A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, as cores verde e amarelo começam a ocupar as ruas, o comércio e a rotina dos municípios alagoanos. O torneio terá início oficialmente no dia 11 de junho, com a partida de abertura entre México e África do Sul no Estádio Azteca. 

Para os torcedores locais, a contagem regressiva está voltada para o sábado, 13 de junho, quando a Seleção Brasileira estreará pelo Grupo C contra o Marrocos, às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Após edições marcadas por eliminações e pelo jejum de 24 anos sem um título mundial, manifestações comunitárias tradicionais, como a pintura de vias públicas, voltam a registrar força em bairros e cidades do interior e da capital. 

No Norte do Estado, no município de Colônia Leopoldina, moradores anteciparam a decoração urbana. A iniciativa partiu de um planejamento conjunto entre o comerciante Igor Matheus e moradores locais, transformando uma ideia inicialmente comercial em um mutirão comunitário realizado no período noturno, após autorização da prefeitura local.

A repercussão visual da primeira rua decorada viralizou em plataformas digitais, superando 30 mil visualizações. O engajamento digital motivou moradores de outras vias a organizarem cronogramas próprios de pintura. 

Segundo Igor Matheus, a atividade gerou uma integração geracional, mobilizando adultos e crianças em atividades manuais fora do ambiente digital. "A maioria dessas crianças muitas vezes fica presa no celular. Quando chegam aqui, percebemos o semblante mudar", apontou.

Para o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e pesquisador de movimentos culturais populares, Rodrigo Guimarães, o fenômeno atual reflete características de uma era "figital", onde o espaço físico e a dinâmica digital se complementam. 

Ele explica que a retomada ocorre tanto pela busca por convivência presencial quanto pela criação de cenários e adereços que servem como conteúdo para disseminação em redes sociais.

O pesquisador ressalta que o movimento atua como preservação da identidade cultural, aproximando-se de festividades como o São João e o Carnaval na ocupação do espaço público, além de representar uma reconexão social necessária após o período pandêmico. 

Sob a perspectiva mercadológica, Guimarães aponta que o futebol entre o público jovem se mantém aquecido pela superexposição de atletas e pela espetacularização econômica do esporte, que antecede o início do torneio.

Centro de Maceió registra alta em artigos infantis 

O reflexo do engajamento comunitário atinge diretamente o comércio informal e lojista de Maceió. No Centro da capital, a busca por artigos da Seleção Brasileira divide espaço com os preparativos para as festas juninas.

Carlos Alberto, comerciante da região central há duas décadas, relata que a procura por produtos específicos, como kits infantis de camisa e short e bandeiras para veículos, apresenta movimentação regular. 

Ele explica que o comportamento do consumidor varia conforme o avanço da Seleção nas fases eliminatórias do torneio, com preferência atual por camisas sem numeração de jogadores.

“As mães procuram os kits de camisa e short para os filhos. Só que, no momento, as bandeirinhas de carro também estão saindo bastante por causa do preço. A galera vem forte nesse item”, diz Carlos.

Em outros estabelecimentos do calçadão, a demanda engloba acessórios de vestuário e itens de moda. A vendedora Natália Klivia confirmou o aumento na saída de conjuntos infantis, laços e adereços temáticos para adultos. 

Dulce do Nascimento, que comercializa laços e trabalhou durante o torneio de 2022, prevê uma evolução nas vendas nos próximos dias devido à convergência de datas comemorativas, superando os índices econômicos registrados no período de restrições sanitárias da pandemia.

A tendência de consumo entre o público jovem também é impulsionada por movimentos de moda urbana, como o estilo Brazil Core. A estudante de Direito Erica Beatriz, de 23 anos, exemplifica a permanência do hábito geracional de coordenar vestuário e reuniões sociais entre amigos para acompanhar as partidas, mesmo sem ter presenciado o último título mundial do país. 

Para os consumidores locais, a proximidade dos jogos e a manutenção dos rituais preparatórios indicam uma tentativa coletiva de reatar os vínculos afetivos com o torneio nacional.

*Estagiárias sob supervisão da editoria