A vitória de João Henrique Caldas, o JHC, muda a correlação de forças na política alagoana. O ex-prefeito de Maceió, filiado ao PSDB, provoca uma inflexão no xadrez do poder ao derrotar o senador Renan Filho, do MDB, na disputa pelo Palácio República dos Palmares. Para isso, contribui decisivamente a vitória de Marina JHC para senadora. A ex-primeira-dama de Maceió não apenas superou o senador Renan Calheiros (pai): por pouco ela não fica em primeiro lugar, com uma diferença de 20 mil votos para Arthur Lira.

Eleito em primeiro turno, JHC sai da eleição com a imagem de estrategista que enxerga longe e sabe interpretar os ventos da política como poucos. Por que digo isso? Porque ao longo do último ano, ele fez movimentos que pareceram erráticos e contraditórios, muitas vezes criando atritos com aliados de peso, como o próprio Arthur Lira.

Ao deixar o PL – após incentivar uma migração em massa de vereadores da capital para a legenda –, o “gestor tiktoker” irritou as forças bolsonaristas que o apoiavam. Alfredo Gaspar, Cabo Bebeto e Leonardo Dias ensaiaram ataques ao desconfiarem que o então candidato se bandeava em outra direção. No fim das contas, se juntaram.

Ainda assim, a aliança esteve o tempo todo sob tensão. Na campanha, JHC não pediu voto para Flávio Bolsonaro, o candidato de sua coligação. Na verdade, o governador eleito ignorou a disputa nacional, evitando se queimar com o eleitorado lulista em Alagoas. A ver como se comportará no segundo turno da eleição para presidente.

Além de derrotar Renan Filho, JHC vê a parceira eleita senadora, e ainda conta com a máquina da prefeitura da capital, virtualmente ocupada por Rodrigo Cunha. Como parece notório, quem decide as coisas na gestão municipal continua sendo o ex-prefeito. Ou seja, a partir de janeiro, ele passa a controlar o Estado e também a prefeitura.

Ainda sobre as escolhas do então candidato, JHC acertou na forma como conduziu a busca por apoios pelo interior. O propalado domínio dos adversários sobre mais de noventa por cento dos prefeitos não o intimidou. Partiu para o contato direto com as lideranças, fechando acordos pelo Sertão e Agreste. Os resultados estão nas urnas.

Dois lances cruciais se deram com o grupo dos Malta, nos confins sertanejos, e com a ex-prefeita de Arapiraca Célia Rocha – que acabou sendo sua vice. O que a princípio parecia improvável deu certo e rendeu alianças de peso para garantir votos essenciais. O êxito nessa estratégia derrubou a crença de que os rivais controlavam tudo pelo interior.

A vitória para o governo é o auge de uma trajetória que começou em 2010 quando se elegeu deputado estadual. Em seguida se elegeu deputado federal. Em 2020 conquistou a prefeitura de Maceió, sendo reeleito com ampla vantagem em 2024. Havia tentado o cargo em 2016, mas ficou em terceiro lugar. Soube se reinventar após o fracasso.

Em janeiro de 2027, JHC inicia nova etapa nessa trajetória fulminante.