O carnaval toma conta da extrema direita. Até minha querida leitora (ou leitor) que assina Juju Petista – e que ama odiar este jornalista – reapareceu nos comentários ao blog com sua incontida delicadeza. Bateu a saudade. Como dizem por aí, o ódio é mais fiel do que o amor. Aliás, a comemoração dos bolsonaristas se expressa assim, babando sangue. Calma, pessoal, é apenas uma eleição e ninguém precisa se matar por isso.
Mas vamos ao que interessa, que é analisar o resultado do primeiro turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. No resultado geral das eleições, incluindo os governos estaduais e o Congresso, foi um arrastão do campo conservador – em boa parte ultrarreacionário. Sem dúvida, o conjunto da obra deixa a campanha de Lula em situação dramática.
Do lado do Zero Um, ao contrário, a euforia toma conta geral. Olhando para os números saídos das urnas, surtiu efeito o apelo de Flávio para o chamado voto útil. Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Romeu Zema tiveram uma votação abaixo do que apontavam todas as pesquisas. Derreteram mesmo na reta final.
A lógica elementar autoriza interpretar que os votos desse quarteto foram praticamente todos para o candidato do PL. Mais uma vez, o eleitorado não quis papo com a turma da fantasiosa “terceira via”. Além disso, o antipetismo, embalado naquele ódio arrebatador, completou o serviço para garantir a vitória dos extremistas.
No discurso após a vitória, Flávio repetiu aqueles clichês sobre “a palavra mudança” e “o fim da Era do PT”. É tolice. Por aqui, o governador eleito JHC também anunciou “a liberdade” de Alagoas. Os vencedores tendem a decretar o fim do mundo para os adversários derrotados. É apenas parte do folclore típico dessas ocasiões.
Claro, a parada diante de Lula e sua turma é tremendamente complicada. A campanha no segundo turno é curta e não há tempo para novas estratégias e reviravoltas. Já o adversário, como alguém escreveu na velha imprensa, pode até “jogar parado”. Quanto menos correria para Flávio, melhor. O negócio é “segurar o placar”.
Além de tentar pescar votos entre os que ainda ficaram com os demais candidatos, o petista tem de convencer a turma da abstenção a sair de casa no dia da eleição. Foram 21% os que ignoraram as urnas, nada menos que 33 milhões de eleitores. É gente pra danar. Na maioria, segundo estudos e pesquisas, são votos que iriam para Lula.
A onda da direita é maior do que na vitória de Jair Bolsonaro em 2018. Por isso, voltando ao começo, a folia toma conta dessa parcela majoritária de brasileiros. Lula terá de provar que é mesmo, como ele disse, bom no “mata-mata”, na rodada final de votação. Foi uma comparação com o futebol. O jogo está aberto, com Flávio favorito.
