A proposta é simples.

 

Não é adivinhar o vencedor.

 

É congelar os números de agosto e fazer uma pergunta: se a relação entre os dois candidatos permanecesse como está hoje, o que ela representaria em votos no segundo turno?

 

Depois repetiremos exatamente o mesmo exercício em setembro, outubro e novembro.

 

Assim, mais importante do que olhar pesquisas isoladamente, poderemos observar a direção do movimento.

 

A fotografia de agosto

 

Quatro pesquisas nacionais divulgadas na segunda metade de agosto — PoderData, Datafolha, BTG/Nexus e GERP — apresentam diferenças entre si, mas confirmam o cenário que todos já conhecem: Lula e Flávio Bolsonaro aparecem, com larga vantagem sobre os demais, como os dois principais nomes da disputa.

 

Nas simulações de segundo turno:

 

PoderData: Lula 45% x Flávio 44%

 

Datafolha: Lula 47% x Flávio 43%

 

BTG/Nexus: Lula 46% x Flávio 45%

 

GERP: Flávio 47% x Lula 42%

 

A média simples desses quatro levantamentos produz:

 

Lula: 45,00%

 

Flávio Bolsonaro: 44,75%

 

Diferença: 0,25 ponto percentual.

 

Agosto, portanto, não mostra um vencedor.

 

Mostra praticamente um empate.

 

Mas percentuais escondem uma dimensão importante.

 

Vamos transformá-los em pessoas.

 

Quantos brasileiros deverão realmente decidir a eleição?

 

O eleitorado brasileiro estimado para 2026 é de 158.745.463 eleitores aptos.

 

Nem todos, entretanto, irão às urnas.

 

Em 2018, a abstenção no primeiro turno foi de aproximadamente 20,3%. Em 2022, chegou a 20,9%.

 

A média é de aproximadamente 20,6%.

 

Se aplicarmos essa média ao eleitorado de 2026, teríamos aproximadamente:

 

158,75 milhões de eleitores

 

menos

 

32,70 milhões de abstenções

 

resultando em cerca de:

 

126,05 milhões de eleitores comparecendo às urnas.

 

Ainda precisamos retirar os votos brancos e nulos.

 

Em 2018, eles representaram aproximadamente 8,8%. Em 2022, apenas 4,41%.

 

A média simples é de aproximadamente 6,6%.

 

Aplicada aos 126,05 milhões de votantes, retiraria cerca de 8,3 milhões de votos.

 

Chegamos assim, neste exercício, a aproximadamente:

 

117,7 milhões de votos válidos.

 

Esse é o universo que realmente escolherá o presidente.

 

Agora precisamos colocar as pesquisas na mesma base

 

Aqui existe um cuidado importante.

 

Os percentuais apresentados pelas pesquisas não representam necessariamente apenas votos válidos.

 

Dependendo do instituto, a conta pode incluir também indecisos, brancos, nulos ou eleitores que dizem não escolher nenhum dos candidatos.

 

Por isso, seria errado pegar diretamente os 45% de Lula e os 44,75% de Flávio e aplicá-los sobre os 117,7 milhões de votos válidos que acabamos de estimar.

 

Estaríamos misturando duas bases diferentes.

 

Para evitar isso, vamos fazer uma operação muito simples.

 

Lula e Flávio somam, na média das quatro pesquisas:

 

89,75%.

 

Vamos transformar esses 89,75% em 100%.

 

Não estamos distribuindo indecisos.

 

Não estamos dizendo para onde irão brancos ou nulos.

 

Estamos apenas perguntando: entre os votos que hoje aparecem atribuídos a Lula ou Flávio, qual é a proporção de cada um?

 

O resultado é:

 

Lula: 50,14%

 

Flávio Bolsonaro: 49,86%

 

Agora, sim, podemos aplicar essa proporção sobre nossa estimativa de votos válidos.

 

Agosto transformado em votos

 

Sobre aproximadamente 117,7 milhões de votos válidos, a fotografia de agosto produziria:

 

Lula — 50,14%

≈ 59,01 milhões de votos

 

Flávio Bolsonaro — 49,86%

≈ 58,69 milhões de votos

 

Diferença aproximada:

 

328 mil votos para Lula.

 

Num universo de quase 118 milhões de votos válidos.

 

É uma distância minúscula.

 

E talvez esse seja o número mais interessante de toda a fotografia.

 

Não precisamos imaginar para onde irão os indecisos.

 

Não precisamos transformar brancos e nulos em eleitores disponíveis.

 

Muito menos supor que existe um bloco de milhões de votos esperando para ser entregue a um dos candidatos.

 

Eles aparecem nas pesquisas porque fazem parte da fotografia daquele momento.

 

Mas não entram na contagem final dos votos válidos se permanecerem brancos, nulos ou simplesmente não forem votar.

 

Nosso exercício precisa apenas acompanhar a relação entre Lula e Flávio entre aqueles que escolhem um dos dois.

 

A linha da vitória

 

Com aproximadamente 117,7 milhões de votos válidos, a metade corresponde a cerca de:

 

58,85 milhões de votos.

 

Para vencer, será necessário ultrapassar essa linha.

 

Na fotografia normalizada de agosto, os dois candidatos aparecem praticamente sobre ela:

 

Lula: ≈ 59,01 milhões

 

Flávio Bolsonaro: ≈ 58,69 milhões

 

A diferença entre os dois é tão pequena que qualquer tentativa de apontar agora um vencedor seria mais torcida do que análise.

 

Por isso, agosto interessa menos pelo nome que aparece alguns décimos à frente.

 

Interessa como ponto de partida.

 

2018 e 2022 mostram como o Brasil pode mudar

 

Em 2018, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad com 55,13% dos votos válidos contra 44,87%.

 

Quatro anos depois, em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro por 50,90% a 49,10%.

 

Não devemos transformar esses resultados em regras matemáticas para 2026.

 

Eles servem para outra coisa.

 

Mostram como o eleitorado brasileiro pode produzir uma vantagem confortável numa eleição e uma divisão quase perfeita na seguinte.

 

Agosto de 2026, pelo menos até aqui, parece muito mais próximo da segunda situação.

 

O nosso placar de agosto

 

Esta será a primeira fotografia guardada:

 

AGOSTO DE 2026

 

Eleitorado: 158,75 milhões

 

Comparecimento estimado: 126,05 milhões

 

Votos válidos estimados: 117,7 milhões

 

Média original das pesquisas:

Lula 45,00% x Flávio 44,75%

 

Proporção normalizada entre os dois:

Lula 50,14% x Flávio 49,86%

 

Lula: ≈ 59,01 milhões

 

Flávio Bolsonaro: ≈ 58,69 milhões

 

Diferença: ≈ 328 mil votos para Lula

 

Linha aproximada da vitória: 58,85 milhões

 

Agora guardamos a fotografia.

 

Em setembro faremos exatamente a mesma conta.

 

Depois em outubro.

 

E finalmente em novembro.

 

Não mudaremos o método para favorecer ninguém. Mudaremos apenas os números fornecidos pelas pesquisas.

 

Teremos então quatro fotografias:

 

Agosto → Setembro → Outubro → Novembro

 

E talvez a informação mais importante não seja quem aparece na frente em cada mês.

 

Será perceber a direção do movimento.

 

A diferença está aumentando?

 

Está diminuindo?

 

Um candidato está avançando enquanto o outro permanece parado?

 

Ou o equilíbrio continua?

 

Essa comparação mensal poderá dizer muito mais do que a discussão diária sobre uma pesquisa isolada.

 

Agosto nos entrega o ponto de partida:

 

50,14% a 49,86%.

 

Quase uma moeda em pé.

 

Os próximos meses dirão para que lado ela começa a cair.

 

Newsletter Rui Guerra

A arquitetura dos fatos A Fotografia Eleitoral de Agosto de 2026

 

A proposta é simples.

 

Não é adivinhar o vencedor.

 

É congelar os números de agosto e fazer uma pergunta: se a relação entre os dois candidatos permanecesse como está hoje, o que ela representaria em votos no segundo turno?

 

Depois repetiremos exatamente o mesmo exercício em setembro, outubro e novembro.

 

Assim, mais importante do que olhar pesquisas isoladamente, poderemos observar a direção do movimento.

 

A fotografia de agosto

 

Quatro pesquisas nacionais divulgadas na segunda metade de agosto — PoderData, Datafolha, BTG/Nexus e GERP — apresentam diferenças entre si, mas confirmam o cenário que todos já conhecem: Lula e Flávio Bolsonaro aparecem, com larga vantagem sobre os demais, como os dois principais nomes da disputa.

 

Nas simulações de segundo turno:

 

PoderData: Lula 45% x Flávio 44%

 

Datafolha: Lula 47% x Flávio 43%

 

BTG/Nexus: Lula 46% x Flávio 45%

 

GERP: Flávio 47% x Lula 42%

 

A média simples desses quatro levantamentos produz:

 

Lula: 45,00%

 

Flávio Bolsonaro: 44,75%

 

Diferença: 0,25 ponto percentual.

 

Agosto, portanto, não mostra um vencedor.

 

Mostra praticamente um empate.

 

Mas percentuais escondem uma dimensão importante.

 

Vamos transformá-los em pessoas.

 

Quantos brasileiros deverão realmente decidir a eleição?

 

O eleitorado brasileiro estimado para 2026 é de 158.745.463 eleitores aptos.

 

Nem todos, entretanto, irão às urnas.

 

Em 2018, a abstenção no primeiro turno foi de aproximadamente 20,3%. Em 2022, chegou a 20,9%.

 

A média é de aproximadamente 20,6%.

 

Se aplicarmos essa média ao eleitorado de 2026, teríamos aproximadamente:

 

158,75 milhões de eleitores

 

menos

 

32,70 milhões de abstenções

 

resultando em cerca de:

 

126,05 milhões de eleitores comparecendo às urnas.

 

Ainda precisamos retirar os votos brancos e nulos.

 

Em 2018, eles representaram aproximadamente 8,8%. Em 2022, apenas 4,41%.

 

A média simples é de aproximadamente 6,6%.

 

Aplicada aos 126,05 milhões de votantes, retiraria cerca de 8,3 milhões de votos.

 

Chegamos assim, neste exercício, a aproximadamente:

 

117,7 milhões de votos válidos.

 

Esse é o universo que realmente escolherá o presidente.

 

Agora precisamos colocar as pesquisas na mesma base

 

Aqui existe um cuidado importante.

 

Os percentuais apresentados pelas pesquisas não representam necessariamente apenas votos válidos.

 

Dependendo do instituto, a conta pode incluir também indecisos, brancos, nulos ou eleitores que dizem não escolher nenhum dos candidatos.

 

Por isso, seria errado pegar diretamente os 45% de Lula e os 44,75% de Flávio e aplicá-los sobre os 117,7 milhões de votos válidos que acabamos de estimar.

 

Estaríamos misturando duas bases diferentes.

 

Para evitar isso, vamos fazer uma operação muito simples.

 

Lula e Flávio somam, na média das quatro pesquisas:

 

89,75%.

 

Vamos transformar esses 89,75% em 100%.

 

Não estamos distribuindo indecisos.

 

Não estamos dizendo para onde irão brancos ou nulos.

 

Estamos apenas perguntando: entre os votos que hoje aparecem atribuídos a Lula ou Flávio, qual é a proporção de cada um?

 

O resultado é:

 

Lula: 50,14%

 

Flávio Bolsonaro: 49,86%

 

Agora, sim, podemos aplicar essa proporção sobre nossa estimativa de votos válidos.

 

Agosto transformado em votos

 

Sobre aproximadamente 117,7 milhões de votos válidos, a fotografia de agosto produziria:

 

Lula — 50,14%

≈ 59,01 milhões de votos

 

Flávio Bolsonaro — 49,86%

≈ 58,69 milhões de votos

 

Diferença aproximada:

 

328 mil votos para Lula.

 

Num universo de quase 118 milhões de votos válidos.

 

É uma distância minúscula.

 

E talvez esse seja o número mais interessante de toda a fotografia.

 

Não precisamos imaginar para onde irão os indecisos.

 

Não precisamos transformar brancos e nulos em eleitores disponíveis.

 

Muito menos supor que existe um bloco de milhões de votos esperando para ser entregue a um dos candidatos.

 

Eles aparecem nas pesquisas porque fazem parte da fotografia daquele momento.

 

Mas não entram na contagem final dos votos válidos se permanecerem brancos, nulos ou simplesmente não forem votar.

 

Nosso exercício precisa apenas acompanhar a relação entre Lula e Flávio entre aqueles que escolhem um dos dois.

 

A linha da vitória

 

Com aproximadamente 117,7 milhões de votos válidos, a metade corresponde a cerca de:

 

58,85 milhões de votos.

 

Para vencer, será necessário ultrapassar essa linha.

 

Na fotografia normalizada de agosto, os dois candidatos aparecem praticamente sobre ela:

 

Lula: ≈ 59,01 milhões

 

Flávio Bolsonaro: ≈ 58,69 milhões

 

A diferença entre os dois é tão pequena que qualquer tentativa de apontar agora um vencedor seria mais torcida do que análise.

 

Por isso, agosto interessa menos pelo nome que aparece alguns décimos à frente.

 

Interessa como ponto de partida.

 

2018 e 2022 mostram como o Brasil pode mudar

 

Em 2018, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad com 55,13% dos votos válidos contra 44,87%.

 

Quatro anos depois, em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro por 50,90% a 49,10%.

 

Não devemos transformar esses resultados em regras matemáticas para 2026.

 

Eles servem para outra coisa.

 

Mostram como o eleitorado brasileiro pode produzir uma vantagem confortável numa eleição e uma divisão quase perfeita na seguinte.

 

Agosto de 2026, pelo menos até aqui, parece muito mais próximo da segunda situação.

 

O nosso placar de agosto

 

Esta será a primeira fotografia guardada:

 

AGOSTO DE 2026

 

Eleitorado: 158,75 milhões

 

Comparecimento estimado: 126,05 milhões

 

Votos válidos estimados: 117,7 milhões

 

Média original das pesquisas:

Lula 45,00% x Flávio 44,75%

 

Proporção normalizada entre os dois:

Lula 50,14% x Flávio 49,86%

 

Lula: ≈ 59,01 milhões

 

Flávio Bolsonaro: ≈ 58,69 milhões

 

Diferença: ≈ 328 mil votos para Lula

 

Linha aproximada da vitória: 58,85 milhões

 

Agora guardamos a fotografia.

 

Em setembro faremos exatamente a mesma conta.

 

Depois em outubro.

 

E finalmente em novembro.

 

Não mudaremos o método para favorecer ninguém. Mudaremos apenas os números fornecidos pelas pesquisas.

 

Teremos então quatro fotografias:

 

Agosto → Setembro → Outubro → Novembro

 

E talvez a informação mais importante não seja quem aparece na frente em cada mês.

 

Será perceber a direção do movimento.

 

A diferença está aumentando?

 

Está diminuindo?

 

Um candidato está avançando enquanto o outro permanece parado?

 

Ou o equilíbrio continua?

 

Essa comparação mensal poderá dizer muito mais do que a discussão diária sobre uma pesquisa isolada.

 

Agosto nos entrega o ponto de partida:

 

50,14% a 49,86%.

 

Quase uma moeda em pé.

 

Os próximos meses dirão para que lado ela começa a cair.

 

Newsletter Rui Guerra

A arquitetura dos fatos