O deputado estadual Fernando Pereira afirmou, durante depoimento nesta segunda-feira (5), que acredita que o assassinato do blogueiro Adriano de Farias teve motivação política. O parlamentar foi ouvido por videoconferência como testemunha de acusação no julgamento de Carlos Henrique Ferreira Santos, de 37 anos, apontado como responsável pelo crime. O júri acontece no Fórum do Barro Duro, em Maceió.

Ao tribunal, Fernando Pereira contou que Adriano havia mencionado que vinha recebendo ameaças antes de ser morto. Segundo o deputado, o blogueiro chegou a dizer que pretendia contratar um segurança para acompanhá-lo.

O parlamentar também relatou a existência de vídeos que, segundo ele, registrariam uma tentativa anterior de ataque contra Adriano. Conforme a versão apresentada durante o depoimento, Carlos Henrique teria desistido de agir naquele momento ao perceber que a vítima estava acompanhada de uma criança.

Ainda de acordo com Fernando Pereira, o homicídio aconteceu três dias depois dessa suposta tentativa. O deputado afirmou também que o réu era conhecido na região pela suspeita de atuar como matador de aluguel, mas não detalhou quais outros crimes estariam relacionados a ele.

As declarações foram apresentadas durante a fase de depoimentos do júri, que deve analisar as circunstâncias da morte de Adriano de Farias e a participação do acusado no crime.

O crime e as investigações

Adriano Farias, de 33 anos, foi morto a tiros no dia 18 de junho de 2024, por volta das 16h32, na rua João José Pereira, localizada no povoado Retiro, na zona rural de Junqueiro.  

De acordo com a Polícia Civil de Alagoas, a vítima dirigia um veículo Volkswagen Nivus vermelho, retornando de uma academia, quando foi emparelhada por um utilitário Jeep Compass, de onde foram efetuados os disparos. Mesmo atingido, o blogueiro percorreu cerca de 50 metros antes de colidir o automóvel.

O réu Carlos Henrique Ferreira Santos, que ocupava o cargo de inspetor contratado da Guarda Municipal de Junqueiro à época dos fatos, foi preso em 21 de agosto de 2024, no município de Teotônio Vilela, e cumpre prisão preventiva no sistema prisional da capital.  

Outros dois investigados chegaram a ser detidos durante o inquérito, mas foram impronunciados pela Justiça por falta de indícios suficientes de participação na execução.

A defesa do acusado, conduzida pelo advogado Rodrigo Aragão, sustenta a tese de negativa de autoria e álibi. A bancada defensiva alega que o réu estava no povoado Cadoz, em Limoeiro de Anadia, no momento do crime, e apresentou comprovante de transação bancária via Pix realizada em um estabelecimento comercial às 16h48.  

Contudo, a decisão judicial de pronúncia apontou divergências entre os horários alegados e dados de interceptação telefônica que indicam o deslocamento do réu por rodovia e conversas sobre apagamento de mensagens.

As apurações sobre a autoria intelectual do homicídio tramitam em processo separado no Poder Judiciário. Na ação paralela, Maria Rejane da Silva e Valdir Joaquim da Silva Neto respondem como supostos mandantes do homicídio sob a acusação de represália às denúncias políticas e disputas fundiárias na região.  

Ambos tiveram medidas cautelares flexibilizadas recente e temporariamente pela Justiça, mas seguem proibidos de se ausentar do município por mais de oito dias sem autorização judicial enquanto avançam as investigações financeiras do caso.

 

*Fotos: MP/AL