O coordenador-geral da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre, vai a julgamento nesta quarta-feira (27) na Justiça de Alagoas. 

O gestor municipal é réu em uma ação penal onde é acusado pelo crime de falsidade ideológica, sob a suspeita de ter omitido e prestado informações falsas à Defensoria Pública do Estado (DPE/AL) a respeito da ampliação do mapa de linhas de risco no desastre geológico provocado pela mineradora Braskem.

O desdobramento judicial gerou manifestações por parte do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB). 

No início desta semana, a organização publicou um posicionamento oficial nas redes sociais cobrando a punição do chefe do órgão municipal e divulgando uma linha do tempo com ofícios que, segundo o movimento, comprovam que a Defesa Civil já detinha dados institucionais sobre o agravamento das áreas afetadas antes de responder formalmente aos defensores públicos.

“Estamos falando de milhares de famílias atingidas, de comunidades inteiras que convivem há anos com medo, insegurança e ausência de respostas claras. A sociedade precisa conhecer esses fatos”, declarou o servidor público Maurício Sarmento, integrante da coordenação do MUVB por meio de nota.

O caso que vai a julgamento nesta terça-feira é um desdobramento de investigações que apontaram divergências técnicas nos documentos emitidos pelo órgão municipal. Conforme noticiado pelo portal CadaMinuto em janeiro deste ano, o Poder Judiciário já havia rejeitado os pedidos de absolvição sumária apresentados pela defesa de Abelardo Nobre.

À época da manutenção da denúncia, o entendimento do magistrado responsável pelo caso apontou para a existência de indícios robustos de "omissão intencional" por parte do coordenador. 

A acusação sustenta que o gestor teria retardado de forma deliberada a oficialização de dados técnicos sobre a real dimensão do afundamento do solo nos bairros afetados, impactando diretamente o cronograma de realocação e o direito a indenizações das famílias atingidas.