O desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas publicou, no primeiro dia de 2026, um manifesto público em que afirma avaliar de forma concreta sua saída do Poder Judiciário, com pedido de aposentadoria a ser formalizado nos próximos dias. No texto, ele sustenta que a decisão não decorre de esgotamento profissional ou perda de vocação, mas de um posicionamento institucional diante do ambiente interno da Corte.
Na publicação, o magistrado destaca a produtividade de seu gabinete ao longo de 2025, afirmando ter alcançado desempenho superior ao de outros setores, mesmo atuando em condições estruturais precárias, que classifica como incompatíveis com a dignidade do cargo. O contraste entre essa realidade e a existência de gabinetes considerados “suntuosos” é apontado como sintoma de desigualdade e falta de reciprocidade institucional.
O texto também reforça a defesa da independência judicial, da urbanidade e do respeito recíproco entre os integrantes do Judiciário. Ao mesmo tempo, traz críticas diretas a comportamentos que, segundo ele, revelariam posturas autoritárias ou pretensões de superioridade moral e intelectual dentro da instituição.
Ao anunciar que passará a adotar uma postura de maior distanciamento e diálogo estritamente protocolar, o desembargador sinaliza um rompimento simbólico com práticas internas que considera incompatíveis com a função jurisdicional. A eventual aposentadoria é apresentada como consequência natural desse cenário, e não como um gesto impulsivo.
O episódio expõe tensões internas no Judiciário alagoano e reacende o debate sobre estrutura, gestão, igualdade de condições de trabalho e os limites entre autoridade, poder e respeito institucional. Trata-se de um posicionamento raro, direto e contundente, que ultrapassa o plano pessoal e lança luz sobre desafios estruturais da magistratura brasileira.
