Bolsonaro deixou o hospital. Após três semanas de internação no DF Star de Brasília, ele voltou para casa moralmente piorado. Durante esse período, o ex-presidente abusou do direito de produzir chorume para manter a seita magnetizada. O auge do grotesco foi a exibição das tripas depois de uma cirurgia que durou 12 horas. Na saída, o inelegível voltou a distribuir mentiras sobre os atos golpistas e a atuação do STF.
Jair e a turma do golpe convocam para mais uma manifestação de rua, desta vez em Brasília, nesta quarta-feira, 7 de maio. O picareta Silas Malafaia segue como o principal organizador desses atos cujo objetivo evidente é atacar o Judiciário. Com essa velha estratégia, Bolsonaro joga tudo no confronto com as instituições. Depois de dois fracassos sucessivos, no Rio e em São Paulo, a gang dos patriotas não desiste.
Para manter o padrão que mistura dissimulação e comédia, o comício marcado para o Distrito Federal foi batizado de “Marcha Pacífica da Anistia Humanitária”. Ah, o reino mágico das palavras! Bolsonaro convoca seus devotos para um troço que é “pacífico” e “humanitário”. Um ardoroso defensor de torturadores, entusiasta de milícia e grupo de extermínio, de repente, se enfeita de pacifista, um cordeirinho da política.
É o que resta para a aventura de Jair Messias. O caminho para as urnas está interditado em decorrência da condenação por crime eleitoral. Ele sabe que será sentenciado pelo STF até o fim deste ano. Pelo conjunto da obra, o marginal pode pegar até 40 anos de prisão. Mesmo contrariado, terá de se contentar com o papel de apoiador a algum nome a ser escolhido pela direita. As várias alternativas racham o bloco dos cidadãos de bem.
Quanto aos nomes, nada de novo na barcaça da ultradireita e suas variações. Unidos desde já, ou apenas num segundo turno, quatro governadores seguem nas paradas: Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO), Romeu Zema (MG) e Ratinho Junior (PR).
Cada um desse quarteto tenta emplacar a imagem de uma direita moderada. Mas basta vê-los em palanques nas quebradas de suas províncias, soltos na buraqueira, para se verificar o material bruto no qual foram moldados. Moderação é brincadeira.
Do lado governista, as confusões reapareceram embaladas em crise no INSS, trombadas no Congresso e uma maluca troca de ministros. Ainda assim, Lula segue firme como “candidatíssimo” em 2026. Mas este é assunto para um próximo texto.
A conferir os primeiros passos de Bolsonaro, agora sob alta, com a pança costurada.
