Após 14 anos, a Justiça alagoana condenou um homem acusado de matar a companheira enquanto dormia, em Arapiraca, Agreste alagoano. O assassinato aconteceu em junho de 2011 e o réu, José Dernival Pereira Silva, foi julgado nesta segunda-feira (7) e condenado a quase 20 anos de prisão.
De acordo com os autos do processo, a vítima, Maria do Socorro Santos, 35 anos, morava com o filho, então com 9 anos, e um irmão com deficiência, na rua Dias Gomes, no bairro Santa Esmeralda. No dia do crime, ela foi vista ingerindo bebida alcoólicas com o companheiro, José Dernival, durante a tarde.
Ainda conforme os autos, o casal foi para o quarto por volta das 18h. Próximo das 21h, o filho do casal disse que bateu na porta do quarto chamando pela mãe. Ele era acostumado a dar a benção a ela antes de dormir. No entanto, em depoimento, o menino afirmou que o réu falou em tom ríspido “pode responder”, e só então a mãe respondeu: "Deus te abençoe".
Na manhã seguinte, o filho, que na época tinha 9 anos, encontrou a mãe sem vida no quarto, com um tiro na cabeça. O companheiro dela já havia deixado o local. A cena do crime não apresentava sinais de arrombamento, e estilhaços de uma garrafa de bebida alcoólica foram encontrados próximos ao corpo.
As investigações policiais apontaram um histórico de violência doméstica. Testemunhas relataram que Maria do Socorro era constantemente agredida e que José costumava ameaçá-la, dizendo que a mataria se ela o deixasse.
Durante o julgamento, que aconteceu no Fórum de Arapiraca, o Ministério Público sustentou a acusação com base nos depoimentos e nas provas técnicas, argumentando que o crime foi premeditado e por motivação torpe, dentro de um contexto de violência de gênero.
José Dernival Pereira Silva nunca havia sido preso e foi considerado culpado pelo júri popular. Ele recebeu pena próxima a 20 anos de reclusão por homicídio triplamente qualificado — com reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe, uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio.
A assessoria do MPAL ainda não divulgou detalhes a respeito da condenação.
