O Tribunal do Júri condenou os três policiais militares e a ex-policial acusados pela morte e ocultação do corpo de Davi da Silva, desaparecido em 2014 no bairro Benedito Bentes, em Maceió. 

As penas foram definidas após dois dias de julgamento no Fórum do Barro Duro.

Confira as penas aplicadas a cada um dos condenados:

Eudecir Gomes de Lima — 28 anos, 1 mês e 3 dias de reclusão;

Carlos Eduardo Ferreira dos Santos — 24 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão;

Nayara Silva de Andrade — 24 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão;

Victor Rafael Martins da Silva — 23 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão.

Os quatro foram condenados por homicídio qualificado, por motivo fútil e mediante tortura, e por ocultação de cadáver. 

Até a sentença, os réus respondiam ao processo em liberdade e negavam envolvimento na morte e no desaparecimento do corpo de Davi.

O caso completará 12 anos em agosto. 

Davi desapareceu após ser abordado por uma guarnição da Radiopatrulha quando portava uma pequena quantidade de maconha. 

Sua mãe, Dona Maria José, que lutou durante anos pelo julgamento, morreu sem ver a conclusão do processo.

O Cada Minuto acompanhou cada etapa do julgamento. Relembre:

O julgamento teve início na manhã de segunda-feira (4), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. 

No primeiro dia, testemunhas de defesa prestaram depoimentos considerados contraditórios para o Ministério Público. 

Uma delas afirmou ter sido abordada pela mesma guarnição, mas disse não ter visto Davi ser colocado na viatura. 

Outra, primo de consideração da vítima, descreveu a farda dos policiais como semelhante à da Força Nacional, argumento usado pela defesa para questionar a identificação da viatura, mas o promotor Thiago Riff apresentou depoimento anterior em que a testemunha havia reconhecido a guarnição da Radiopatrulha.

No segundo dia, a acusação ocupou a tribuna. O promotor Thiago Riff rebateu a tese da ausência do corpo e destacou que a principal testemunha do caso, Raniel Victor, morto meses após o desaparecimento de Davi, reconheceu quatro integrantes da guarnição em um universo de 62 fotografias.

 A promotora Dra. Lídia apontou contradições nos depoimentos dos réus sobre detalhes das próprias viaturas em que trabalhavam.