Há quem pense que um Estado se mede por quilômetros de rodovias, pelo tamanho do seu orçamento ou pela altura dos seus edifícios. Não.
Um Estado se mede pelo tamanho dos sonhos que seu povo ousa cultivar. Alagoas nunca foi apenas um ponto entre o oceano e o sertão. Sempre foi um lugar onde a beleza precisou aprender a conviver com a adversidade. Talvez por isso nossos homens e mulheres tenham desenvolvido uma virtude rara: a capacidade de recomeçar sem perder a ternura.
Há um segredo que só pertence aos alagoanos. Quem nasce entre o mar e as lagoas aprende cedo que a água nunca tem pressa. Ela contorna pedras, vence distâncias e, silenciosamente, encontra seu caminho. Talvez seja por isso que este pequeno pedaço do Brasil tenha produzido alguns dos maiores escritores da nossa língua. Eles compreenderam que a verdadeira força quase nunca faz barulho.
Graciliano Ramos escrevia como quem lavrava a terra: cada palavra precisava merecer existir. Jorge de Lima descobria poesia onde muitos enxergavam apenas rotina. Lêdo Ivo transformava o vento de Maceió em literatura universal. Nenhum deles fugiu de Alagoas. Ao contrário. Fizeram dela uma maneira de compreender o mundo.
Nós também precisamos voltar a compreender Alagoas. Durante muito tempo aceitamos que nosso destino fosse pequeno. Como se estivéssemos condenados a admirar a riqueza dos outros e a exportar nossos talentos. Como se a beleza das nossas praias bastasse para esconder a pobreza de tantas famílias. Como se o futuro fosse sempre um trem que passava por outra estação.
Mas a história, vez ou outra, resolve contrariar os céticos. Quando um povo recupera a confiança, algo extraordinário acontece. O investimento deixa de ser notícia e passa a ser rotina. A responsabilidade com as contas públicas deixa de ser um discurso técnico e se transforma em escolas, hospitais, estradas, segurança e oportunidades. A iniciativa privada encontra estabilidade para produzir. O jovem começa a acreditar que pode realizar seus sonhos sem abandonar sua terra.
Foi esse sentimento que Alagoas experimentou quando viveu um ciclo de reorganização institucional, crescimento dos investimentos e recuperação da autoestima. Pela primeira vez em muito tempo, o Estado deixou de ser lembrado apenas por suas dificuldades e passou a ser citado como exemplo de gestão pública, equilíbrio fiscal e capacidade de transformação.
O mais importante, porém, não estava nas estatísticas. Estava no brilho discreto dos olhos de quem voltou a acreditar. Existe uma diferença enorme entre administrar um governo e despertar uma esperança. Governos constroem obras. Esperanças constroem gerações. E é exatamente aqui que mora o desafio do nosso tempo. Não basta preservar conquistas. É preciso inaugurar um novo ciclo.
Alagoas reúne tudo o que o século XXI valoriza. Temos localização estratégica. Temos uma costa capaz de dialogar com o turismo internacional. Temos potencial para uma economia azul, para energias renováveis, para a agroindústria, para a inovação, para a logística e para a indústria. Temos um povo criativo, trabalhador e resiliente. O que nunca nos faltou foi capacidade. O que, por vezes, faltou foi acreditar na nossa própria grandeza.
Nenhum Estado cresce apenas porque arrecada mais. Ele cresce quando seus filhos decidem permanecer. Quando o empresário investe porque enxerga segurança. Quando o agricultor colhe sabendo que haverá infraestrutura. Quando o estudante acredita que o diploma abrirá portas sem exigir despedidas. Quando o servidor compreende que eficiência também é um gesto de amor à sua terra.Esse é o verdadeiro desenvolvimento. É aquele que faz o orgulho substituir o conformismo.
As lagoas continuam as mesmas. O mar continua chegando todas as manhãs. O sertão continua ensinando que resistência é uma forma de esperança. A natureza alagoana permanece repetindo, todos os dias, uma lição antiga: quem sabe atravessar as estiagens também sabe celebrar as chuvas. Talvez esteja chegando outra travessia. Não uma travessia de sobrevivência. Mas uma travessia de grandeza.
Aquela em que Alagoas deixa definitivamente de discutir o tamanho de seus problemas para discutir o tamanho de seus sonhos. Porque um povo que deu ao Brasil Graciliano Ramos não nasceu para escrever páginas de resignação. Um povo que deu ao mundo Jorge de Lima não pode perder a capacidade de imaginar. Um povo que aprendeu com Lêdo Ivo que “o mar nunca termina” também sabe que o futuro não tem margens. É tempo de olhar para a frente.
De reunir inteligência, sensibilidade, coragem e competência. De construir um Estado onde o crescimento econômico caminhe ao lado da justiça social, onde a responsabilidade fiscal seja instrumento de prosperidade, onde a inovação conviva com a tradição e onde o progresso preserve aquilo que nos torna únicos.
O próximo grande capítulo de Alagoas não será escrito apenas por um governador, por um partido ou por um governo. Será escrito por um povo inteiro. E poucos povos conhecem tão bem a arte de recomeçar quanto o povo alagoano.
As lagoas sabem esperar. Mas os sonhos, quando encontram coragem, já não esperam mais. Os povos não são medidos pelo tamanho do território que ocupam. São medidos pela grandeza do futuro que têm coragem de construir. Alagoas já provou que pode. Agora é hora de provar, mais uma vez, que merece.
Que o orgulho de ser alagoano não seja apenas uma lembrança da nossa história. Que seja a força que nos impulsiona para o futuro. E que, quando as próximas gerações olharem para este tempo, possam dizer que houve uma geração que acreditou em Alagoas antes mesmo de ela alcançar toda a sua grandeza.
Porque há terras que vivem do passado. Alagoas nasceu para viver do futuro.
E o futuro começa amanhã às 9:00, no Centro de Inovação, quando um povo voltará a acreditar no impossível e decidirá transformá-lo em realidade. Tudo começa com um sonho que vira um plano e se transforma em realidade!
George Santoro