O jornalista Bruno Freixo, escreve e o blog republica:

'Em 1989, Boni passou glicerina em Collor pra simular suor e o candidato representar uma imagem que “dialogasse com o povão”, pois viu que Lula era um fenômeno popular e fazia isso com naturalidade. A Globo interveio nas eleições pra tirar a vitória do então novato Lula.

Em 1994, os editoriais deixam claro a preferência por FHC, assim como em 98, pois Lula era tido como “sindicalista doidão”. Em 2002, os maiores players de comunicação do país tentaram o último suspiro com Serra, mas viu a força popular de Lula, que foi chantageado pela Faria Lima até o último momento e obrigado a colocar um empresário como vice em sua chapa.

Ainda em seu primeiro mandato, Lula viu a bancada evangélica crescer, parlamentares levando grana e chantageando o governo como tática pra aprovar os projetos sociais administrados em sua gestão.

Os escândalos que eram abafados pela imprensa durante todo governo FHC e suas privatarias escusas foram acentuados nos governos Lula com o então deputado Roberto Jefferson, um conhecido personagem remanescente da ditadura, amigo dos deputados evangélicos envolvidos na Máfia das Ambulâncias, e que tinha rixa com o empresário Marcos Valério, chamando pejorativamente de “mensalão” o que sempre foi visto antes como “emendas parlamentares”. O objetivo era criar um rótulo forte que enfraquecesse o governo federal, com a chancela dos principais grupos de comunicação do país.

Mesmo assim, em 2010, Lula sai com aprovação popular recorde, na casa dos 80%, diante do sucesso de suas políticas sociais que transformaram o país nos anos 2000, tiraram o Brasil do mapa da fome, inseriram a classe média no perfil do consumo e garantiram pleno emprego à população. Os grandes empresários e os principais veículos de comunicação do país nunca admitiram a continuação de um governo petista, a ponto de darem força na esquematização de um golpe parlamentar que viria a tirar Dilma da presidência. Nunca foi pedalada, mas a “enfrentada” que Dilma tentou emplacar contra o forte Congresso de Eduardo Cunha, sem sucesso.

A demonização final do PT ficou a cargo de figuras ressentidas do PSDB, que viram em Sérgio Moro e Deltan Dallagnol o lawfare necessário a criar um espantalho demoníaco da figura de Lula, como se ele fosse o grande operador de toda corrupção política que sempre existiu no país, mas que oportunamente era abafada pelos principais veículos de comunicação em governos neoliberais privatistas.

A verdade nua e crua é que a imprensa foi contra o fim da escravidão, foi contra a criação do salário mínimo, foi contra a criação do 13o salário e hoje se põe contra o fim da escala 6x1. Qualquer governo popular que se atreva a criar políticas sociais que se oponham aos interesses dos grandes latifúndios, sempre será demonizado pelos principais setores de comunicação do país, que se beneficiam da rolagem de juros do país. Para emplacar uma terceira via, até Caiado, um grileiro de direita envolvido em crimes que foram abafados na época da ditadura, vira opção contra a “polarização”…

Lula é maior que tudo isso. Se Flávio Bolsonaro vencê-lo esse ano, a maior derrota será nossa, e não de Lula. A não ser que você seja acionista na Unilever, seja da família Marinho ou dono da Coca-Cola. Ou também um evangélico médio, que em geral é ignorante e não tem culpa de sua condição hipossuficiente. Mas se você for um funcionário público, um empregado CLT, dono de um mercadinho ou de uma oficina, ou tenha ações de baixo investimento na Bolsa e um BYD financiado na garagem, a derrota de Lula é a sua derrota, ainda que você se veja como um futuro entrevistado do Pequenas Empresas, Grandes Negócios por fabricar um abridor de sachê de maionese e fature 10 mil por mês com isso.'