Durante os últimos anos, o debate político em Pernambuco acostumou-se a tratar a força digital como um ativo quase hereditário do prefeito do Recife, João Campos. Jovem, herdeiro de capital simbólico e dono de uma comunicação moderna, Campos parecia ter garantida a hegemonia nas redes sociais, esse território onde hoje se moldam narrativas, reputações e futuros eleitorais.
Mas o cenário mudou. E mudou rápido.
Os dados mais recentes de monitoramento digital feito pela Ativaweb DataLab mostram que a governadora Raquel Lyra deixou de ser coadjuvante nesse tabuleiro. Cresce menos pelo espetáculo e mais pela consistência. Menos pela vitrine e mais pela conexão. Em política digital, isso não é detalhe: é sinal de maturidade estratégica.
Enquanto João Campos preserva números absolutos expressivos, Raquel Lyra avança onde mais importa hoje: no engajamento. Seu índice é três vezes maior que o do prefeito. Isso significa algo simples, mas poderoso. Seus seguidores não apenas veem, eles reagem. Comentam, defendem, compartilham. A política digital deixou de ser apenas alcance; passou a ser vínculo.
A diferença revela estilos. João Campos construiu uma presença fortemente ancorada na estética, na narrativa fluida e na lógica de capital, onde a imagem conversa com uma audiência ampla, porém mais dispersa. Raquel Lyra opera em outra chave. Sua comunicação é menos polida, mais direta. Menos universal, mais identitária. Fala com quem se reconhece em sua trajetória de gestora, mulher, líder que veio do interior e não esconde isso.
Há um princípio básico na comunicação contemporânea que os números apenas confirmam: quem emociona, expande. Raquel Lyra entendeu isso. Seu discurso aciona pertencimento, enfrentamento e valores. O resultado é uma base menor em termos absolutos, mas muito mais mobilizada.
O crescimento da governadora também desmonta um preconceito recorrente no debate político nacional: o de que o interior pesa menos no digital. Pelo contrário. Pernambuco mostra que cidades médias e polos regionais produzem hoje engajamento mais orgânico, menos artificial, mais fiel.
Aliás, quem ainda tiver dúvidas sobre essa virada, faça um exercício simples: visite Pernambuco, principalmente a RMR, a Região Metropolitana do Recife. O clima político mudou. A percepção sobre a governadora deixou de ser defensiva e passou a ser afirmativa. E isso transborda das ruas para as telas.
Nada disso significa que João Campos esteja enfraquecido. Seria uma leitura apressada e intelectualmente desonesta. O prefeito segue competitivo, com recall elevado e forte presença simbólica. Mas a vantagem automática que lhe era atribuída no ambiente digital já não existe. O jogo agora é outro. Mais equilibrado. Mais disputado.





