A Doença de Parkinson ainda é cercada por percepções simplificadas que dificultam o reconhecimento precoce e atrasam o início do cuidado. Neste 11 de abril, data dedicada à conscientização sobre a condição, especialistas reforçam que o quadro vai muito além do tremor, podendo afetar diferentes idades e exigindo acompanhamento permanente e multidisciplinar.
De acordo com o neurocirurgião Arnon Alves, do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA-Ufal), um dos equívocos mais comuns é considerar o tremor como principal sinal da doença. Na prática, a lentidão dos movimentos, chamada bradicinesia, é essencial para o diagnóstico, geralmente associada à rigidez e, em alguns casos, ao próprio tremor.
Os sintomas, porém, nem sempre são evidentes no início. Alterações no equilíbrio, quedas e dificuldades em atividades simples do dia a dia podem impactar mais a rotina do que o tremor em si. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para organizar o tratamento e preservar a qualidade de vida.
A geriatra Danielle Pessoa, do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), explica que o Parkinson é uma doença progressiva, sem causa única definida, relacionada a fatores como envelhecimento, genética e ambiente. Embora mais comum em idosos, também pode surgir antes dos 50 anos, caracterizando o chamado Parkinson de início precoce.
Muito além dos movimentos
Além das alterações motoras, a doença pode comprometer outras dimensões da vida. Entre os sinais estão dificuldade para iniciar movimentos, passos mais lentos, redução do balanço dos braços, escrita menor e sensação de rigidez. Em fases mais avançadas, aumentam os riscos de quedas.
Há ainda sintomas não motores importantes, como depressão, distúrbios do sono, constipação, alterações cognitivas, perda do olfato e problemas urinários. Outro ponto destacado pelos especialistas é que nem todo paciente desenvolve demência, apesar de a lentidão e a redução da expressão facial poderem causar essa impressão.
Tratamento e qualidade de vida
Apesar de não ter cura, o Parkinson pode ser controlado. O tratamento inclui medicamentos disponíveis no SUS e acompanhamento com uma equipe multiprofissional, envolvendo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros profissionais.
Em alguns casos, há indicação de procedimentos como a estimulação cerebral profunda, que pode ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Além da assistência clínica, iniciativas de educação em saúde têm ganhado espaço. Materiais educativos e programas de acompanhamento ajudam pacientes e familiares a entender melhor a doença e lidar com seus desafios no dia a dia.
A principal mensagem dos especialistas é clara: informação de qualidade, diagnóstico precoce e cuidado contínuo fazem toda a diferença na trajetória de quem convive com o Parkinson.
*com HU Brasil
