Foi a deputada estadual, Jó Pereira, que no sábado, 30 de abril de 2022, no paradisíaco, Mirante da Santa Amélia, em Maceió, Al, lançou oficialmente ODO, Livro Preto de Poesia, uma obra poética escrita por jovens da periferia alagoana, uma forma de expressão que destaca a diversidade e a resistência cotidiana, do não desistir.
Foi um momento singular, porque o lançamento deu voz a tantos silenciamentos de jovens artistas acuados pela pobreza, invisibilidade e racismo.
O livro, nascido em Alagoas, é a primeira obra do gênero no Brasil todinho e foi resultado do concurso realizado, em 2019, pelo Instituto Raízes de Áfricas, com apoio do Governo do Estado.
No dia do lançamento, esta ativista, Arísia Barros estava ansiosa para mostrar a um dos meninos, em especial, o nome dele, no índice de poetas de ODO, e reafirmar a capacidade que temos de reinventar e acolher caminhos.
Mas, não deu tempo, no dia do lançamento, o menino estava morto.
Em conversas anteriores, dizia que não tinha futuro e que esse negócio de poesia não é para pessoas como ele, mas, ensaiou a feitura de uma com uma inquietação: Eu sou um bandido?
Ele era um interno da Unidade de Internação Masculina, administrado pela Secretaria de Estado de Prevenção à Violência-SEPREV, e, foi um dos 30 selecionados no Odo-Concurso Preto de Poesia para Jovens da Periferia:"Eu, jovem pret@, resisto e insisto”, idealizado pelo Instituto Raízes de Áfricas.
Foi Ivonete, a mãe, que veio representar o filho, no recebimento do prêmio, em dinheiro, e de exemplares do livro, Odo-Livro Preto de Poesia.
Tímida, silenciosa, contida, e com uma serenidade necessária, apesar da orfandade do filho.
A deputada, Jó Pereira admirou-se da serenidade da mulher e , esta ativista, explicou que o racismo é tão insidioso que a mulher preta, muitas vezes, precisa criar calo na alma, e se fazer equilíbrio, senão o mundo nos devora. Somos nós que perdemos, precocemente os filhos, aos montes.
Quase todos homens e pretos.
Ivonete ouviu a interpretação do poema do filho , na voz de Jó Pereira que a acolheu com um longo abraço e um buquê de flores amarelas, em uma homenagem que se tornou póstuma. As flores foram depositadas na cova do menino e o dinheiro do prêmio para construir o túmulo.
O menino poeta, preto, periférico morreu bem jovem e, toda sua vida, agora, cabe, perfeitamente, dentro de um livro de poemas.
É um escritor.
Tinha 18 anos.
Vidas pretas importam vivas!
E foi graças a deputada estadual, Jó Pereira, que o livro ODO, Livro Preto de Poesia, idealizado e organizado pelo Instituto Raízes de Áfricas, foi lançado, com o poema do adolescente, precocemente, morto e de tant@s adolescentes pret@s, periféricos que resistem e insistem pela vida..
Salve, Jó Pereira!


