Finalmente, o óbvio à luz do Sol. O Comando Vermelho e o PCC têm sócios no andar de cima. As facções do crime organizado são parceiras da elite financeira do país. Investigações da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público descortinam um dos segredos mais conhecidos no mundo paralelo da plutocracia. Claro, ricaços estão sempre de olho nas janelas para a expansão de bons negócios.
Para viabilizar as operações comerciais, postos de combustíveis e fintechs fazem parte, digamos assim, da cadeia de operações empresariais. Do mesmo modo, compra e venda de papéis no mercado especulativo movimentam fortunas a cada novo lance desses parceiros. Para “legalizar” o arrecadado, a lavanderia dá requinte à sujeira do crime.
Ao contrário do que afirmam algumas autoridades alagoanas, as organizações criminosas não estão somente infiltradas em pontos de tráfico da periferia, lugares marcados por miséria, exclusão e violência policial. Os gigantes do tráfico ocupam escritórios luxuosos, com estrutura de corporação e conexões com o poder público.
Nessa toada, não adianta delegado xerife que detona nas localidades mais pobres das cidades. Extermínio nas quebradas – como é tradição nas polícias – apenas ajuda a rodar a máquina das maiores quadrilhas em ação. Invadir favelas pra detonar jovens e famílias sem nada é a cartilha dos assassinos oficiais, com aval do cidadão de bem.
As operações policiais precisam chegar às coberturas e às mansões. Exatamente como fizeram agora os agentes sob a coordenação do Ministério da Justiça. Fosse Maceió o palco de investida policial semelhante, não adiantaria mandar bala no Santos Dummont, na Grota do Cigano, na Forene ou no Vergel. Os alvos estão em nossas “áreas nobres”.
E o mundo da política? Envolvido até o colarinho, o pescoço e a alma. Como se pode afirmar algo assim tão claramente? Simples. A estrutura descoberta pela operação federal, com participação do MP paulista, não seria possível sem um braço político. É tiro e queda, como se dizia entre um baseado e outro no Brasil de antigamente.
O governo federal mandou uma tacada inédita no combate ao crime organizado. Alguns governadores querem sabotar a iniciativa, para não reconhecer o trabalho do famigerado Lula. Nada que não fosse previsível. A ver agora se o trabalho segue na direção dos bilionários ou vamos continuar prendendo MC que incomoda doutores da lei.
Em Maceió, detentores de mandato eletivo, com a valentia dos xerifões matadores, continuam com o projeto de “limpeza da cidade”. Na mira, sabemos todos, o Zé Mané da boca de fumo, os pretos, os excluídos. Na Ponta Verde à beira-mar, fiquemos tranquilos, a família conservadora e crente no Senhor não corre perigo nenhum. Por aí.