O professor e jornalista Alexandre Fleming, da Unidade Popular (UP), comemorou a vitória de Lula no segundo turno e defendeu que a mobilização popular continue em Alagoas. Para ele, a força das ruas e das redes deve agora enfrentar os acordos políticos locais e cobrar independência dos órgãos de fiscalização.
Fleming já tinha feito esse alerta em vídeo publicado nas redes sociais no dia 14 de outubro. Nesta segunda-feira (26), Marcelo Victor (MDB), no exercício do governo do estado, indicou o conselheiro Otávio Lessa para presidir a Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (Arsal). A indicação ainda precisa ser aprovada pela Assembleia Legislativa.
A Arsal tem a missão de regular e fiscalizar os serviços públicos prestados, como água e esgoto, gás canalizado e transporte intermunicipal. Cabe a ela cobrar qualidade, acompanhar contratos, analisar tarifas e defender o usuário. Por isso precisa ser independente do governo e das empresas que fiscaliza.
Para Fleming, a indicação confirma a cadeia de fatos que revela o acordo. Primeiro veio a renúncia do vice-governador Ronaldo Lessa (PDT). Depois, a aprovação da lei, em primeira votação, que mudou a estrutura da Arsal, a forma de indicação e o tempo de mandato dos dirigentes. Agora, a escolha de Otávio Lessa para comandar a agência.
Se Lessa sair, abre uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE/AL). O TCE é o órgão que fiscaliza como o governo do estado, as prefeituras e a Assembleia gastam o dinheiro público. Ele analisa contas, pode barrar contratos irregulares, aplicar multas e mandar devolver recursos desviados. Seus conselheiros ficam no cargo até a aposentadoria.
Segundo a própria imprensa local, a expectativa é que Paulo Dantas (MDB) seja indicado para essa vaga. Fleming vê na articulação uma manobra para acomodar os interesses das oligarquias alagoanas.
"É um arranjo inaceitável que não podemos ignorar", afirma.
O professor também questiona quem já ocupa o tribunal. Ele lembra que lá estão Renata Calheiros, esposa de Renan Filho (MDB), e Otávio Lessa, irmão de Ronaldo Lessa. Cita ainda o ex-deputado estadual Bruno Toledo (MDB). Para Fleming, quando políticos e seus parentes passam a julgar as contas de aliados, a fiscalização perde a força e quem paga a conta é o povo.
Ele propõe que a mobilização continue nos bairros e nas cidades e sugere um protesto na Assembleia Legislativa no dia da votação da indicação de Lessa. A ideia é acompanhar a sessão e mostrar oposição ao que ele chama de "acordão das oligarquias".
"Não podemos aceitar isso calados!", declara.
