O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União recomendaram que a Prefeitura de Maceió organize a rede de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) e defina, no prazo de até 60 dias, o perfil assistencial de cada unidade hospitalar da rede municipal. As medidas foram publicadas no Diário Oficial do órgão de controle, nesta quarta-feira (15).
A medida consta em recomendação conjunta publicada no Diário Oficial e foi encaminhada à gestão do prefeito Rodrigo Cunha e à Secretaria Municipal de Saúde, diante de dificuldades recorrentes no acesso a internações de pacientes atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.
Falhas na organização da rede
Segundo os órgãos, embora existam leitos próprios e contratualizados na rede municipal, a ausência de definição clara sobre o tipo de atendimento realizado por cada unidade compromete a regulação do sistema de saúde.
A falta do chamado “perfil assistencial” pode levar a encaminhamentos baseados em critérios subjetivos, o que, na avaliação dos órgãos, prejudica a eficiência do fluxo de internações e o acesso da população ao SUS.
O que a Prefeitura deve fazer
A recomendação determina que o município elabore documentos técnicos detalhando cada serviço de saúde, incluindo:
- identificação da unidade (nome, CNES e abrangência);
- quantidade total de leitos e divisão por especialidade;
- perfil clínico dos pacientes atendidos;
- nível de complexidade do atendimento;
- estrutura, equipamentos e recursos disponíveis;
- equipe multiprofissional;
- suporte diagnóstico e terapêutico;
- papel de cada unidade na rede e fluxos de referência e contrarreferência.
Os órgãos também recomendam que essas informações sejam atualizadas sempre que houver mudanças na rede.
Prazos e resposta
A Prefeitura de Maceió terá 15 dias para informar se acatará a recomendação e quais medidas já foram adotadas. A ausência de resposta poderá ser interpretada como recusa.
Para MP, MPF e DPU, a definição do perfil assistencial é considerada essencial para melhorar o acesso aos leitos hospitalares, ampliar a transparência e garantir maior organização da rede pública de saúde.
A recomendação faz parte de um conjunto de medidas voltadas a apurar falhas estruturais na gestão da saúde em Alagoas e não descarta a adoção de medidas judiciais caso os problemas persistam.
