O deputado federal Alfredo Gaspar desistiu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. A seus pares na CPMI do INSS, ele explicou o seguinte: “Eu quero dizer que estou declinando desse convite, para manter a imparcialidade dos trabalhos, mas que me senti honrado com ele”. Entre a “honra” de ser recebido por sua referência política e um mínimo de seriedade como relator da CPI, o parlamentar mostrou que ainda tem juízo.

Um relator abertamente bolsonarista, solidário às teses mais bizarras do capitão, chegou à comissão desgastado já na largada. Como se noticiou amplamente, a oposição deu uma rasteira na base governista – dentro das regras do jogo – e levou o comando da CPI. O começo dos trabalhos, esta semana, foi marcado pela recorrência do verbete “acordo”.

Gaspar não precisa se esforçar para parecer um extremista de direita – isso ele é essencialmente. Com o posto estratégico de relator, ele faz movimentos para se afastar do carimbo de oposição por oposição. Afirma o deputado: “No meu relatório, não haverá protegidos nem perseguidos. Eu estarei aqui para cumprir o rito da investigação”.  

Ainda durante a fala sobre a visita que não mais ocorrerá, Gaspar disse que não conhece Lula e nem é próximo de Bolsonaro. E arrematou com este recado a quem interessar possa: “Não quero mal nenhum ao governo”. O prazo inicial é de 180 dias de trabalho, tempo suficiente para se verificar para que lado pende a balança da política.

Mas esse é o panorama nacional, um pedaço da história. Falta especular sobre o cenário local, sobre as consequências de uma tacada. O desempenho de Gaspar na CPI pode ser fator relevante na eleição de 2026? No ICL Notícias, via YouTube, dois jornalistas (Heloisa Vilela e Xico Sá) dizem com todas as vírgulas e esses: “Arthur Lira escolheu Gaspar”.

O que isso significa? Os dois parlamentares estariam amarrando uma parceria que reage à tática de virtuais adversários nas urnas. Segue o suspense sobre o destino de Gaspar, se uma reeleição à Câmara ou a tentativa de uma cadeira no Senado. Aí entra o senador Renan Calheiros, com seu repentino entusiasmo por JHC, embaçando a paisagem.

O prefeito de Maceió, mesmo após a nomeação da tia Marluce Caldas para o STJ, ainda não quebrou o silêncio. Terá de fazê-lo em algum momento, e provavelmente isso virá com a desfiliação ao PL. Não há combinação possível, neste caso, entre a base lulista e celerados da ultradireita alagoense. Mas voltemos à CPMI do Gaspar.

O deputado também vive algum dilema sobre seu CEP partidário. Filiado ao União Brasil, agora faz parte da federação com o PP de Arthur Lira. Daí o encontro dos dois, e alguma maquete como base de atuação a partir do atual contexto. Assim, Alfredo Gaspar toca sua nova rotina – a de um nome alçado, por ora, ao coração da bagaceira. Por aí.