O segundo dia do julgamento dos quatro acusados pelo desaparecimento de Davi da Silva entrou na fase dos debates entre acusação e defesa na manhã desta terça-feira (5), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. 

O promotor Thiago Riff abriu os trabalhos reforçando o papel do Ministério Público e antecipando os argumentos que serão usados para pedir a condenação dos réus.

Logo de início, Riff tratou da ausência do corpo de Davi — ponto central esperado pela defesa. 

“Não sejamos ingênuos”, disse o promotor, acrescentando que a família da vítima já não alimentava esperanças de encontrá-lo com vida. 

Ele citou casos semelhantes julgados no país, incluindo o do goleiro Bruno, para sustentar que a materialidade do crime pode ser provada mesmo sem a localização do cadáver.

O pai de Davi passou mal durante a fala do promotor, precisou ser retirado da sala e foi acompanhado por equipe médica.

Pai de Davi passa mal e é retirada de audiência. Crédito: MPAL


Riff apresentou a sindicância policial e destacou o reconhecimento feito pela principal testemunha do caso, Raniel Victor — morto meses após o desaparecimento de Davi. 

Segundo o promotor, em um universo de 62 fotografias apresentadas a Raniel, ele reconheceu quatro integrantes de uma mesma guarnição. 

“Qual a probabilidade de alguém reconhecer quatro pessoas de uma guarnição em 62 fotos?”, questionou. 

O promotor afirmou ainda que Raniel fez o reconhecimento formal na delegacia quando se sentiu seguro, pouco antes de ingressar no programa de proteção a testemunhas.

O assistente de acusação também usou a tribuna para rebater argumentos apresentados pela defesa no primeiro dia. 

Ele questionou a lógica de que policiais da Força Nacional teriam utilizado viaturas da Radiopatrulha ao chegar a Alagoas e comparou a dor dos réus, que disseram não ter podido comparecer a um casamento, com a da família de Davi. 

“Quem está sentado no banco dos réus não é a Polícia Militar, são três policiais e uma ex-policial”, afirmou.

A promotora Dra. Lídia também se pronunciou. Ela ressaltou que o julgamento não tem como alvo a corporação, mas os indivíduos que, segundo a acusação, “rasgaram o juramento e mataram adolescentes”. 

Lídia destacou contradições nos depoimentos dos réus sobre detalhes das viaturas da Radiopatrulha, tropa à qual pertenciam, como o símbolo do Pitbull e o raio estampados nos veículos. “A comunidade sabe e os policiais não sabem?”, questionou.

A promotora exibiu ainda o depoimento de Raniel descrevendo a ação de cada um dos acusados e lembrou que, dias após o desaparecimento de Davi, Dona Maria José foi atingida por uma bala de raspão durante um protesto da comunidade, e que Raniel foi morto pouco depois.

O julgamento continua. Ontem, o Cada Minuto acompanhou o primeiro dia, com a oitiva de réus e testemunhas e a exibição do depoimento em vídeo de Raniel.​​​​​​​​​​​​​​​​