A ideia vai se espalhando, quase como uma obra do mundo natural, mas sua origem tem assinatura específica. Nas páginas da velha imprensa, foi o jornalista Reinaldo Azevedo, em coluna no UOL, quem primeiro chamou atenção: numa disputa entre Lula e Tarcísio de Freitas, Eduardo Bolsonaro vai de Lula. Que loucura seria essa? O filho Zero Três prefere liderar a oposição ao lulismo e à esquerda do que passar o bastão.
No caso de uma vitória do governador de São Paulo em 2026, de fato Bolsonaro e família estariam em segundo plano no vasto campo da direita. A plutocracia, como se sabe, toca o bumbo para Tarcísio desde ontem e reza para o “mito” ser descartado de vez. O agronegócio ataca por uma das pontas e o mercado financeiro fecha o triângulo.
Diretamente dos Estados Unidos, Eduardo escala sua ladeira da insanidade. Os movimentos do deputado combinam com a tese de que, entre apoiar um aliado e perder a eleição para Lula, Duda prefere o “mal menor”. Vejam aonde vai a mente do rapaz que se escolheu candidato a presidente. Primeiro, ele trabalha contra o Brasil.
Hoje mesmo, nesta sexta-feira 29 de agosto, Eduardo deu declarações absurdas numa entrevista ao Metrópoles. Fala como se o país estivesse à beira de uma guerra civil, faz ameaças ao ministro Alexandre de Moraes e defende a descabida ideia de exercer o mandato a distância, morando bem longe daqui. Tudo fora do lugar.
A última do parlamentar que decidiu agir como traidor da pátria é a tal candidatura presidencial. Ele delira que pode estar na urna, substituindo o pai inelegível, como o grande herdeiro dos votos fiéis ao bolsonarismo. Ele é do PL, a legenda sob as ordens de Valdemar da Costa Neto, que não conta os dias para anunciar Tarcísio de Freitas.
É uma briga entre os muros partidários, mas também uma disputa nas salas e corredores do ambiente familiar. Como quem não quer nada e quer tudo, Michelle Bolsonaro botou o bloco na rua e desafia os demais membros do clã. Todo santo dia, ela está em algum evento, dando pinotes e fazendo orações em diferentes palanques país adentro.
Nada disso poderia prosperar por mais uma noite e mais um dia. A Câmara dos Deputados precisa agir com decência e tomar a única medida cabível. Se o parlamentar não volta, então que seu mandato seja cassado. Enquanto isso não ocorre, ele insulta o parlamento brasileiro a cada vez que abre a bocarra e expele nova fake news.