O deputado Antonio Albuquerque solicitou a intervenção da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) para apurar o que classificou como ilações criminosas contra o Parlamento, relacionadas ao caso de estupro ocorrido em dezembro de 2024, em Coité do Nóia. O principal suspeito, conhecido como “Vitinho”, está foragido da Justiça.

O deputado repudiou as afirmações, que circulam nas redes sociais, de que “o bandido, o estuprador deve estar escondido na fazenda de um político influente no Estado”. Sem citar nomes, ele criticou a advogada Júlia Nunes, pelas insinuações que colocam todo o Parlamento sob suspeita.

“Essa senhora que fala que há deputado, produtor rural, protegendo estuprador não diz nomes… Há vários produtores rurais na Assembleia. Além de mim, tem também o presidente Marcelo Victor, Francisco Tenório, Gilvan Barros, André Silva, Fernando Pereira e outros, mas mesmo que isso não incomode algumas pessoas, a mim tem incomodado muito”, declarou.

Albuquerque informou que, no início de fevereiro deste ano, protocolou ofícios na Polícia Federal e na Polícia Civil solicitando providências para que os responsáveis pelas denúncias informem onde o suspeito está e quem é o deputado que estaria acobertando.

“Solicito de vossa excelência que reitere esses ofícios, para que a pessoa diga quem é o deputado. Se tem deputado guardando bandido assim, precisa ser desmoralizado e responsabilizado. Fiz um levantamento dos órgãos de comunicação que divulgaram essas matérias e encaminhei tudo para a PF e para a PC”, prosseguiu, se dirigindo ao presidente da ALE, deputado Marcelo Victor.

Ao reforçar o repúdio ao crime de estupro, Albuquerque declarou que, ao contrário de pessoas que defendem a castração química para estupradores, ele tem outra posição: “Como ainda não evoluí, acho que estuprador tem que ser tratado na espingarda. Resolve de uma vez por todas”.

O parlamentar também pediu que o Parlamento solicite à PF e à PC informações acerca das providências adotadas em relação ao caso e cobre punições para as ilações criminosas envolvendo o nome da Assembleia Legislativa.

“O Parlamento é que foi acusado. Estou incomodado porque sou deputado, pecuarista, e fica todo dia uma presença na mídia dizendo que um deputado fazendeiro está dando guarida a um bandido. Esse bandido é foragido da Justiça. Há um mandado de prisão preventiva contra ele e é importante que a PF trabalhe no sentido de entregá-lo à Justiça comum”, completou.

O presidente da ALE, Marcelo Victor, afirmou que desconhecia as ilações que estavam sendo feitas, concordou que esse tipo de acusação é inadmissível e explicou que a Procuradoria-Geral da Casa tem competência para agir nesse caso. “Há vários mecanismos que a Casa pode adotar para proteção da instituição e dos deputados, desde uma interpelação até uma representação junto ao Ministério Público. Não é admissível essas ilações. Temos que ficar indignados. Que se dê nomes aos bois e não se coloque todos sob suspeita”.

Marcelo Victor garantiu que a Assembleia adotará providências para que os autores das acusações identifiquem o parlamentar que estaria supostamente escondendo o suspeito.

O caso

O crime ocorreu em uma chácara na zona rural de Coité do Nóia. Uma jovem de 19 anos denunciou ter sido dopada com um coquetel de medicamentos controlados, estuprada e asfixiada após uma confraternização escolar.

A vítima ficou em coma por cinco dias e sofreu sequelas graves, passando a depender de cuidados familiares para atividades básicas.