A irmã do blogueiro Adriano de Farias Firmino Silva, Rosineide Farias, afirmou em depoimento por videoconferência, nesta segunda-feira (5), que o irmão foi assassinado em decorrência de denúncias políticas que fazia contra a gestão municipal de Junqueiro.  

A oitiva integra o júri popular de Carlos Henrique Ferreira Santos, de 37 anos, acusado de ser o executor do crime, realizado no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro do Barro Duro, em Maceió. As informações foram repassadas pela assessoria do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL).

Segundo o depoimento prestado à Justiça, a testemunha declarou que a motivação do homicídio esteve atrelada às publicações promovidas pela vítima e a conflitos trabalhistas anteriores com familiares do prefeito da cidade, Leandro Silva.  

Durante a declaração, Rosineide Farias disse que a ex-prefeita Maria Rejane e o filho seriam os mandantes e que as pessoas da cidade que poderiam testemunhar têm medo porque são tidos como violentos. Ainda segundo ela, Adriano havia sido ameaçado após acionar a Justiça do Trabalho contra uma empresa da família.

A testemunha também descreveu detalhes do momento do ataque, afirmando que os disparos partiram do banco traseiro de um veículo modelo Jeep de cor preta.  

Em relato emocionado ao tribunal, a irmã do comunicador destacou o impacto emocional sofrido pelos familiares, informando que a vítima deixou duas filhas, atualmente com 9 e 11 anos, e pediu a condenação dos envolvidos.

O julgamento do réu, apontado pelas investigações como o executor dos disparos, iniciou-se com atraso devido a readequações no cronograma do tribunal, segundo a assessoria do Ministério Público de Alagoas (MPAL).  

Acompanham a sessão no plenário parentes e amigos da vítima, que compareceram ao fórum trajando camisas brancas com a foto do comunicador em ato por justiça.

O crime e as investigações

Adriano Farias, de 33 anos, foi morto a tiros no dia 18 de junho de 2024, por volta das 16h32, na rua João José Pereira, localizada no povoado Retiro, na zona rural de Junqueiro.  

De acordo com a Polícia Civil de Alagoas, a vítima dirigia um veículo Volkswagen Nivus vermelho, retornando de uma academia, quando foi emparelhada por um utilitário Jeep Compass, de onde foram efetuados os disparos. Mesmo atingido, o blogueiro percorreu cerca de 50 metros antes de colidir o automóvel.

O réu Carlos Henrique Ferreira Santos, que ocupava o cargo de inspetor contratado da Guarda Municipal de Junqueiro à época dos fatos, foi preso em 21 de agosto de 2024, no município de Teotônio Vilela, e cumpre prisão preventiva no sistema prisional da capital.  

Outros dois investigados chegaram a ser detidos durante o inquérito, mas foram impronunciados pela Justiça por falta de indícios suficientes de participação na execução.

A defesa do acusado, conduzida pelo advogado Rodrigo Aragão, sustenta a tese de negativa de autoria e álibi. A bancada defensiva alega que o réu estava no povoado Cadoz, em Limoeiro de Anadia, no momento do crime, e apresentou comprovante de transação bancária via Pix realizada em um estabelecimento comercial às 16h48.  

Contudo, a decisão judicial de pronúncia apontou divergências entre os horários alegados e dados de interceptação telefônica que indicam o deslocamento do réu por rodovia e conversas sobre apagamento de mensagens.

As apurações sobre a autoria intelectual do homicídio tramitam em processo separado no Poder Judiciário. Na ação paralela, Maria Rejane da Silva e Valdir Joaquim da Silva Neto respondem como supostos mandantes do homicídio sob a acusação de represália às denúncias políticas e disputas fundiárias na região.  

Ambos tiveram medidas cautelares flexibilizadas recente e temporariamente pela Justiça, mas seguem proibidos de se ausentar do município por mais de oito dias sem autorização judicial enquanto avançam as investigações financeiras do caso.