O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) para o quarto mandato, com 51,79% dos votos válidos. Com a apuração concluída no país, o petista derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 48,21%.
Em Alagoas, Lula conquistou 60,77% dos votos válidos. Nas 7.101 seções do estado, recebeu 1.152.621 votos, contra 744.140 de Flávio, que ficou com 39,23%. A vantagem do presidente foi de 408.481 votos.
No discurso após a vitória, o presidente prometeu mudar a forma de governar, ampliar a participação popular nas decisões e reforçar ações na saúde, educação e segurança pública. “Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país”, declarou.
Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que pretende ouvir mais a população e ampliar a comunicação direta com os brasileiros.
O petista também disse que não pretende voltar a disputar o cargo. “Agora, o Lulinha não vai querer outro mandato”, afirmou. A posse está prevista para 5 de janeiro de 2027.
Para o próximo período, as propostas combinam a continuidade de programas com novas promessas apresentadas durante a campanha. Em Alagoas, a execução de parte delas dependerá da articulação entre União, governo estadual e prefeituras, sobretudo nos serviços de saúde e educação.

SUS: mais especialistas e atenção aos idosos
A ampliação do atendimento pelo SUS ganhou espaço no pronunciamento. Lula afirmou que pretende dar continuidade às mudanças na rede pública e destacou o tratamento de câncer, com a expectativa de ampliar o acesso dos pacientes à assistência.
O programa apresentado à Justiça Eleitoral prevê a continuidade do Agora Tem Especialistas, com mais consultas, exames e cirurgias. Para reduzir a espera, propõe atendimento em um terceiro turno, mutirões, unidades móveis e parcerias com hospitais privados para receber pacientes do SUS em troca de créditos financeiros ou abatimento de dívidas.
O documento também prevê uma fila única digital, organizada conforme o risco clínico, para dar transparência ao acesso à atenção especializada. A modernização de equipamentos e a ampliação da telessaúde estão entre as medidas propostas.
No discurso, Lula citou investimentos em um hospital inteligente e em unidades de terapia intensiva com uso de tecnologia. Ao falar dos próximos quatro anos, também destacou o cuidado com a população idosa.
“No próximo mandato eu vou levar muito a sério a política de cuidado com os nossos velhinhos que estão responsáveis pela nossa existência”, prometeu.
A fala veio após o agradecimento aos eleitores idosos. Lula relatou ter visto pessoas com dificuldades de locomoção sendo levadas por familiares para votar e atribuiu a participação à importância dada à defesa da democracia.
Na saúde, o plano inclui ainda a continuidade do Mais Médicos, da Farmácia Popular e das ações para recuperar a cobertura vacinal.
Educação: apoio para permanecer na escola e na universidade
A preocupação com o acesso aos serviços públicos também apareceu nas promessas para a educação. Lula voltou a defender apoio financeiro para evitar que estudantes abandonem os estudos por necessidade de trabalhar. “Nós vamos universalizar o Pé-de-Meia para o ensino médio e vamos criar o Pé-de-Meia Universitário”, afirmou.
Apresentada durante o segundo turno, a proposta para universitários prevê bolsa de R$ 700 mensais durante dez meses do ano para estudantes de instituições públicas e bolsistas do Prouni. Inclui depósitos anuais de R$ 2.500 em uma poupança vinculada à conclusão do curso.
A iniciativa poderá alcançar estudantes alagoanos que atendam aos critérios do programa. A implementação depende da definição das regras e dos recursos necessários.
Para a educação básica, o plano estabelece a meta de alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade certa, ampliar o apoio federal à construção de creches e expandir a formação técnica. No pronunciamento, Lula também prometeu universalizar a escola em tempo integral até o ensino médio.
A execução dessas ações passa pelas redes estaduais e municipais. Em Alagoas, assim como nos demais estados, será necessário articular financiamento, estrutura e atendimento aos estudantes.
Lula associou a formação dos jovens ao desenvolvimento tecnológico do país. Defendeu mais ensino de matemática e engenharia e disse que quer uma inteligência artificial brasileira. “Eu não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana. Eu quero criar uma brasileira”, declarou.
Nesse mesmo trecho, afirmou que o Brasil deve aproveitar sua capacidade de produzir energia renovável para atrair centros de processamento e armazenamento de dados, os chamados data centers. Segundo ele, parte dessa estrutura deverá atender às informações brasileiras.

Economia, moradia e pequenos negócios
A defesa de investimentos em tecnologia faz parte da intenção anunciada de ampliar o espaço do Brasil na economia mundial. Lula afirmou que quer ver o país deixar a condição de nação em desenvolvimento e prometeu estimular o potencial criativo da população.
No programa de governo, essa proposta aparece ao lado da ampliação de investimentos em infraestrutura e indústria, da manutenção do arcabouço fiscal e da política de valorização do salário mínimo. O documento também prevê crédito para pequenos negócios e medidas de proteção aos trabalhadores de aplicativos.
Na habitação, a intenção é manter e ampliar o Minha Casa, Minha Vida, preservando o atendimento às famílias de menor renda. O plano contempla melhoria de moradias, regularização fundiária e urbanização de periferias.
Algumas medidas econômicas marcaram a reta final da campanha. Em 21 de outubro, Lula sancionou uma lei que amplia o limite de faturamento dos microempreendedores individuais e prevê perdão de débitos com a União. O teto anual passará de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A norma permite ainda contratar até dois empregados, em vez de um.
Na mesma data, encaminhou ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição para destinar parte das emendas parlamentares obrigatórias ao financiamento da gratuidade do transporte coletivo. A intenção anunciada é viabilizar tarifa zero nos fins de semana e feriados.
Segurança e negociação com o Congresso
A proposta sobre transporte, assim como outras medidas do próximo mandato, depende da aprovação dos parlamentares. A relação com o Congresso foi abordada por Lula ao responder às avaliações de que terá dificuldades diante de um Legislativo mais conservador.
“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu”, afirmou. O presidente disse que será com essa composição que trabalhará para aprovar as propostas do governo.
Entre elas estão mudanças na segurança pública. O plano prevê criar um ministério específico após a aprovação da PEC da Segurança Pública, fortalecer a integração policial e ampliar investigações para atingir as fontes de financiamento do crime organizado.
No discurso, Lula afirmou que os estados não conseguem responder sozinhos ao problema e prometeu ampliar a atuação federal para devolver tranquilidade à população. “Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão”, disse.
Apesar dos ataques ao adversário durante o pronunciamento, o petista afirmou que, encerrada a eleição, deverá governar para todos. Disse que ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas que a condução do país deve respeitar a Constituição.
Mais participação e comunicação direta
Ao tratar da forma como pretende conduzir o quarto mandato, Lula afirmou que a eleição deixou lições. Prometeu se reunir com empresários, educadores, cientistas e representantes das mulheres antes do início do novo período. “Nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões”, ressaltou.
A comunicação digital, segundo o petista, terá mais espaço no governo. o presidente disse que pretende conversar diretamente com os brasileiros para explicar o que pensa e as decisões que toma.
Além disso, também defendeu a regulação das plataformas digitais. Acusou essas empresas de interferir na disputa eleitoral e afirmou que crimes cometidos na internet precisam receber tratamento equivalente ao dos praticados fora dela.
Flávio vence em Maceió; Lula leva Arapiraca
A vitória de Lula em Alagoas ocorreu com um resultado diferente na capital. Em Maceió, Flávio Bolsonaro recebeu 52,01% dos votos válidos. Com todas as 1.661 seções totalizadas, o senador somou 271.791 votos, contra 250.761 de Lula, que ficou com 47,99%. A diferença foi de 21.030 votos.
Já em Arapiraca, o petista encerrou a apuração com 55,61%. Recebeu 73.037 votos, enquanto Flávio teve 58.292, equivalentes a 44,39%. A vantagem de Lula foi de 14.745 votos.
No país, o presidente precisou reverter a desvantagem do primeiro turno. Em 4 de outubro, recebeu 53.876.617 votos, ou 45,16% dos válidos, enquanto Flávio terminou na liderança, com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03%.
Na segunda etapa, Lula acrescentou 10.379.615 votos à votação anterior. Encerrou a apuração nacional com 64.256.232 votos, contra 59.826.041 de Flávio, uma diferença de 4.430.191 votos.
Ao agradecer pelo resultado, reconheceu a participação de Alckmin, elogiou sua lealdade e destacou a mobilização de jovens, mulheres e idosos. Antes da fala do presidente, o vice agradeceu aos eleitores e afirmou que a chapa deverá trabalhar com humildade e responsabilidade para corresponder à confiança recebida.
Transporte e prorrogação marcaram votação em AL
Em Alagoas, o domingo foi marcado por denúncias de dificuldades no deslocamento de eleitores. A Federação Brasil da Esperança acionou a Justiça Eleitoral contra Maceió, Girau do Ponciano e Igreja Nova, alegando falhas na oferta de transporte gratuito.
Após um pedido da coligação de Lula, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação da votação até as 19h, no horário de Brasília.
Posteriormente, Zanin e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, esclareceram que a medida valia apenas para as seções ainda abertas, sem reabertura das urnas já encerradas.
A decisão também afetou a divulgação da apuração. No início da noite, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas informou que a publicação dos resultados estava temporariamente suspensa por determinação da Presidência do TSE.
Foto de capa: Paulo Pinto/Agência Brasil
