Maria Clara Gomes da Silva, menina preta, pobre, periférica, autista desapareceu,  aos 5 anos, na boca da noite do dia 19 de julho do ano de 2021, portanto, daqui a pouquinho faz 5 anos do ‘sumiço’ da menina.

Maria Clara, uma criança atípica,  desapareceu,  de uma viela  insípida, em um bairro desassistido, desumanizado  de políticas públicas, como o Vergel do Lago, em Maceió, AL.

O sumiço de Maria Clara  não causou impacto na rotina da sociedade local, afinal, crianças pretas, além de não despertarem comoção, são vistas como, socialmente,  descartáveis.

Por um tempo a vizinhança  reivindicou atenção ao caso, mas, percebendo o desinteresse institucional, retrocedeu..

Esta ativista durante todo processo tem questionado o Governo do Estado sobre a falta de empenho com o desaparecimento da menina negra e atípica.

A família de Maria que já era disfuncional, depois do desaparecimento esfacelou-se, por inteiro.

Nenhum Órgão de Proteção de Direitos Humanos, municipal ou estadual   prestou , um tiquinho assim, de atenção, atendimento  e apoio à família de Maria Clara.

Na caminhada de diálogos um apoio importante foi , no ano de 2022, da então deputada, Jó Pereira, que entre providências urgentes e necessárias protocolou um  projeto de Lei  da Política Estadual de Prevenção, Acolhimento, Acompanhamento e  Busca de Pessoas, em Alagoas, ( indicação aprovada pela Assembleia Legislativa), que além da criação da Delegacia Especializada em  Pessoas Desaparecidas, tem como objetivo  ser ferramenta na prevenção,  procura e localização de todas as pessoas que, por alguma circunstância anormal são consideradas desaparecidas e acolhimento das famílias.

A Lei estabelece diretrizes e metodologias, como também o desenvolvimento de programa e ações.

Impossível não fazer um recorte racial quando os números demonstram que a maioria dessas vítimas está na população negra. Os números também levantam questões de toda ordem: educação, saúde, habitação. É preciso agregar a essa discussão aplicabilidade das políticas públicas e investimentos reais do Estado.  desaparecimento de crianças e adolescentes levanta questões de toda ordem: educação, saúde, habitação.  É preciso agregar a essa discussão aplicabilidade das políticas públicas e investimentos reais do Estado"- afirma , Jó Pereira:" 

O apoio da deputada  foi único e muito significativo, mas, contudo, todavia, entretanto com o término da gestão da deputada estadual, Jó Pereira, ( 2015-2023), a questão caiu no esquecimento.

Com a divulgação do número estarrecedor de 18 pessoas desaparecidas em Alagoas, a pauta volta aos holofotes ( sem impactos sociais significativos), daí, o Ministério Público recomendou ao Governo do Estado a criação da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas.

Será?

Onde está Maria Clara Gomes da Silva?