O Brasil anda assustado com as notícias sobre contaminação por metanol. Misturado a bebidas alcoólicas falsificadas, o produto já causou cinco mortes em São Paulo. Seis óbitos são investigados. Em outros estados surgiram casos suspeitos que também esperam por exames para confirmação. O medo é generalizado. O tema não pode ser contaminado por amadorismo de autoridades de saúde, como se viu em Maceió.

Até a noite desta quinta-feira 9 de outubro, são dois casos suspeitos de intoxicação por metanol em Alagoas. O primeiro a ser noticiado foi o de uma mulher de 43 anos internada num hospital particular em Maceió. Ela apresentou sintomas de contaminação – náuseas, confusão mental e visão turva – após ingerir uma caipirinha. Exames médicos e na bebida ainda vão confirmar o que de fato aconteceu com a paciente.

O segundo caso suspeito foi noticiado na noite desta quinta pela TV Gazeta. Trata-se de um homem de 49 anos que, após passar mal com os mesmos sintomas, foi internado na UPA da Cidade Universitária. Em entrevista ao AL2, a delegada Cássia Rocha confirmou o registro de um boletim de ocorrência. A Polícia Civil, portanto, apura o episódio.

Sobre o amadorismo. A Secretaria Municipal de Saúde divulgou nota informando que um bar havia sido interditado pela Vigilância Sanitária de Maceió. Segundo o texto, foi nesse estabelecimento que a mulher havia ingerido a bebida suspeita de contaminação. Horas depois, a Associação de Bares e Restaurantes desmentiu a prefeitura.

Algum tempo depois, a secretaria da prefeitura da capital soltou uma segunda nota, desmentindo informação da própria pasta. Tudo isso ocorreu ao longo da quinta-feira. O estranho é que, na segunda nota da secretaria, o órgão não admite seu erro. Parece que a informação falsa nasceu do nada, no meio do asfalto em Jaraguá.

Ninguém assina as duas notas. É como se na secretaria não houvesse um titular sentado na cadeira de secretário. Como se sabe, o secretário é o senhor Claydson Duarte Silva de Moura, conhecido na balada como Mourinha. Sempre ágil na direção de câmeras e microfones, recomenda-se cautela ao servidor público diante de algo tão grave.

Foi preciso que a Abrasel, a entidade citada acima, buscasse informação com a Vigilância Sanitária para destituir a fake news da prefeitura e repor a verdade sobre os fatos. Tomara que os dois casos sejam logo esclarecidos – e que isso se dê com rigor técnico e sobriedade. Não é momento para estripulias oficiais.