Um torcedor foi condenado por injúria racial após chamar o jogador Elivan Costa Damascena, conhecido como Dinda, de “urubu” durante uma partida em São Brás, no interior de Alagoas. Marcelo Batista da Silva recebeu pena de dois anos e oito meses de reclusão e 13 dias-multa.
Segundo o Ministério Público de Alagoas (MPAL), a juíza substituiu a prisão por prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas, pelo período da pena. A sentença prevê uma hora de tarefa por dia de condenação, em local a ser definido pelo Juízo da Execução.
A denúncia foi apresentada pelo promotor Alex Almeida, da Promotoria de Justiça de Porto Real do Colégio. A injúria racial é equiparada ao crime de racismo.
Jogador pediu a paralisação da partida
O caso ocorreu em 10 de maio de 2026, no Campo de Futebol de São Brás, durante o confronto entre Miguelense e Sporting, válido pelo Campeonato Alagoano da Série B, categoria Sub-23.
Conforme a denúncia, Marcelo estava junto à grade que separa a torcida do gramado quando começou a chamar Dinda, que é negro, de “urubu”, após um lance executado pelo atleta.
O jogador comunicou as ofensas ao árbitro, pediu a interrupção da partida e acionou os policiais militares que estavam no estádio. O jogo foi paralisado, e atletas das duas equipes confirmaram a agressão verbal de cunho racista.
Profissional havia mais de dez anos, Dinda relatou ter se sentido humilhado e afirmou que nunca havia sofrido uma ofensa racial em campo.
Durante o inquérito policial, Marcelo admitiu ter chamado o jogador de “urubu”, mas alegou que só percebeu a cor do atleta depois da fala. Segundo o MPAL, ele afirmou que, naquele momento, entendeu que a expressão seria interpretada como racismo.
“O jogador sofreu ofensa racial simplesmente porque errou um lance e o torcedor achou que merecia um xingamento de extrema humilhação”, afirmou o promotor Alex Almeida.
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