O Ministério Público Federal (MPF) cobrou explicações e providências da Braskem, da BRK Ambiental e da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) sobre as constantes interrupções no abastecimento de água no bairro Bom Parto, em Maceió.

Representantes das três empresas participaram de uma reunião com o órgão na última sexta-feira (31). O encontro terminou com a definição de medidas para investigar as causas do problema e reforçar o atendimento aos moradores.

Apesar de não ter sido totalmente incluído na área desocupada devido ao afundamento do solo, o Bom Parto passou por mudanças na infraestrutura de abastecimento durante a desativação de redes afetadas pela subsidência provocada pela mineração de sal-gema.

Desde então, moradores relatam episódios frequentes de falta de água. O problema vem sendo acompanhado pelo MPF por meio de inspeções, reuniões com lideranças comunitárias e contatos com as empresas responsáveis pelo sistema.

Durante o encontro, BRK, Casal e Braskem apresentaram informações sobre o funcionamento da rede, obras em andamento e medidas adotadas para reduzir as interrupções. Também apontaram fatores que poderiam contribuir para a instabilidade no fornecimento.

As informações foram comparadas pelas procuradoras da República Júlia Cadete e Roberta Bomfim com os relatos dos moradores e os levantamentos técnicos produzidos pelo MPF. O órgão busca esclarecer se as mudanças realizadas na rede após o avanço da subsidência contribuíram para o problema.

Segundo o MPF, algumas famílias relataram que não conseguiram participar de reuniões sobre as medidas de reparação porque estavam havia dias sem água.

Entre as providências definidas está a apresentação, pela BRK e pela Casal, do histórico de problemas registrados no sistema entre 2021 e julho de 2026. O período permitirá comparar o abastecimento antes e depois das alterações na infraestrutura.

Também foram determinados o reforço do envio de caminhões-pipa em situações emergenciais, a ampliação das reuniões com lideranças comunitárias e a criação de um fluxo simplificado para que os moradores registrem reclamações junto à BRK.

O MPF ainda deverá compartilhar com as empresas o segundo relatório de diligência elaborado pelo setor técnico do órgão.

“O acesso à água é um direito essencial. O MPF acompanha essa situação porque os moradores passaram a relatar uma mudança significativa na rotina do abastecimento. Nosso papel é reunir todas as informações técnicas, ouvir a população e cobrar soluções capazes de enfrentar o problema de forma efetiva”, afirmou Júlia Cadete.

Roberta Bomfim destacou que o Bom Parto é uma área de alta vulnerabilidade social e está inserido no contexto dos danos causados pela mineração.

“É preciso compreender, com transparência e responsabilidade, se as intervenções realizadas contribuíram para a situação atual e assegurar que a população não continue suportando os prejuízos decorrentes dessas mudanças”, declarou.

Parte do Bom Parto integra a área afetada pelo desastre socioambiental causado pela exploração de sal-gema em Maceió. Há imóveis incluídos na ampliação do mapa de afundamento do solo que continuam ocupados, além de trechos que passaram por intervenções na rede de abastecimento durante a desativação das estruturas atingidas pela subsidência.