O Ministério Público de Alagoas (MPAL) instaurou procedimento para apurar as cenas de vandalismo e a confusão generalizada registradas após a partida entre ASA e Operário-MS, na noite desta quarta-feira (25), no Estádio Coaracy da Mata Fonseca, em Arapiraca.

O clube alvinegro já foi notificado e pode sofrer medidas que vão desde recomendações administrativas até a realização de jogo com portões fechados na final do Campeonato Alagoano 2026 contra o CRB. A decisão começa neste sábado (28), às 16h, no Estádio Rei Pelé, em Maceió. O confronto de volta está marcado para o dia 7 de março, também às 16h, em Arapiraca.

A investigação foi aberta pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Arapiraca (Proc. SAJ MP 01.2026.00000707-0). Além de notificar a Associação Sportiva Arapiraquense (ASA), o promotor Thiago Chacon encaminhou ofícios ao comando do 3º Batalhão da Polícia Militar e à Federação Alagoana de Futebol (FAF).

O foco da apuração são as falhas na segurança e na organização do evento. Imagens que circulam nas redes sociais mostram invasão de campo e confrontos que teriam começado entre jogadores e se estendido a dirigentes, integrantes de comissão técnica e parte do público. A facilidade de acesso ao gramado e o número reduzido de policiais e seguranças privados estão entre os principais pontos questionados.

Em nota, o promotor Thiago Chacon afirmou que a atuação da Promotoria do Consumidor é pautada pela defesa da ordem pública e pela promoção de um ambiente seguro nos estádios. Segundo ele, a persistência de episódios de violência pode exigir “medidas enérgicas e imediatas”, inclusive perda de mando de campo ou jogos com portões fechados.

O promotor destacou ainda que os registros feitos no estádio apontam para episódios graves, iniciados entre jogadores e ampliados com a participação de dirigentes, comissão técnica e parte da torcida, que conseguiu invadir o campo. Para o Ministério Público, é necessário identificar as falhas, individualizar responsabilidades e adotar as providências cabíveis.

À Polícia Militar, o MP requisitou informações sobre o efetivo empregado na partida e cobrou medidas preventivas para o próximo jogo em Arapiraca. À FAF, foram solicitadas cópias da súmula, boletins e atas, além da análise de possíveis sanções no âmbito desportivo-disciplinar contra o ASA. A emissora que transmitiu o confronto também foi oficiada para encaminhar a íntegra das imagens da confusão.

A depender do resultado da apuração, a Promotoria poderá recomendar medidas como perda de mando de campo ou realização de partida sem torcida, especialmente na decisão contra o Clube de Regatas Brasil (CRB).

A atuação do MPAL tem como base a Lei nº 14.597/2023, a Lei Geral do Esporte, que prevê punições administrativas e disciplinares em casos de violência, desordem ou falhas na garantia da segurança em eventos esportivos. A análise do material reunido deve orientar as medidas a serem adotadas antes da final do Estadual.

Foto de capa: Reprodução NN TV