracia brasileira? Que arco é este que vai da TFP a Caetano Veloso, quem , quase em uníssomo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chamou o presidente Lula de analfabeto e ignorante já no início deste ano? Afinal, que cruzada é esta e qual a sua força ?
O que está ocorrendo aqui e agora é uma aliança dirigida por um liberal conservador com o fanático religioso e com o proto-fascista. Cada uma dessas figuras – que sustentam o lugar comum da calúnia – precisa ser entendida em sua própria identidade e voz. A democracia brasileira ainda é o lugar da razão, do sentimento e da dignidade do público: por isso, defender a candidatura Dilma Roussef é hoje assumir a causa que não pode ser perdida.
Liberalismo conservador: o criador e sua criatura – Nunca como agora em que esconde ou quase não mostra a imagem de Fernando Henrique Cardoso, Serra foi tão criatura de seu mestre intelectual. É dele que vem o discurso e a narrativa que, ao mesmo tempo, dá a senha e liga toda a cruzada da direita brasileira.
A noção de que o PT e seu governo ameaçam a liberdade dos brasileiros pois instrumentalizam o Estado, fazem reviver a “República sindical”, formam gangues de corrupção e ameaçam a liberdade de expressão não deixa de ser uma evocação da vertente lacerdista da velha UDN. Mas certamente não é uma doutrina local.
A cartilha do liberal-conservador Fernando Henrique Cardoso é um autor chamado Isaiah Berlin, autor de um famoso ensaio “Dois conceitos de liberdade” e do livro “A traição da liberdade. Seis inimigos da liberdade humana”. Neste ensaio e neste livro, define-se a liberdade como “liberdade negativa”, isto é aquele espaço que não é regulado pelas leis ou pelo Estado contraposto à noção de “liberdade positiva”. Quanto menos Estado, mais liberdade; quanto mais Estado, menos liberdade. Ao confundir liberdade com autonomia, ao vincular liberdade aos ideais de justiça ou de interesse comum, republicanos, sociais-democratas, liberais cívicos e, é claro, socialistas, trairiam a própria idéia de liberdade.
É por este conceito e seus desdobramentos que Fernando Henrique mobiliza o clamor midiático contra o PT e o governo Lula. É este conceito que estrutura também o discurso de Serra, que acusa o governo Lula de ser proto-totalitário. É evidente que o conceito não é passado de forma iluminista: a mídia brasileira tornou-se uma verdadeira artista na criação das mediações de opinião, imagem e notícia que se centralizam, em última instância, neste conceito. Daí ele dialoga com o senso comum.
Seja dito em favor de Fernando Henrique Cardoso: é o lado mais sombrio de seu liberalismo que vem à tona agora, na cena agônica, quando o candidato que representa a sua herança ameaça perder pela última vez. Pois este liberalismo sempre foi de viés cosmopolita, atento em seu diálogo com os democratas norte-americanos e aos “filósofos da Terceira Via”, a certos direitos inscritos na pauta, como aqueles da liberdade sexual, do direito ao aborto legal, dos gays, dos negros, da vida cultural. Mas agora para fazer a ponte com o fanatismo religioso, ele resolveu descer aos infernos: nada sobrou de progressista na candidatura Serra, das ameaças à Bolívia à moral sexual de Ratzinger?
O liberal conservador não é o fanático religioso nem o proto-fascista, aquele que julga que a melhor maneira de dissuadir o adversário é simplesmente eliminá-lo. Mas dialoga com eles na causa comum de derrotar os “proto-totalitários” de esquerda”. Como disse bem, Jean Fabien Spitz, autor de “ O conceito de liberdade”, os ensaios de Berlin trazem o sentido e a tonalidade da época da “guerra fria”.
O fanático religioso: os frutos de Ratzinger – Se a social-democracia, o republicanismo e o socialismo são os inimigos de Berlin, a Modernidade em um sentido amplo é o inimigo central do ex-cardeal Ratzinger. O programa político- teológico que veio construindo a ferro e fogo nestas últimas três décadas é centrado na idéia que é preciso restaurar a dogmática da fé contra os efeitos dissolutivos da moral emancipadora, da racionalização científica e da secularização. Este discurso político, que se fecha no fundamentalismo religioso, como bem denunciou Leonardo Boff, é, na verdade, um discurso de poder, de recentramento do poder do Vaticano.
Neste programa, não é apenas a esquerda enquanto topografia política que é o inimigo mas principalmente o processo de emancipação das mulheres. Entre a “Eva pecadora” e a “Maria mãe de Deus” não há outra identidade possível às mulheres.
A dimensão fundamentalista desde discurso não reconhece o direito do pluralismo na política, nem mesmo na linha do “consenso sobreposto” proposto por John Rawls ( a possibilidade de convergências sobre direitos, partido de um pluralismo de fundamentos). Ou se concorda ou se é proscrito, ex-comungado ou desqualificado.
É essa idéia força, que veio ganhando terreno na hierarquia do clero brasileiro a partir das perseguições à Teologia da Libertação, que agora irrompe na política brasileira, difamando Dilma Roussef. A calúnia é conveniente ao fundamentalista religioso: nesta visão de mundo, não há luz e sombra, não há e não pode haver semi-tons: quando Serra proclamou que o “direito ao aborto no Brasil seria uma carnificina”, ele estava dando a senha para a campanha difamatória da direita católica e evangélica.
O proto-fascista e seus privilégios – Todo processo político e social de democratização e de inclusão tão amplo como o que está se vivendo no Brasil provoca reações de resistência e regressão política à sua volta. Mas este também não é um fenômeno apenas brasileiro: observa-se à volta de nós fenômenos e operações muito típicas daquelas que estão sendo promovidas pela direita republicana norte-americana contra Obama ou que percorrem quase todo o continente europeu em torno ao tema dos imigrantes.
O proto-fascista brasileira não veste camisa preta nem usa suástica no braço ( embora, é claro, ninguém duvide, redes simbolicamente ostensivas estão em ação), nem precisa ser sociologicamente configurado como “lumpen proletariado” ou “pequeno burguesia vacilante”, para lembrar as figuras de uma linguagem simplificadora. O proto-fascista brasileiro é aquele que não quer receber em sua casa comum – a democracia brasileira – estes que não que reconhecem mais o seu antigo lugar, os pobres e os negros.
Há uma violência inaudita no ato do jornal liberal “O Estado de São Paulo” em punir com a demissão Maria Rita Kehl, por escrever um artigo em prol da dignidade dos pobres. Esta violência, que está muito distante do proclamado pluralismo mesmo restrito de alguns liberais, cheira a proto-fascismo, este ato que pretende abolir as razões públicas dos pobres simplesmente negando dignidade a eles.
A força da liberdade que hoje mora no coração dos brasileiros, os braços abertos do Cristo Redentor e o que há de imaginação e magnífica pulsão de vida na cultura popular dos brasileiros são os verdadeiros antídotos contra as figuras do ódio do caluniador.Por detrás da sua máscara, o povo brasileiro há de reconhecer os centenários adversários de seus direitos.
Diante do caluniador, somos todos hoje Dilma Roussef!
 

Precisamos de uma mulher Presidenta, assim soletrado no feminino!

A presença de mulheres, negros e homossexuais concorrendo a altos cargos eletivos agride o coração da tradicional elite imperial bem educada e orientada para permanência vitalícia das castas.
Há uma determinação dogmática em cristalizar espaços e lugares construindo cercas que não permitem outra representação sociológica nos postos chaves do poder.
Mulheres, negros e homossexuais nas estruturas do poder representam a fragmentação do ideal da colonização que escraviza a sociedade com determinantes pretensões hegemônicas.
Todos homens.Todos brancos.Todos ditos católicos.Todos com a noção de uma heterossexualidade obrigatória e « natural», baseada na reprodução da espécie.
O símbolo do homem universal, cuja superioridade política e sexual é reafirmada, nacionalmente, como amostragem de força..
Segundo o senador Demóstenes Torres/DEM, as mulheres negras escravizadas “queriam” ser violentadas pelos escravocratas. Uma forma extremamente simplista, racista e sexista de resumir a miscigenação brasileira. E para corroborar com sua análise sócio-étnica cita o pernambucano Gilberto Freyre e sua, contraditória, Casa Grande e Senzala.
Ao citar o DEM, partido que dá sustentação a campanha 2010 do PSDB , trazemos para pauta discursiva da atual campanha política, tanto na esfera nacional quanto estadual, os ensaios, memórias de um diálogo da eterna Casa Grande que incita a intolerância social e naturaliza como força simbólica o referendo da submissão da mulher estabelecendo o espaço da Senzala, como o da subserviência humana.
O Brasil político toma para si a condição da mestiçagem quando lhe é conveniente ou quando se depara com as muitas gentes sobreviventes dos subsolos de invisibilidade social exigindo a partilha do latifúndio da andocracia brasileira, entretanto é o principio de corporativismo colonialista de grupo: Todos homens. Todos brancos. Todos dito católicos e todos supostamente heterossexuais que norteia os interesses desse mesmo grupo na hora de salvaguardar seus espaços cativos de poder.
Não acredito em salvador@s da pátria, entretanto creio que podemos continuar a abrir as portas da nação para inventar o senso de pertencimento.
Precisamos, sem as paixões que cegam, redimensionar a propaganda midiática e promover uma análise mais acurada dos projetos políticos que melhor dialoguem com as investidas sociais em relação ao Estado, e em torno de políticas focadas nas pessoas e em seus símbolos culturais, étnicos, existências.
Contradizendo o senador do DEM, as mulheres no escravismo foram, sim, subjugadas e violentadas sexualmente. E a selvageria perniciosa da Casa Grande cristalizou o ideal factóide da miscigenação brasileira, fruto do período colonialista, incorporando a intolerância racial na sociedade contemporânea e o ideal de dominação e hierarquia dos homens sobre os corpos femininos, como extensão de um latifúndio próprio.
Creio que na atual campanha política é hora de resgatar as especificidades do projeto político que se constrói, coletivamente. As políticas específicas para mulheres, negros, indígenas e deficientes precisam seguir seu curso de construção.
Precisamos de uma mulher Presidenta, assim soletrado no feminino!
Precisamos de uma mulher no poder como sinônimo de construção de uma sociedade plural e não-androcêntrica.
O Brasil é um país de poucos homens e para outros poucos homens.
Até quando?
Precisamos de uma mulher Presidenta!

 

Direito de Resposta do Prof. Yuri

Como esse blog foi criado e pensado como instrumento democrático de participação, estamos socializando o Direito de Resposta do Professor Yuri em relação à reprodução do texto do Blog do Odilon com o título "Democracia vai além das frases, professor".

 

Resposta ao “MARIDO” ODILON RIOS: desconstruindo falácias “úteis” e restaurando verdades “inúteis”. OU: Quando o rei mente, o que não fará o vassalo?

 

No sábado, 9 de outubro, fui surpreendido por alguns telefonemas de amigos. Eu estava numa confraternização de família, curtindo a visita de meu irmão, que recentemente foi morar em Porto Alegre. Ao chegar a casa, já no início da madrugada do domingo, tratei de checar o que me fora relatado. Vi que, neste blogue, havia vários comentários também, e exclusivamente, indagando se determinada informação procede. Há até alguns já me acusando ou coisa que o valha; estão devidamente publicados.


Do que se trata, afinal de contas?


O jornalista Odilon Rios publicou em seu blogue um texto, todo em negrito, intitulado “Democracia vai além das frases, professor”. Pronto. Eis a única parte verdadeira da história: a redação (mas não o tom) do título. De fato, a democracia vai além delas; a honestidade e o profissionalismo também.


Antes de seguir, informo que escrevi à editora do Alagoas 24 Horas, Cláudia Galvão, com cópia para Odilon Rios e Ana Cláudia Laurindo, personagens diretamente envolvidos. Fi-lo por dever de consciência, por procedimento jornalístico normal e para que este texto não parecesse criticar, obliquamente, aquele sítio de notícias, que respeito e cuja equipe estimo. O diretor do Cada Minuto, jornalista Carlos Melo, também está ciente da resposta ora elaborada. Vamos adiante.


— Fatos, avaliações e esclarecimentos:


1. Em 5 de outubro, a professora escreveu um texto; Rios publicou. Como o texto, que, além de outros pontos, versa sobre ser cristão e votar em Dilma, ganhou espaço na imprensa, decidi legitimamente discuti-lo aqui nesta página, também na imprensa. Se alguns julgam o assunto (ou a forma de tratamento dele) inútil, exercitam um direito, mas isso nem exclui a avaliação alheia nem serve para explicar ou justificar que leviandades sejam propagadas;


2. No final de madrugada do dia 7, escrevi um “branco e preto” com o texto de Ana Cláudia Laurindo, contestando-o no campo das ideias parágrafo a parágrafo, e publiquei logo no início da manhã, antes de dormir. A postagem está mais abaixo e pode ser conferida. No dia seguinte, 8, pela manhã, ela me enviou um e-mail, com arquivo em anexo. Reproduzo (apenas omito, por razões óbvias, o endereço pessoal de correio eletrônico):


de Ana Claudia Laurindo <(omitido)@hotmail.com>
para Yuri Brandão <(omitido)@gmail.com>,
Yuri Brandão <(omitido)@uol.com.br>,
Ana Claudia Laurindo <(omitido)@hotmail.com>
data 8 de outubro de 2010 08:54
assunto Direito de resposta
enviado por hotmail.com

 

ocultar detalhes 8 out
Caro Yuri, para fazer jus à democracia vamos lá, publique o direito de resposta.
Abraços, Ana Cláudia


Porque só acessei minha caixa de entrada na tarde de sábado, dia 9, ainda não havia atendido o pedido dela, vazado naquele tom de quem acha que tem direito sobre o que é alheio; ou melhor, ainda não havia nem visto! Quando vi, já estava de saída para uma confraternização de família, conforme dito anteriormente. No domingo eu publicaria o “direito” de resposta — mesmo ciente de que direito algum existe aí, pois não a ofendi jamais; dialoguei com um texto público dela, contestando-o, é diferente;


3. Que eu saiba, não existe lei alguma que nos obrigue a checar o correio eletrônico a toda hora e a tempo de satisfazer as suscetibilidades alheias. Quando a tolerância cede à ansiedade, ou se opta por fazer besteira – em alguns casos, ela é feita por mero impulso –, ou se toma maracujina para “relaxar e gozar”, como disse a petista Marta Suplicy. VERIFIQUEM QUE A ÚLTIMA POSTAGEM DESTE BLOGUE FOI ÀS 12h04 DE SEXTA-FEIRA, 8 DE OUTUBRO. DEPOIS, NADA DE NOVO; EU AINDA O ATUALIZARIA E, QUANDO VISSE O E-MAIL DA PROFESSORA ANA CLÁUDIA, NATURALMENTE DARIA A ELE A DEVIDA PUBLICIDADE, AINDA QUE COM COMENTÁRIOS MEUS À PARTE. COMO VEEM, QUASE 4 HORAS ANTES DE MINHA ÚLTIMA POSTAGEM, ELA HAVIA ME MANDADO UMA MENSAGEM ELETRÔNICA, E TALVEZ JULGUE, NÃO SEI, QUE EU DEVA INTERROMPER O PLANEJAMENTO DO BLOGUE PARA PUBLICAR, IMEDIATAMENTE, AQUILO QUE SE DIZ DIREITO, MAS JURIDICAMENTE DIREITO DE RESPOSTA NÃO PARECE SER! Seja como for, reafirmo: só vi a mensagem dela um dia depois e em circunstâncias familiares de correria;


4. Mesmo, na minha avaliação e na dos advogados que consultei, além de um juiz, não havendo “direito” naquele pedido de direito de resposta – porque não houve ofensa pessoal ou coisa que o valha; apenas debate firme de ideias e valores –, mesmo assim, eu abriria este espaço para a mestra, socióloga, cientista social, palestrante e professora Ana Cláudia Laurinho. A lógica mussita aqui ao meu ouvido, porém, que antes de publicar algo é necessário saber de sua existência. Eu publicaria, como de fato publicarei, e comentaria, como de fato comentarei, desconstruindo vários trechos descabidos e alguns em que sou acusado levianamente. O resto eu respeito, mas discordo, e direi os porquês, sem mistificação;


5. O FATO É QUE O JORNALISTA ODILON RIOS TELEFONOU, NA SEXTA-FEIRA À NOITE, AO DIRETOR DO CADA MINUTO, CARLOS MELO, PARA SE QUEIXAR DE QUE EU NEGARA OU IGNORARA AQUILO QUE ELE, ODILON, JULGA SER UM DIREITO, MAS NÃO RECORRE À JUSTIÇA PARA PROVÁ-LO. IRIA PUBLICAR NO SÁBADO PELA MANHÃ, EM SEU BLOGUE NO ALAGOAS 24 HORAS, A RESPOSTA DA PROFESSORA ANA CLÁUDIA LAURINDO. Já era tarde da noite e eu, que antes estava jantando com a turma do Cada Minuto, já havia me despedido de Carlos Melo. Só voltamos a nos falar no domingo. POR QUE ODILON RIOS FICOU TÃO PREOCUPADO EM EXERCER O JORNALISMO DA FORMA QUE CONSIDERA CORRETA? POR QUE ODILON RIOS, ACHANDO QUE EU NEGARA OU IGNORARA UM PEDIDO DA PROFESSORA ANA CLÁUDIA LAURINDO – QUANDO AINDA NEM TINHA VISTO! –, APRESSOU-SE EM ANTECIPAR UM TEXTO PARA O QUAL ESTE ANTIDEMOCRÁTICO E CHATO PROFESSOR METIDO A BESTA DEU, SEGUNDO ELE, DE OMBROS? POR QUE ELE, QUE SE TORNOU JUIZ DA PRÓPRIA CAUSA E DO MEU TEMPO, RESOLVEU CONCEDER-ME TÃO SOMENTE UM PRAZO DE 24 HORAS? Sim, porque o e-mail da professora me foi enviado na manhã do dia 8 e, na manhã seguinte, já estava no blogue dele.


A RESPOSTA É ESTA: PORQUE A PROFESSORA ANA CLÁUDIA LAURINDO É ESPOSA DO JORNALISTA ODILON RIOS, INFORMAÇÃO QUE ELE SONEGA;


6. Ele tem o direito de defender sua esposa? Não. Na verdade, tem é dever! Aplaudo-o por isso. Mas, para tanto, deveria expor honestamente ao leitor: sou parte interessada na causa. Da forma como as coisas estão lá no blogue dele (podem checar), alguém pode fazer a seguinte leitura: Odilon Rios, jornalista sério e renomado, abre espaço para a professora, enquanto o professor Yuri não considera nem a própria categoria docente, bloqueia o diálogo e impede que Ana Cláudia se manifeste. Outro leitor mais atento observaria: Odilon Rios agiu corretamente, mas, já que publicou a contestação da professora, devia ter postado também o texto do Yuri, que ela contesta. No entanto, só mesmo pouquíssimos leitores é que poderiam construir: se publicou a contestação de Ana Laurindo, mostre também o texto por ela contestado, pois o Yuri, quando do “branco e preto”, expôs as linhas por ela escritas — e revele que é marido da professora;


7. A desonestidade intelectual vai além, contudo. Escreve Odilon Rios ao abrir o post: “Este espaço publica o segundo direito de resposta negado/ignorado pelo professor Yuri Brandão, em seu blog. Trata-se do texto da professora Ana Cláudia Laurindo, em artigo publicado na semana passada aqui nestas linhas. Porque democracia é também conviver com opiniões contrárias às nossas“. Eu, que já acreditava num gradual assoreamento de rios, agora vejo que a geografia tem mesmo sua lógica. Quanto ao fragmento textual, é MENTIROSO E DESONESTO! Rios é imprudente porque não pode, com apenas 24 horas e sem ter me contactado para confirmar se recebi a mensagem ou se já a tinha visto, afirmar que neguei ou ignorei nada; flerta com o campo da desonestidade intelectual e da mentira quando – além de sonegar que atua como marido, ainda que sob verniz de jornalista imparcial – afiança que se trata de minha segunda negativa (“Este espaço publica o segundo direito de resposta…“) e faz crer que fui antidemocrático (“Porque democracia é também conviver com opiniões contrárias às nossas“). A leitura é clara: a professora teria tentado uma vez e eu teria negado ou ignorado; depois, numa segunda tentativa, como a demonstrar boa-fé de intenções, haveria me contactado e eu teria tornado a negar ou ignorar.


MAS NUNCA HOUVE NEGATIVA DE MINHA PARTE – ATÉ PORQUE NÃO FUJO DE ENFRENTAMENTOS DIALÓGICOS –, NEM RECUSA DE PUBLICAÇÃO ALGUMA! E, SE porventura recusasse (repito: SE), estaria em meu direito, já que não existe decisão judicial em sentido contrário;


8. Falando às claras com o leitor: sempre tive Odilon Rios em boa consideração; sou-lhe grato pelos diálogos que me possibilitou e pela força que me deu quando de momentos relativa e passageiramente difíceis na imprensa. MAS ISSO NÃO O TORNA INIMPUTÁVEL PERANTE MIM, NEM CONFERE A ELE O DIREITO DE COMETER TANTOS DESVIOS NA IMPRENSA, COMO VEM COMETENDO (E COMENTAREI ALGUNS EM BREVE). Fiquei pensando por que ele falou em “segundo direito de resposta”. Segundo? Qual, cara-pálida, se não neguei ou ignorei nem o primeiro? Talvez ele esteja referindo-se a um e-mail que me enviou no dia 3 de maio; saindo do papel jornalístico, assumiu posição de advogado de defesa do repórter da TV Gazeta Thiago Correia, assim como faz agora em relação à esposa — detalhe: como se eu tivesse atacado um ou outro…


Aquela já distante mensagem me foi enviada com cópia para as seguintes pessoas, aquelas a quem Odilon Rios deve, creio, alguma satisfação: José Árabes, Ana Cláudia Laurindo, Bleine Oliveira, Flávia Batista, Cláudia Galvão, Flávia Duarte, Alexandre Henrique Lino e alguém do jornal O Globo, já que a matéria dele sobre aquele escândalo religioso em Arapiraca tinha sido feita para tal periódico. Nunca respondi à longa missiva eletrônica. Alguns poucos amigos, inclusive jornalistas ligados a ele, sabem o porquê: fiquei surpreso, e depois um pouco triste, com a ofensiva de Rios, pois até então eu considerava que éramos amigos e, logo, ele não haveria de se doer tanto pelo simples fato de eu ter questionado neste blogue: por que Odilon Rios chamou um adulto, de 19 anos, de “menino” em matéria para O Globo? Não externei juízo de valor pessoal depreciativo, senão legítima indagação ou crítica profissional acerca de um dado sem amparo algum nos fatos (conferir aqui). Afinal de contas, um adulto não pode ser objeto de pedofilia, enquanto um “menino”… As mesmas pessoas ligadas a mim e a Rios também sempre souberam: um dia eu responderia, tão logo tivesse tempo e vontade. E outra: em telefonema meu para Rios, propus que nos encontrássemos e puséssemos alguns pontos nos “is”, sem ressentimentos ou tolices, mas parece que minha tentativa foi em vão (bem, isso é questão lateral ao cerne do exposto agora);


(Vocês sabem que publiquei aqui uma carta do repórter Thiago Correia e a contestei, provando com 2 vídeos e texto assinado que ele afirmou o que negara (não bastasse, em tom de desdém) e me atacou gratuitamente, só por causa de uma pergunta ou, no máximo, uma crítica. Tudo pode ser lido/avaliado aqui. Logo depois, escrevi isto. Respeito Thiago, nunca disse ou supus o inverso; quem encontrar, mostre-me, pois desconheço. Se abri espaço a um jornalista que não conheço pessoalmente e cujo texto era mais incisivo, por que não abriria a quem conheço e com quem já tive mais contato?)


9. Quando escreveu, no sábado pela manhã, 9 de outubro, “Este espaço publica o segundo direito de resposta negado/ignorado pelo professor Yuri Brandão, em seu blog“, estaria Odilon Rios, pensei eu neste final de semana, se referindo àquele e-mail de 3 de maio? É possível que ele tenha raciocinado assim, daí o “segundo“. O filósofo americano Orman Quine nos orienta a lançar mão do “princípio da caridade”: trata-se da regrinha heurística segundo a qual, no curso de uma disputa intelectual ou mesmo de um debate qualquer, devemos conceder às declarações analisadas, principalmente às que vêm de nossos oponentes, a mais generosa interpretação possível. Isso significa que devemos considerá-las, em tese, como bem-intencionadas e, detectados leves problemas de raciocínio e impropriedades linguísticas, cabe-nos corrigi-los, livrando o diálogo de erros laterais e deixando-o mais claro e coerente. Evitamos, certamente, dessa forma, mal-entendidos ou contendas desnecessárias.

Não concordo, não no todo ao menos (e não cabe justificar agora), com esse raciocínio de um dos grandes nomes da filosofia analítica. Mas às vezes pode ser bastante útil, além de revelar boa-fé intelectual: daí eu pensar, inicialmente, que Rios possa ter raciocinado assim: fala em “segundo” porque conta com um suposto direito de resposta de 5 (cinco) meses atrás. Logo após, no entanto, meu cérebro avisou que generosidade alguma possibilita essa leitura: em primeiro lugar, porque ele nunca pediu publicação; em segundo, porque não havia comentado nada no blogue dele; e em terceiro – a desonestidade intelectual insiste em não ir embora –, porque, quando da recente defesa da esposa, ele declarou que o espaço dele publica o segundo direito de resposta por mim negado ou ignorado, mas, de cara, a impropriedade surge: ele nunca publicou aquele e-mail de maio (seria o primeiro direito de resposta?), de modo que não pode afirmar “Este espaço publica o segundo…“.


De toda sorte, notem, meus caros, que essa construção de raciocínio é minha, para tentar enxergar alguma coerência, mesmo lateral, numa possível lógica de Odilon Rios. E antecipo uma eventual contra-argumentação para que, depois, ele porventura não tente justificar (embora não creio que o faça) que realmente estava querendo referir-se à carta de maio com o emprego do sintagma “segundo direito de resposta”; se o fizer, em nada mudará a desonestidade que foi publicada no sábado pela manhã, pois deu a entender, para o leitor, que eu havia recusado por duas vezes um pedido da professora Ana Cláudia Laurindo.


Se alguém achar algum furo de lógica ou defeito de argumentação aí, por favor me envie. O pedido é sincero e sem arrogância;


10. Então, que fique claro: JAMAIS neguei ou ignorei, como asseverou açodadamente Odilon Rios, direito de resposta algum da professora (para todos nós) ou da esposa (para ele). Além disso, NUNCA existiu “segundo direito de resposta”! Eu só recebi UM pedido e, mesmo assim, quando ele resolveu adiantar-se, eu estava em tempo absolutamente hábil para responder. Na verdade, ainda estou e o farei em seguida, para desmistificar alguns pontos (inclusive com acusações pessoais) do texto de Ana Cláudia. O jornalista, ou melhor, o marido tem todo o dever de sair em defesa da esposa; matrimônio é coisa séria (assim como aborto). Inconcebível é que, nesse momento, pose de jornalista para fazê-lo (isto é: sonegue uma informação essencial) e ainda o faça com ar de isenção, valendo-se de falácias gritantes e fazendo crer que fui antidemocrático etc.


Ele diz: “Este espaço publica o segundo direito de resposta negado/ ignorado pelo professor Yuri Brandão, em seu blog. Trata-se do texto da professora Ana Cláudia Laurindo, em artigo publicado na semana passada aqui nestas linhas…” (grifo meu). Tudo muito isento e objetivo…


— Encerro (também com uma pergunta)


Odilon Rios é um jornalista atuante e bom. Em situações extremas ou de injustiça que o envolvessem, certamente eu sairia em defesa dos fatos e, portanto, nessa hipótese, em defesa dele próprio. Já o inverso… O fato é que não faço do episódio razão para lhe assacar total deslegitimidade no ofício. Bobagem. Todavia, isso não lhe confere o direito de ser juiz do tempo de ninguém, nem senhor de todas as causas. Quando eu postar o que já seria postado (e por mim comentado), ou seja, o texto da professora Ana Laurindo, haverá os tolos: “Só está publicando porque Odilon Rios denunciou e blablablá”. Pouco me importa o que ALGUNS pensam, sinceramente. O que me importa – aí sim! – é que não sejam divulgadas tricas, futricas e cavilações a meu respeito ou sobre meu profissionalismo.

Se quem o faz é alguém renomado, minha disposição só aumenta, porque “confronto” (sem armas e golpes baixos, é claro) só presta se for grande, ainda que as causas ou os meios empregados por outrem sejam miúdos. Por quê? Porque, bem como “Democracia vai além das frases”, honestidade intelectual, prudência, zelo pelo ofício e respeito ao leitor também vão — para muito além da correnteza dos rios…


Creio que a majestade do jornalista Odilon Rios seja sua própria consciência, ou inconsciência, ou subconsciência. E essa conjetura me traz Epifânio Dias, na clássica obra Sintaxe Histórica Portuguesa, ao nos oferecer um exemplo de como nossa Língua pode empregar o quando em argumentos a fortiori:


“Quando o rei mente, o que não fará o vassalo?”.


Por ora é isso. Abraço


P.S.: Estamos no Twitter: @professoryuri.

Por Yuri Brandão

 

 

Os rostos da Mestra Irinéia do Muquém.

D. Irinéia tem 63 anos de idade misturados aos tantos outros, como sobrevivente da áspera vida de quem nasceu e vive no Muquém, comunidade de remanescentes quilombolas, aos pés da Serra da Barriga.
Como tantos e muitos quilombolas é analfabeta. É alto o índice de analfabetismo nos quilombos alagoanos.
Na Serra da Barriga foi gerado o referencial da resistência negra: o Quilombo dos Palmares.
A Serra da Barriga fica localizada em União dos Palmares, na região do vale do Paraíba e Mundaú,no estado de Alagoas, região do nordeste do Brasil.
O estado de Alagoas é pólo position na questão das desigualdades sócio-étnicas. Está sempre na primeira posição em relação aos outros estados da federação e faz tempo não cede lugar para nenhum outro.
A omissão estatal em rever, com políticas estruturantes, cumulativas e compensatórias, o racismo como fato social, produz a mutilação da historicidade afro brasileira, na terra do líder negro que marcou a história da humanidade: Zumbi dos Palmares.
É gritante a subcidadania dos quilombolas em Alagoas!
D. Irinéia mora no Muquém, em União dos Palmares, no estado de Alagoas, e apesar da precariedade de políticas públicas do território, a velha senhora resiste ,e,  persistentemente usa sua multiplicidade de talentos para dar vida ao barro.
Desde 13 de maio de 2005 é considerada patrimônio imaterial, registrado no livro de Tombo nº 05, à folha 07 frente.
A geografia artística da Mestra Irinéia expressa, com a simplicidade dos sábios, a experiência da beleza cultivada como patrimônio de um povo, recheada das histórias inteiras de reinos e saberes esquecidos pelas memórias contemporâneas.
A expressão mais profunda de um povo é a captura de sua história.
E Dona Irinéia aprendeu a dar significado às cabeças de barro que produz.
Em uma observação mais acurada é percebível, em algumas de suas cabeças, a ausência de olhos abertos ou ouvidos ouvintes, entretanto o canal da respiração está bem posto nos condutos nasais alargados, como a nos lembrar que, de uma forma quase visceral os quilombolas fazem dessa história o oxigênio que os mantêm vivos.
E respiram como fenômeno natural de continuidade.
Na verdade a Mestra Irinéia é uma oleira na construção de formas para reproduzir os territórios de saberes de seu povo. E toda uma história de resistência.
Consciência negra!
Os quilombos em Alagoas, traduzem o modelo contemporâneo do racismo..

 

Dilma Roussef é a expressão deste tempo histórico

Recebo solicitação de publicação do texto abaixo e o faço.
Primeiro por acreditar que se este país é realmente  diverso, e, é preciso que mulheres rompam com os espaços hegemonicamente masculinos.Segundo pela imensa cooperação e esforço que o governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva empreendeu para estabelecer a política de promoção da igualdade social para os que, marginalizad@s, foram sempre excluíd@s na partilha das riquezas sociais: índi@s, negr@s, mulheres, deficientes e LGBT.


A capa da edição especial Nº 616 me inspirou a refletir e rememorar. A terceira onda feminista colocou na pauta a autonomia das mulheres e a luta pelo poder, mas não ao poder patriarcal e hierárquico. A maioria mulheres oriundas de organizações de esquerda. Os coletivos feministas compostos só de mulheres se espalharam pelo mundo na década de 70. No Brasil não foi diferente. As mulheres tiveram um papel preponderante resistiram ao golpe militar e lideraram a luta pela democracia, foram as principais protagonistas em ocuparem as ruas e organizarem comitês de defesa dos presos e presas políticos\as. São 10% das desaparecidas políticas. Foram as pioneiras na defesa da Anistia Geral e Irrestrita que garantiu a volta do\as exiladas\o políticos\as, como Serra e Fernando Henrique assim como outros. O único segmento social que em plena ditadura fez manifestação pública no congresso nacional em 1983 e na Campanha das diretas já onde, nas duas ocasiões, os generais declararam estado de emergência no Distrito Federal. Esta mobilização foi tão grande que mesmo sendo minoria das deputadas na Assembléia Nacional Constituinte tinha um Lobby chamado “Lobby do Baton” que aprovou sua plataforma de igualdade de direitos entre os sexos e, inclusive de que o planejamento familiar é de privacidade do casal ou da família.
Dilma Roussef é a expressão deste tempo histórico inclusive resistiu, enfrentou e participou ativamente desta luta sem se ausentar do país em nenhum momento. É a expressão de um segmento de mulheres aguerridas, corajosas, destemidas e que se posicionam sem medo de discutir e se colocar. E mais do que defender a vida as mulheres defendem a qualidade desta vida. E para que isto se dê as mulheres não querem ser o número de 10 mortas por dia de violência doméstica e afetiva. A cada 15 segundos uma mulher ser espancada. Sermos a maioria da população e nunca ter tido uma mulher presidenta. Termos, ainda, a dupla jornada de trabalho e tripla quando somos mães. De ganharmos 70% do salário dos homens pelo mesmo serviço exercido. Sabemos que nossa caminhada é longa. Mas hoje eleger a Dilma Roussef é somarmos mais um grande passo para que um dia sejamos 50% dos poderes constituídos no Brasil. Por isto mulheres sem medo do Poder, mas não qualquer mulher. Mulher que defenda o aprimoramento da Democracia e defenda a Justiça Social. Em relação ao aborto não creio que a preocupação que está colocada é defender a vida, mas sim o medo das mulheres exercerem sua autonomia e inclusive acessarem ao poder de algumas instituições onde só os homens é que chegam ao poder e isto vem acontecendo vide a organização internacional das Catolicas pelo Direito de Decidir.
terezinha_gonzaga@yahoo.com.br
 

Makutb!

Cabelos encaracolados, um brinco na orelha e a espontaneidade descompromissada com prestações de contas à sociedade. Assim era o menino que sentado a sombra de um coqueiro na orla da capital de Alagoas, cantava reggae ritmado pelos ecos do vento.
Não sei se morava na rua ou a rua, como simbologia da liberdade, habitava os sonhos do menino. O menino cantava reggae com uma expressão tão profunda e contagiante que arrancava sorrisos dos passantes alheios a vida que gira,ininterruptamente.
Os passantes, como eu, olhavam-no e sorriam. Sorriam, pois o reggae cantado, meio que desafinado, pelo menino invadia fronteiras entre o mundo da rua e as ruas do mundo das pessoas que passavam e quase por osmose travavam um diálogo cúmplice com a voz da infância que tinha como lar a vastidão das ruas.
O menino que cantava sentia-se sujeito de seu próprio destino. Era um menino, mas já tinha um destino.
Makutb!
Uma senhora que caminhava ao longo da trilha da intolerância com seu cão criado a base de ração importada, sentiu um incômodo velho sendo acordado pela alegria gratuita do menino negro que cantava reggae.
A senhora da tristeza velha temeu aquele menino negro bem no meio do seu caminho e com a arrogância própria de quem já não sabe viver os prazeres simples da vida ,atropelou a alegria da infância do menino com as asperezas dos adultos emparedados pelas intolerâncias humanas.
Inquiriu: Onde estava o pai e a mãe que o deixava solto na rua?
O menino solto na rua era uma antítese do pátrio poder da "coleira-proteção" do cachorro da senhora.
A senhora e seu cachorro passeavam na rua. O menino morava nela. Afirmou este.
O pai e mãe morreram nas calçadas noturnas. Ele interno em um abrigo fugira de uma prisão medonha para viver embaixo do céu.
A tristeza velha que embaçava a menina dos olhos da senhora inquietou-se, mais ainda com toda aquela história e perguntou ao menino: E você ainda canta?
O menino rasgou um sorriso ao meio repleto de significados ofertou-o à senhora dona de uma velha tristeza e retomou ao ritmo de sua cantiga.

 

Democracia vai além das frases, professor.

Socializo o texto da cientista social Ana Cláudia Laurindo publicado no Blog do
Odilon Rios.
Atualmente Ana Cláudia é uma cientista social referenciada pela capacidade discursiva de ir além dos saberes convencionais e acadêmicos. Contextualiza de uma forma mais abrangente e menos genérica os valiosos saberes sociais.
No dia 02 de outubro fomos palestrantes a convite da ULBRA, no Seminário de Serviço Social: Cidadania X Violência: Desafios e Soluções , ocorrido no Centro de Convenções.
A temática da minha palestra foi "Como construir uma cultura de paz sem o enfoque do racismo como apartheid social?" e Ana Cláudia discorreu sobre "Os aspectos socioeconômicos da violência e o conceito de segurança pública como processo estruturante de políticas de estado", de forma concisa e precisa arrancando aplausos entusiastas da plenária. Ana Cláudia é a mulher no poder construindo espaços. Caminha para o doutorado.Segue o texto...


Democracia vai além das frases, professor.
10h31, 09 de outubro de 2010
Este espaço publica o segundo direito de resposta negado/ ignorado pelo professor Yuri Brandão, em seu blog. Trata-se do texto da professora Ana Cláudia Laurindo, em artigo publicado na semana passada aqui nestas linhas. Porque democracia é também conviver com opiniões contrárias às nossas:
Uma análise legítima nos meandros da sociopolítica, de um comentário do professor de português Yuri Brandão
O professor que tanto gosta de analisar está sendo agora analisado, em acordo com o precedente por ele mesmo aberto.
Inicia sua análise com alto teor de parcialidade quando mistura a discussão feita com aborto; que para mim, cristã por afinidade, não por tradição, é outra discussão a ser feita no decorrer do processo político brasileiro. Pois sendo tema tão delicado, não merece ser utilizado dessa forma grosseira!
Ele diz que o título do meu texto “é problemático, pois um cristão de verdade interpreta tudo com vistas à bíblia”, revelando que conhece pouco de cristianismo, sendo o mesmo historicamente demarcado a partir da vinda de Jesus Cristo, fato este, acontecido muito depois dos fatos bíblicos. Além de revelar inclinação à ortodoxia religiosa, acreditando que só pode ser cristão quem caminhar nos trilhos dos dogmáticos da terra. Minha interpretação de Cristianismo certamente é mais liberta!
Talvez levado pela emoção ao fazer análise do texto que escrevi em resposta à veiculação de coerções utilizando terminologias religiosas, pela internet, o caro professor de português se arrogou até o direito de vincular à candidata Dilma, do Partido dos Trabalhadores, a legitimidade dos meus princípios cristãos! Quem outorgou essa autoridade ao colega?
Falo em um projeto, no qual acredito, respeito e defendo! O professor responde acusando ser ditadura! Realmente, professor, falta-lhe uma condição básica para analisar fatos na perspectiva sociopolítica que tanto deseja: conhecer História e saber interpretar. Pois como qualquer estudante brasileiro sabe, ditadura foi uma difícil experiência histórica vivenciada pelo nosso país a partir do golpe militar de 1964, uma ação da extrema direita, destruindo lares e sonhos juvenis! Quando o pior cego é aquele que não quer ver, respeito suas escolhas.
Quando Gramsci aborda o Estado, tem domínio de natureza teórica, ao qual respeito! Quando o PT chegou à presidência da república, tornou-se representação legítima do Estado brasileiro, quem está se infiltrando aí, é o senhor com suas análises sem esteio. Quanto à segunda natureza, o nome disso é ideologia, coisa que o senhor exala com profusão, sendo no seu caso, ideologia de direita.
Asseguro que meus princípios sejam religiosos, políticos ou de qualquer natureza, não precisam do seu aval para estar incólumes. O senhor se exaspera mesmo!
Com o perfil que o senhor apresenta, vejo como pouco provável que entenda sobre “valorização e promoção da diversidade”, pois para isso precisamos admitir o direito dos diferentes, nesse caso, paciência! Agora, se para o senhor, o politicamente correto é uma idiotice, como afirma no seu texto, precisa rever seus conceitos de cristão. Enquanto para o senhor as cotas raciais são ridículas, para os universitários cotistas são uma oportunidade ímpar, e eu vibro com eles!
Pois é o professor, deveria ter lido o Evangelho antes de fazer essa análise! Jesus disse no Sermão da Montanha: “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois que serão saciados.” E o senhor desdenha os feitos da justiça contra matadores e corruptos, assim, fica cada vez mais difícil entender sua lógica!
Professor, você corre o risco de perder a credibilidade quando se assume tão preconceituoso em relação aos trabalhos acadêmicos alheios! Só o seu ponto de vista teria valor? Calma, colega! Talvez fazer um novo curso universitário te fizesse bem! Vai até a academia, sente o ar do conhecimento, lá de dentro! Para de reproduzir escritos alheios e escreve os teus!
Meu amigo que raiva é essa de pobre? Acaso você é rico? Quem te doutrinou dessa forma ferrenha, não te fez bem! Marx é um teórico, valoroso é verdade, mas apenas um teórico! Nós somos os cidadãos do nosso tempo, livres para defender projetos e princípios nos quais acreditamos, você não tem o direito de colocar ninguém em cheque por isso. Agora quando você sugere que votar em Dilma é ferir os princípios sagrados, se torna risível!
Lamento o desdobramento da sua proposta de análise sociopolítica! Não fico frustrada porque já conheço seu perfil autoritário e salvaguardo meus princípios na coerência de praticar aquilo que teorizo, eu respeito pessoas, mesmo quando não concordo com suas idéias! E só falo até onde minha habilitação permite, buscando não desqualificar jamais aquilo que eu não compreendo.
Continuo cristã e votando em Dilma!
Ana Cláudia Laurindo
Mestra em Educação Brasileira e Cientista Social com licenciatura e bacharelado.
 


 

A cabeça do menino era o alvo preferencial.

O menino tem onze anos e a expressão mais profunda de confiança na humanidade.
Como todo adolescente é afoito e sempre comentava com a mãe que se um dia fosse vítima dessas cotidianas ondas de assaltos que assaltam a segurança do estado alagoano, não se deixaria dominar.
O termo vítima vem do latim victimia e victus que significa vencido, dominado
A mãe aconselhava e ficava aflita. O menino achava graça.
Ontem, quarta-feira, 07 de outubro, o menino foi dominado pelo medo. Um medo tão profundo que emparedou sua motivação de confiança.
Eram dois homens em uma carro - diz o menino- procurando informações sobre determinada rua e como respondeu que não sabia, o assalto foi anunciado.
Um menino de 11 anos foi assaltado às 17h30 da tarde, em um pacato bairro de Maceió.
Foi na rua detrás, um tranqüilo e seguro espaço das brincadeiras das crianças e adolescentes do conjunto residencial.
Dois homens chegaram e agrediram,emocionalmente, um menino de onze anos ao apontar-lhe a arma.
A cabeça do menino era o alvo preferencial.
Os dois homens chegaram em um carro e roubaram o celular do menino.
Depois mandaram-no correr e não olhar para trás e saíram riscando asfalto.
O menino correu. Chegou a casa com a fragilidade do medo apegada à narrativa trôpega.
Os dois homens não permitiram que o menino comprasse o pão recomendado pela mãe.
O menino não comprou o pão e descobriu o medo.
A mãe as idéias desarrumadas ouvindo o monólogo contundente, abraçou o filho e costurou outro medo na alma.
O menino de 11 anos desafiado pelo cano de um revólver apontado para sua cabeça, aprendeu o conceito de violência para além da linguagem simbólica.
O menino foi dormir com os efeitos colaterais da agressão: febre e a angustiante sensação de insegurança.
A mãe do menino?
A mãe do menino, agora, tem carga dobrada de medo.
E ela me pergunta, já antevendo uma resposta:
Já pensou se ele tivesse reagido? Já pensou?!
 

Neste momento precisamos nos revestir da nossa condição de militantes.

Socializo um e-mail de Misiara Oliveira ,residente em Brasília,  e parceira  na construção da luta contra a proposta do estado mínimo aquele que busca minimizar as políticas públicas que ao longo dos últimos 8 anos tem inserido de forma produtiva e participativa nos espaços sociais e de renda, a grande massa de excluídos no Brasil. Seja negros, índios, mulheres e deficientes. Segue...

Prezada Arísia,

Tomo a liberdade de lhe escrever como companheira feminista comprometida com a luta em defesa dos Direitos Humanos, pois este é o momento político que pede uma reação daquelas e daqueles que lutam contra todas as formas de discriminação e exclusão.
Neste momento precisamos nos revestir da nossa condição de militantes, pois não podemos calar frente a uma mobilização dos setores mais atrasados e conservadores, representados pelas elites deste país que jamais toleraram um operário na Presidência da República, muito menos uma mulher.
São os mesmos que tentam barrar as cotas raciais nas universidades públicas e as políticas de ação afirmativa, que não reconhecem os direitos da população LGBT, que defendem a segregação das pessoas com deficiência (defesa das APAES), que tentam barrar o reconhecimento e a titularidade de comunidades descendentes de quilombos, e que defendem a redução da maioridade penal.
São os mesmos que escondidos sob o manto de defesa da família, promovem a miséria, a humilhação e a morte dos segmentos mais vulneráveis do nosso povo.
São estes setores que quando estão à frente dos governos operam a redução do estado para minimizar as políticas públicas tão fundamentais para a efetivação da cidadania.
O debate atravessado sobre a questão do aborto sinaliza a cruzada destes setores contra todos os avanços que tivemos em relação a cidadania em nosso país, depois desta pauta, com certeza seguirão outras, como as representadas no PNDH3.
É preciso que todas as lideranças dos mais diversos movimentos sociais que mudaram a história deste país no último período e que tiveram no Governo Lula um parceiro para a efetivação de políticas públicas comprometidas com os Direitos Humanos reajam contra a candidatura de Serra e contra o que ele representa.
Sei que só a mobilização dos movimentos que garantiram a democracia com uma cidadania plural podem ser vitoriosa neste momento.
Grande Abraço,
Misiara Oliveira
 

Carta aberta a sociedade Alagoana

 

Socializando.


FÓRUM ALAGOANO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Carta aberta a sociedade Alagoana

“A educação de jovens e adultos, como direito não-dado, mas arrancado do chão, não pode mais escapar das mãos dos que por ela têm despendido a vida”(PAIVA)
O Fórum alagoano de educação de jovens e adultos reunido extraordinariamente no dia 03 de agosto de 2010, com os representantes das diversas instituições alagoanas, vem a público apresentar o seu posicionamento em relação à política de “destituição de direitos”, ora em processo na Secretaria Municipal de Educação SEMED - materializada no desenho do novo organograma, no qual o DEJA e outros setores NEDER, NUDISE, CREAMB, Departamento de ARTE e CULTURA foram abruptamente excluídos.
Compreendemos que as questões que envolvem as políticas relativas ao meio-ambiente, a Diversidade étnico-racial, Gênero e Sexualidade, assim como as políticas do livro e da leitura e da Arte e Cultura estão no patamar da responsabilidade do SISTEMA e não devem ficar restritas a REDE. O empenho para que tais políticas se efetivem devem ser pauta de trabalho e opção de uma gestão que se afirme democrática, que tenha no exercício da cidadania e na garantia dos direitos humanos a base de sua prática política e pedagógica.
Essa política de supressão dos departamentos que estão diretamente ligados aos excluídos da sociedade fere, desrespeita irresponsavelmente a legislação educacional: Constituição Federativa do Brasil – CF/88. A CF/88 que reconheceu o direito de todos à educação, ao afirmar o ensino fundamental obrigatório e gratuito como direito público subjetivo a todos os cidadãos independentemente da idade.
É importante ressaltar que os sujeitos atendidos pela Educação de Jovens e Adultos de Maceió, sobre a responsabilidade do DEJA e também do NEDER, NUDISE, CREAMB e departamento de ARTE e CULTURA são oriundos da camada economicamente menos favorecida do município. Esses sujeitos são, em grande maioria negros e pardos, vítimas da indiferença, desemprego e do descaso, socialmente estigmatizados e excluídos, muitas vezes, vítimas ou envolvidos em casos de violência. Na história educacional do Brasil por diversas vezes foram/são tratados como uma massa de alunos, sem identidade, qualificados sob diferentes nomes: repetentes, evadidos, defasados, relacionados diretamente ao chamado "fracasso escolar".
Reafirmando o direito desses sujeitos acima citados, o FAEJA enfatiza que esta re-estruturação da SEMED nos faz vivenciar um processo de retrocesso que contrapõe-se de modo contundente ao próprio Estado brasileiro enquanto indutor da idéia de educação para todos e de políticas públicas para essas áreas de educação em suas respectivas especificidades, conforme consta na Constituição de 1988 expressas no artigo 208.
Da mesma forma, demonstra uma falta de sensibilidade, seja intencional ou não, referente ao ordenamento jurídico no qual a Educação de Jovens e Adultos – EJA está amparada ao desconsiderar como modalidade da educação básica conforme determina a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional – LDBEN/96, ratificado no Parecer nº 11 de 2000 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, bem como nos referenciais da V e VI Conferências Internacionais de Educação de Adultos, dos quais o Brasil, por meio do Ministério da Educação, é signatário.

Esse processo de “destituição de direitos” está na contra mão da história de lutas da sociedade e também no que vem determinando a UNESCO, por meio da Cátedra de Educação de Jovens e Adultos e da SECAD/MEC, dos Fóruns da EJA e da CNAEJA, pelo acesso da classe trabalhadora aos direitos humanos básicos, dentre os quais a educação escolarizada, reconhecida enquanto direito humano fundamental por um dos acordos internacionais mais importantes da história da humanidade: Declaração Universal dos Direitos Humanos, além do próprio Plano Municipal de Educação, discutido com a sociedade maceioense.
Resgatando um pouco da história do DEJA/SEMED podemos afirmar que desde seu início teve como horizonte garantir a participação mais consciente dos sujeitos-alunos e professores, que a partir de suas próprias escolhas, tivessem condições de intervir na superação das relações sociais alienadas. Como pontos positivos podem ser registrados: a influência desse trabalho para os demais municípios alagoanos, constituindo-se em referencial político-pedagógico para as Secretarias Municipais de Educação; a qualificação da equipe técnica que buscou a pós-graduação tendo como objeto de estudo a própria prática, o que permitiu a releitura das ações do Departamento de Educação de Jovens e Adultos, bem como os professores que buscaram aperfeiçoamento, sobretudo por meio de cursos de pós-graduação em nível de especialização e mestrado.
As mudanças decorrentes desse processo foram eminentemente de cunho qualitativo, pois permitiu que se estabelecesse a discussão sobre aprender a conhecer. E reconhecer que o processo educacional é, sobretudo, um jogo de poder e que, é possível aos professores e alunos, reagirem e emergirem como sujeitos, na medida em que são capazes de expressarem suas próprias histórias.
Fórum Alagoano de Educação de Jovens e Adultos
FAEJA

 

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